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Apenas a conciliação salvará a terceira via em 2022

Por Cássio Faeddo

 

Só pode haver um”, esta é a emblemática frase do filme Highlander – O Guerreiro Imortal de 1986, e assim o guerreiro Victor Kruger (Clancy Brown) parte para aniquilar outro imortal,  Connor Macleod (Christopher Lambert).

Muito longe da imortalidade, os diversos pré-candidatos a presidente do Brasil partem para uma luta na qual todos têm que buscar a desqualificação de um dos favoritos, Lula ou Bolsonaro, além dos demais. Somente desta maneira um deles poderá figurar no segundo turno das eleições de 2022 com alguma viabilidade.

É pouco provável que Bolsonaro ou Lula desistam simultaneamente de disputarem as eleições; ainda que, talvez, Bolsonaro reflita que sua estratificação de adeptos esteja cristalizada e que não chegará a lugar nenhum em 2022.

Se a eleição presidencial fosse hoje, seria o melhor negócio para a dupla de favoritos, pois Lula bateu no topo muito cedo e Bolsonaro derrete na impopularidade. Ambos têm uma longa e desgastante campanha até outubro de 2022.

Al Ries e Jack Trout não são especialistas em corrida eleitoral, mas são notórios autores de marketing; defendem no livro, Posicionamento – Batalha por sua Mente, a importância da criação de uma “posição” na mente do consumidor, uma vez que “a batalha do marketing é travada dentro da mente do consumidor”.

Al Ries já defende há muito que em um mercado maduro só há lugar para uma competição séria entre duas marcas, a terceira sofrerá muito para ocupar o lugar de uma delas.

E mais, que uma marca deve ser claramente identificável com um produto/serviço; ou seja, ao citarmos uma marca, o consumidor rapidamente identificará do que se trata.

Longe de tentarmos ocupar lugar em um debate nesta ciência, mas tais princípios parecem caber muito bem com a situação vivida por uma corrente de candidatos que pretende ocupar o lugar de Bolsonaro ou Lula para o segundo turno.

Porque é disto que se trata: ocupar um destes lugares, o que necessariamente importa em definir o alvo mais debilitado na corrida, hoje Bolsonaro, amanhã, talvez Lula.

Porém, só há lugar para um candidato nesta corrida. Só pode haver um, como diria Victor Kruger. Da maneira que estão dispostos os demais fora da dupla preferida, todos vão perder.

Este lugar na mente do eleitor terá que ser de fácil identificação, e com tantas opções, vão todos sobrar na prateleira eleitoral.

O eleitor deu uma preciosa dica nas eleições municipais de 2020, buscando um voto de segurança, ainda que alguns possam afirmar que nunca houve ou haverá segurança em política, mas a busca foi por uma posição de centro.

Na prateleira eleitoral encontram-se um presidente e um ex-presidente. Como concorrer com algo tão exposto ao eleitor e tão facilmente identificável nas urnas?

Por mais difícil que seja, a solução para uma campanha que possa fazer frente a um ex-presidente como Lula e ao atual presidente Bolsonaro, necessariamente passará por uma conciliação de todos os demais. Conciliar o inconciliável? Talvez, mas por um objetivo maior, despolarizar e buscar um projeto de país.

A conciliação pode se apresentar como maior prova de que estes candidatos têm um ideal democrático para a nação, não apenas projetos pessoais. Portanto, ao final, não será uma batalha de highlanders, pois todos morrerão se persistirem no embate.

 

Cássio Faeddo. Advogado. Mestre em Direito. Ciências Políticas – USCS. MBA em Relações Internacionais – FGV/SP

 

 

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal SB24Horas