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Alimentação saudável: dos frutos aos nuggets

Redação 5 de julho de 2015 6 minutes read

Foto: Margouillat photo

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Comida congelada, suco de caixinha, pipoca de microondas, sopa instantânea, nuggets, enlatados. Produtos alimentícios como esses, ícones da vida moderna e que enchem nossos carrinhos de supermercados, não fazem jus ao caminho percorrido por nossos antepassados ao longo da história para manter a barriga cheia, o corpo nutrido e a saúde em dia.

No início era a coleta. Há cerca de 200 mil anos, nossos ancestrais, que eram nômades, se alimentavam de frutos e raízes, consumiam carne de caça, peixe e possivelmente moluscos in natura. Como num drive-thru paleolítico, eles aproveitavam as ofertas alimentícias que encontravam pelo caminho. Ainda nesta época, nossos parentes hominídeos inventaram de assar e cozinhar os alimentos. E foram levando a vida assim, durante alguns milhares de anos. Eles andavam, caçavam, pescavam e comiam. Se não se mexessem, ou se a oferta era escassa, passavam fome.

Muito tempo depois, há aproximadamente 10 mil anos, veio a mudança que influenciaria a alimentação, a cultura e as sociedades humanas até hoje: a agricultura. Cansados de vagar, e com a experiência de milênios acumulada, nossos ancestrais resolveram fixar residência. Passaram a viver às margens de rios e lagos, cultivando trigo, cevada, milho, arroz e cereais – estes que são a base da alimentação tradicional de diferentes povos por todo o planeta até hoje. Ao mesmo tempo, dava-se início a criação de bovinos, ovinos, caprinos e suínos. Também começaram a produzir bebidas e alimentos líquidos usando cereais, caules, grãos, vagens, brotos; além de cozidos, ensopados e condimentos.

 

Na antiguidade, comida também era remédio – Nos tempos antigos, o que chegava à mesa, pelo menos das elites, já era bastante variado. As tumbas do Antigo Egito (a partir do quarto milênio a.C) mostram os alimentos consumidos pelos faraós: massas, carnes, peixes, laticínios, frutas, legumes, cereais, condimentos, especiarias e mel. Os egípcios eram também grandes conhecedores dos segredos da farmacopeia e das propriedades das ervas medicinais.

Na Antiguidade Clássica – o longo período em que se destacaram as civilizações grega e romana – também eram conhecidos os efeitos preventivos e terapêuticos da alimentação. Os escritos de Hipócrates, grego conhecido como pai da medicina, mostravam alguns produtos alimentícios consumidos na Grécia Antiga e já faziam uma associação entre alimentos e o combate a doenças.

Admirável Mundo Novo – Outra grande virada nesta história ocorreu por volta de 500 anos atrás, com as Grandes Navegações (séculos XV e XVI). Começava ali a primeira onda de globalização, quando os europeus saíram desbravando mares, conquistando novas terras e povos e, obviamente, diversificando o prato deles de cada dia. O que seria do molho das massas italianas, se não fosse o tomate, fruto nativo da América Central, que começou a ser cultivado pela Civilização Inca? Isso sem falar nas asiáticas laranja, banana e manga, que cruzaram mares e vieram fazer sucesso nas lavouras e mesas da América. Daqui do Brasil, o mundo hoje conhece o cajú, a mandioca, a goiaba…

Quando começou a dar errado – O modo de produção de alimentos permaneceu praticamente o mesmo por muito tempo: o cultivo de vegetais e a criação de animais eram feitos em propriedades familiares e as farinhas eram produzidas de forma artesanal, preservando suas fibras e benefícios naturais. Mas, ainda na Idade Moderna (séculos XV ao XVIII), a agricultura, que antes era de subsistência, passou a ter fins comerciais.

Em meados do século XIX, a história da humanidade passou por um momento de ‘fermentação’, com a chegada da Revolução Industrial, que ‘desandou’ com a ordem estabelecida e o que era feito de forma artesanal, passou a ser produzido com a ajuda de máquinas para acelerar a produção e abastecer uma população que não parava de crescer. O movimento atingiu todos os setores, em especial a produção de alimentos. É dessa época a criação dos alimentos enlatados (França-1810), criados para atender a necessidade militar, mas que em pouco tempo invadiu prateleiras e casas de todo o mundo.

A partir dai, em uma velocidade sem precedentes na história da alimentação humana e com a necessidade de se produzir em grande escala para suprir populações imensas, a comida passou a ser objeto de uma verdadeira alquimia, nem sempre saudável. Hoje, uma inocente receita pode conter corantes, conservantes, antioxidantes, estabilizadores, emulsionantes, espessantes e até gelificantes. Quem quiser realmente saber o que está comendo terá que decifrar ‘ingredientes’ como E162 (corante Vermelho de beterraba), E202 (conservante Sorbato de potássio) ou ainda um ‘apetitoso’ E469 (emulsionante Carboximeticelulose hidrolisada enzimaticamente). Inclui-se aí também muito sal, muito açúcar, muita gordura.

Com a receita talhada, a opção é voltar ao início – Diabetes, obesidade, hipertensão, câncer. Doenças da modernidade, que viraram epidemia em países industrializados, são hoje creditadas ao estilo de vida contemporâneo, e olha aí a alimentação de novo. Não precisamos mais plantar, caçar, pescar. O alimento está ao alcance de qualquer um que possa pagar por ele. Muita oferta de comida, pouco esforço para obtê-la. Apesar disso, há uns comensais que, em busca de uma vida mais saudável, estão se voltando para um cardápio mais natural, mais próximo ao que nossos antepassados comiam. Isso porque – em virtude de uma alimentação inadequada, carente de nutrientes e vitaminas, repleta de aditivos e conservantes; e altamente calórica –, os problemas de saúde passaram a ser relacionados ao que comemos.

Para muito além das dietas da moda ou de emagrecimento, há hoje uma ainda embrionária, mas crescente, busca por outros tipos de alimentação: vegetariana, crudivorista, alimento vivo, macrobiótica ou até mesmo a antiga comida da vovó. O modo de fazer fica por conta de cada um, mas valiosas dicas para fazer bonito na cozinha podem ser encontradas no Guia Alimentar para a População Brasileira e no livro ‘Alimentos Regionais Brasileiros’, lançados pelo Ministério da Saúde. As duas publicações procuram resgatar o que há de melhor na tradição culinária, que se perdeu em meio ao corre-corre diário, a falta de tempo e as soluções fáceis que, ao longo dessa incrível história, acabaram por colocar o fogão em banho-maria.

Fonte: Cláudia Chagas/ Agência Saúde

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