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A educação está defasada, ela não acompanhou a transformação cultual: Diz Fabiano de Abreu

São nos primeiros anos de vida acadêmica que também se inicia o processo de formação enquanto cidadãos. Sendo assim, a educação é primordial na formação do indivíduo no âmbito profissional, social e pessoal. Logo, se existem falhas neste processo nem um ambiente favorável ao desenvolvimento dos alunos, as consequências vão muito além da piora nos índices de avaliação do ensino como o IDEB e SINAES mas, impactam negativamente em toda sociedade. Assim, entender e propor soluções para os principais dilemas enfrentados pela educação é uma forma de buscar uma melhoria no nível de vida de todos.

 

O filósofo, escritor e jornalista luso-brasileiro Fabiano de Abreu é um dos que têm procurado propor alternativas ao sistema tradicional de ensino no intuito de contribuir com o desenvolvimento. Segundo ele, a forma como educamos os nossos filhos está defasada e longe de acompanhar o momento em que estamos: “não é possível usar estratégias do século passado com sucesso para educar a juventude de hoje. A sociedade e a cultura já não são as mesmas, logo é ineficaz tentarmos abordagens que não refletem esta guinada sociocultural. O atual sistema de ensino está defasado e é extremamente desinteressante para o jovem, incentivando que os alunos estejam presentes de corpo e ausentes de ‘alma’, como se a escola fosse um fardo para suportar e não uma oportunidade de se desenvolver”.

 

Novo conceito para a educação

 

Fabiano é considerado um dos homens com maior QI do mundo. O filósofo faz parte da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do planeta com sede na Inglaterra e tem 99 de percentil, segundo os testes WAIS III, WISC IV e RAPM. Isto representa estar entre os 1% mais inteligentes do mundo. Avaliado com superdotação desde a adolescência, ele defende o teste de inteligência em escolas como um dos 3 pilares de seu novo conceito para a educação: “Durante a minha vida acadêmica, até o ensino médio, eu fui um jovem incompreendido pelo sistema educacional e tive muitos problemas por isto. Eu era considerado rebelde e desinteressado, mas tudo isto era consequência de um sistema que não era capaz de perceber minha condição e aproveitar minhas habilidades de modo eficaz. Na adolescência fui identificado por um teste como superdotado, mas somente anos depois encontrei uma orientação profissional que me explicou que meu comportamento poderia ter a ver com a superdotação. Se nosso sistema educacional estivesse preparado para identificar as habilidades de cada um dos jovens e proporcioná-los um ambiente preparado para facilitar o seu desenvolvimento pleno, então este seria um sistema muito mais eficiente e com melhor aproveitamento. Não me refiro apenas a QI mas, identificar aquilo em que cada um é bom e pode se desenvolver, sejam artes, computação, esportes, humanidades, etc”.

 

Para identificar as habilidades e vocações profissionais de cada aluno, Fabiano propõe a participação ativa de uma equipe multidisciplinar: “ Eu fiz um teste de inteligência no ano passado, que não é um teste de QI, e sim um teste para avaliar dentro de sua propriedade intelectual, quais as profissões que melhor se encaixariam dentro das habilidades da pessoa. Realizar este teste foi sensacional para mim, porque revelou aptidões que realmente eu tenho e profissões que eu poderia ter exercido. Não que eu não esteja satisfeito com a minha profissão atual mas, eu vejo que dentro das minhas habilidades eu tinha também muitas outras opções. O jovem não é obrigado a exercer as profissões reveladas no teste de acordo com a sua aptidão, mas, pelo menos o jovem e seus pais já teriam uma ciência de suas habilidades para optarem e terem opções de decisões.”

Fabiano de Abreu

Fabiano também acredita que as escolas deveriam ter o que ele chama de psicólogos personalizados. Este é o segundo pilar do tripé proposto pelo filósofo para a educação: “Muitas escolas têm psicólogos, mas eles estão lá para situações específicas, para gestão de crise, e não para acompanhamento. A escola deveria ter psicólogos personalizados, dedicados a compreender o aluno de forma individual. Eu quando jovem era um revoltado e odiava estudar e no ensino superior abandonei mais de uma faculdade para trabalhar por conta própria. Tudo isso, porque pessoas superdotadas tendem a ter dificuldades de se dedicar a matérias que não lhes interessam. No entanto precisamos olhar não só pra superdotados, mas para cada jovem ou criança em sua particularidade e buscar o melhor em cada um. A escola é primordial para o futuro de um país. Se queremos um futuro melhor é na escola que devemos olhar e criar estratégias para que ela possa ajudar a promover um melhor futuro.”

 

Segundo o filósofo, a forma de avaliar o progresso e desenvolvimento de cada aluno também precisaria mudar, este seria o terceiro pilar, contemplando uma abordagem mais individual e contínua, capaz de perceber o ritmo de aprendizado de cada aluno: “a maneira que o professor testa o conhecimento do aluno é através da prova. Se ele errou, é porque não aprendeu, e se ele aprendeu é porque o professor soube ensinar. O professor deveria ser um mediador de conhecimento. Os jovens não são mais como os de antes, a doutrina mudou. Muitos acham que podem tudo e a sociedade os induz a pensar que são soberanos. Estamos na era da criatividade e os professores precisam usar a criatividade e o dinamismo para que o aluno seja mais interessado e aí sim poder fazer uma avaliação de conhecimento de forma mais individual, ou seja: ao invés de provas marcadas com toda a turma, as avaliações seriam individuais e no ritmo de cada aluno”.

 

Dentro deste novo conceito, Fabiano defende que os professores deveriam ser capazes de aplicar provas conforme o ritmo de cada aluno, sem data marcada, dando fim à ‘decoreba’:  “o problema é que muitos professores arremessam o conhecimento para toda uma turma e uns interessados agarram e outros deixam passar. No final, a prova é que avalia. Mas os alunos que não aprenderam decoram os conteúdos antes da prova e até conseguem tirar uma boa nota. Isto a meu ver não determina o sucesso do sistema nem avalia efetivamente o aprendizado, porque a decoreba se esquece e o aluno não aprende de verdade. Há, por exemplo, alunos muito inteligente que não prestam a atenção na aula ou são rebeldes. Se eles tivessem um planejamento individual e direcionado, poderia daí termos grandes profissionais.”

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