
Quase 30 milhões de brasileiros com mais de 10 anos já fizeram algum tipo de aposta online, o que representa 19% dos usuários de internet no país, segundo dados da pesquisa TIC Domicílios 2025. O levantamento revela o crescimento acelerado das apostas digitais no Brasil e acende um alerta, especialmente pela presença cada vez maior dessas plataformas entre crianças e adolescentes — público considerado mais vulnerável a impactos financeiros e comportamentais.
O avanço desse mercado já começa a refletir na forma como parte da população administra a própria renda. Para Carlos Barbosa, diretor de negócios da cooperativa de créditos, Cooperemb, as apostas digitais envolvem riscos elevados e podem comprometer o orçamento familiar quando não há planejamento. Segundo ele, sem limites claros, elas podem gerar endividamento e trazer consequências financeiras severas para o indivíduo e para a família.
De acordo com o especialista, o problema não está necessariamente no gasto pontual, mas na falta de previsibilidade e controle. Ele explica que despesas recorrentes fora do planejamento pressionam o orçamento e podem levar ao aumento do uso do crédito para equilibrar as contas. Esse movimento, de acordo com Barbosa, cria um ciclo de comprometimento da renda, reduz a capacidade de poupança e amplia a vulnerabilidade financeira — mesmo quando os valores individuais parecem pequenos.
Diante desse cenário, a educação financeira ganha papel central. O executivo defende que gastos com apostas devem ser tratados como qualquer outra despesa, com registro, acompanhamento e definição de limites. “Quando a pessoa não tem clareza sobre quanto está gastando, perde a referência do orçamento e pode recorrer ao crédito de forma excessiva”, diz. Para ele, quanto mais diversificados se tornam os canais de consumo, maior é a necessidade de planejamento para evitar desequilíbrios nas finanças familiares.
Reportagem, Max Gonçalves








