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ARTIGO – Somos Todos Um Pouco Maricas

Redação 6 de junho de 2017 9 minutes read
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Por: Mateus Machado

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“Outrora, a catarse era a purificação das paixões através do fogo,
hoje, é sua liquidação pelo fluxo” 
– Jean Baudrillard (Cool Memories IV)

 

A maioria de nós, ditos seres humanos, parecemos nos esquecer da nossa herança ocidental Greco-Romana. E apesar da interferência judaico-cristã, ainda nos debatemos com os seus velhos costumes e conceitos. Infelizmente poucos são os que se lembram que regras, valores, imposições, só foram consideradas pela Santíssima Igreja Católica, depois do Concílio de Nicéia.

Se voltássemos um pouquinho no tempo e revíssemos a maravilhosa obra de Platão (nascido na Grécia em 427 antes de Cristo), em particular, “ O Banquete de Platão”, conseguiríamos enxergar muito bem o quão absolutamente normal era o papel da mulher como e tão somente como progenitora e dos homens, como detentores de toda sabedoria humana. Mais uma vez dito, em particular nesta obra, “ o Banquete de Platão”, como de costumes, senhores da alta sociedade econômica e filosófica reuniam-se a fim de discutir determinado assunto. Desta vez, o Amor foi o tema escolhido entre os senhores. Para quem se lembra, cada um deles, expôs sua visão sobre o que era o Amor e, fica claro o quão normal era a homossexualidade entre os homens mais velhos a fim de ensinar, passar sabedoria, aos mais novos. Sabemos que naquela época, a Grécia era caracterizada pelo politeísmo e que, no panteão dos deuses, já estava demarcada a bissexualidade; as relações homossexuais entre deuses, heróis e governantes, institucionalizando simbolicamente e moralmente a homossexualidade.

Na antiga Grécia, não apenas a bissexualidade, mas também a Pederastia, eram aceitas, e com certo louvor. O  relacionamento entre um homem maduro (por volta dos 25 anos) e um jovem (adolescente entre 12 e 15 anos), com o consentimento dos pais, era aceitável, para que o homem mais velho, pudesse instruir o jovem, desenvolvendo uma amizade íntima entre eles até que o jovem atingisse seus 18 anos.

Este fato era visto absolutamente ao contrário de hoje, como um papel educador entre mestre e discípulo, onde a homossexualidade era, não apenas aceita, mas, aliada à instrução e à moral, como um rito de passagem da juventude para a maturidade.

Através da homossexualidade se transmitia os valores da época e da sociedade e tudo isso era absolutamente normal.

Ora, pensando friamente desde que a Igreja assumiu o poder e instituiu suas ordens, a dor que todo homossexual passa, não só consigo, pelo fato de ter que se aceitar, mas, principalmente, ainda em 2017, ter que se assumir perante uma sociedade, é no mínimo um ato para verdadeiros guerreiros. E a sociedade, se conseguisse usar um pouco de sua massa cefálica, estudasse, procurasse respostas e não aceitasse tudo que lhes é imposto como verdade, deveria no mínimo, respeitar tais pessoas, pois, qualquer um, absolutamente qualquer um de nós estaríamos e, para quem acredita, estivemos e estaremos sujeitos a este mesmo processo.

Pensar então que em sua própria casa, estas pessoas são recriminadas, é praticamente um crime.

Infelizmente, nos dias atuais, os homossexuais, acabaram erguendo uma bandeira sem uma finalidade que vá além de exigir seus direitos, o que empobrece a causa dentro de um contexto social mais abrangente, encabeçada por um grupo que Nunca foi minoria, diga-se de passagem.

No entanto, diferente do que se conhece hoje, para os gregos, fora a pederastia e sua finalidade educacional, a homossexualidade só era aceita abertamente se fosse praticada entre os senhores e seus escravos; ao que parece, havia restrições desta prática entre os próprios gregos.

Mas foi com o surgimento e a ascensão da igreja católica, de tradição judaico-cristã, que a homossexualidade foi expressamente proibida e demonizada, bem como as suas modalidades, entre elas a pederastia.

De igual forma o politeísmo foi trocado pelo monoteísmo e sua postura patriarcal, inaugurando a homofobia aliada à religião.

Não nos esqueçamos do mito do Hermafrodito, filho de Afrodite e Hermes, que se transformou em um ser com os dois sexos ao fundir-se com a ninfa, Salmacis.

O arquétipo do hermafrodita é encontrado em várias mitologias no mundo todo e, em geral, aceito e bem visto. Tal mito vai além do conceito de gêneros e em um nível mais sutil, podemos dizer que a Alma luta por uma união de opostos complementares e, não pela separação.

Do nosso berço Greco-Romano, herdamos o culto ao corpo perfeito e a busca da eterna pela juventude. Só que, se para os gregos, o corpo perfeito estava atrelado a uma alma virtuosa, para a nossa atual sociedade, o que prevalece é a egolatria do culto ao próprio corpo; que não deixa de ser uma variante homossexual. Decaímos uma oitava ao condenarmos nossa alma (mente) ao umbral da ignorância.  Quando isso acontece o próprio corpo físico se desequilibra. Agora imagine fazer isso com seu próximo…

Do nosso berço Greco-Romano, herdamos nossa postura machista, não necessariamente heterossexual diante das mulheres porque o papel fundamental das mulheres gregas, como já dito anteriormente, era tão e somente a procriação. Eram mulheres obrigadas a dar bons rebentos ao Estado. Havia tanto a subserviência, quanto dependência do pai, do marido, ou até mesmo dos filhos, entre as gregas e as romanas.

“ Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas”

Chico Buarque

De todo esse programa pró-gay e das demais bandeiras ditas “minorias”, a heterossexualidade está se enfraquecendo em um mundo cada vez mais voltado ao que é semelhante ou a busca pela semelhança.

Para alguns Teóricos da Conspiração, todo esse programa para afeminar o mundo faz parte de uma agenda global para moldar as massas segundo a Engenharia Social.

Se o problema da superpopulação pode encontrar algumas saídas para uma higienização planetária, entre elas o controle radical da natalidade, a relação homossexual pode vir a contribuir nesse processo, principalmente se os casais homossexuais adotarem crianças abandonadas, causando um impacto social positivo.

Ainda assim, estamos estagnados nas ideologias de gêneros e com isso, a confusão vem à tona. Longe de esclarecer qualquer coisa, cria-se mais obstáculos e divisões, aumentando a segregação. Se há preconceito de heterossexuais contra homossexuais, há também a via contrária, do homo contra o hétero, e isso está em uma via crescente.

Pior, todo preconceito é um processo em trânsito, e não apenas de mão única. A hipocrisia, que é alimento para todo e qualquer preconceito, se fortalece entre os próprios homossexuais e a segregação entre os grupos é generalizada, pandêmica.

Pandêmica também é a Masturbação Conceitual das Igrejas Cristãs Pentecostais, da Política Retrógrada e das Mídias de Caráter Duvidoso; não acrescentando aqui, a Igreja Católica, pois esta instituição há tempos vem sofrendo com o Cancro Duro adquirido ao longo do tempo, devido aos abusos Político-Sexuais propriamente ditos, além de fomentar o Feminicídio.

E o que é o homossexualismo senão apenas um conceito? Heterossexualismo, Homossexualismo, Bissexualismo, Transsexualismo, entre outros. Tudo é Conceito. E tais conceitos, segregam, desumanizam, como bem fazem a maioria das religiões monoteístas.

Em um mundo cada vez mais homogeneizado; e isso é fácil constar na decadência da cultura popular, em especial no cenário musical, a guerra das ideologias de gêneros parece florescer usando como argumento a liberdade do discurso democrático, não para esclarecer, mas para confundir. Ainda mais se tratando de uma sociedade pouco, ou nada, esclarecida nem como indivíduo e muito menos como fenômeno coletivo. Política e Pornografia se canibalizam entre si.

O mundo está se tornando excessivamente político e erotizado (o termo correto é pornográfico; o erótico, se manifesta de maneiras sutis), cada vez mais e de maneira vulgar, não no sentido moral, mas devido ao emburrecimento e à corrupção das massas.

Emburrecimento, aliás, que nasce de um intelectualismo cada vez mais enlatado. Resta-nos a distopia de uma Era Vulgar e extremamente tediosa e que nos leva à ultraviolência gratuita.

Aqui no Brasil nos debatemos com a polêmica da Cartilha do MEC. Não creio que se trata de um processo de educação. Muito antes de uma pretensa “Educação Sexual”, pois o que necessitamos é de uma Educação Mental mais humanista. Este papel caberia primeiramente aos pais como primeiros educadores e formadores de valores, depois à escola.

Nem os pais nem as Escolas e muito menos o Governo (que não tem interesse nenhum nisto, muito pelo contrário), estão preparados para este desafio.

Antes, porém, o que precisamos é de uma desintoxicação dos (pré) conceitos que nos aprisionam e para isto, temos que arregaçar as mangas e encarar nosso lado animal, primitivo, reconhecer essa energia instintual que está sim desequilibrada, e nos elevar a um patamar acima na escala de Maslow, mas infelizmente para isto, temos que abrir as jaulas que limitam nossa consciência, reconhecer e sentir o cheiro de Toda a Merda que existe lá, bem guardada no quartinho que cada um de nós possuímos nela.

 

 

Mateus Machado é Poeta, Escritor, Astrólogo e Mitólogo. Conferencista e autor de Origami de Metal, A Mulher vestida de Sol e A Beleza de Todas as Coisas. Este ano lança seu mais novo livro de poesias intitulado Toten, Pele Nova e Espirais nos seus Cabelos pela Editora Chiado.
Trabalha atualmente na Tradução do livro Mexico City Blues de Jack Kerouac e se dedica aos seus Blogs literários, Biblioteca de Babel na Obvius Magazine, O colunista e de sua coluna no site Olhar Crítico.
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E mail: mateusmachadoescritor@gmail.com
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