Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real
Amazonas registra aumento expressivo nos focos de fogo; fumaça compromete a saúde da população e mobiliza equipes estaduais e federais de combate às queimadas.
A intensificação dos incêndios florestais na Amazônia voltou a preocupar autoridades e moradores em outubro de 2026. No Amazonas, o avanço dos focos de fogo e a fumaça que se espalha por diferentes municípios já provocaram impactos na rotina da população, incluindo a suspensão de aulas presenciais em Manaus e em cidades do interior.
Dados do monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), consolidados até 15 de outubro, apontavam 8.084 focos de calor no Amazonas desde o início do ano, contra 3.674 no mesmo período de 2025 — um aumento de aproximadamente 120%. Somente nos primeiros 15 dias de outubro, foram registrados 1.827 focos no estado. No Pará, o total no mesmo intervalo chegou a 5.712. Os registros de satélite indicam focos de calor, mas não correspondem necessariamente ao número de incêndios individuais ainda ativos.
Fumaça prejudica a qualidade do ar
A situação ganhou dimensão de emergência de saúde pública em Manaus, onde a fumaça das queimadas reduziu a qualidade do ar. No sábado, 17 de outubro, a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 401,4 microgramas por metro cúbico, nível classificado como péssimo pelo monitoramento ambiental.
Na segunda-feira, 19 de outubro, escolas das redes municipal e estadual de Manaus suspenderam as atividades presenciais. A medida também alcançou unidades de ensino em Autazes e Nova Olinda do Norte. A Universidade do Estado do Amazonas suspendeu atividades presenciais até sexta-feira nas unidades atingidas, enquanto a Universidade Federal do Amazonas interrompeu as aulas em Manaus e Itacoatiara no período anunciado.
As partículas finas presentes na fumaça podem penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar problemas de saúde. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares merecem atenção especial em períodos de poluição elevada.
Força-tarefa reforça combate às chamas
Diante do agravamento do cenário, órgãos estaduais e federais ampliaram as ações de combate. O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou o envio de mais bombeiros e viaturas ao Amazonas, elevando para 160 o número de profissionais mobilizados pela Força Nacional de Segurança Pública nessa frente de atuação.
Outra frente envolve equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além do emprego de aeronaves e veículos para alcançar áreas afetadas.
Segundo a Agência Brasil, uma força-tarefa conseguiu extinguir mais de 300 focos de incêndio em cinco dias. Em 16 de outubro, o estado registrava 188 focos ativos, após um pico de 494 novos focos no dia 10. O quadro demonstra que a situação pode variar rapidamente conforme as condições climáticas e a capacidade de resposta das equipes.
O que está por trás dos incêndios?
As causas dos focos variam e precisam ser analisadas caso a caso. O uso do fogo para limpeza de áreas, manejo agropecuário, abertura de terrenos e práticas ilegais pode contribuir para a ocorrência de queimadas. Em períodos de estiagem e vegetação ressecada, o fogo pode se espalhar com maior facilidade e alcançar áreas de floresta.
Reportagens publicadas em outubro também apontam a influência de condições climáticas associadas ao El Niño, que podem agravar a seca e aumentar a vulnerabilidade da vegetação. Entretanto, a identificação da origem de cada incêndio depende de monitoramento e investigação; não é correto atribuir todos os focos a uma única causa sem evidências específicas.
O INPE mantém um sistema público de acompanhamento dos focos de calor, que permite consultar os registros por estado, município e bioma. Os dados são uma ferramenta importante para orientar ações de prevenção e fiscalização, embora não substituam a verificação em campo.
Uma crise ambiental com consequências humanas
Os incêndios na Amazônia representam uma ameaça à biodiversidade, aos habitats de animais silvestres e à vegetação nativa. Também afetam comunidades que vivem na região, prejudicam a visibilidade e a qualidade do ar e podem comprometer atividades cotidianas, como aulas e deslocamentos.
O cenário observado em outubro reforça a importância da prevenção, da fiscalização ambiental, da investigação de possíveis incêndios criminosos e da atuação coordenada entre governos e órgãos de proteção. A evolução da situação depende, entre outros fatores, das condições meteorológicas, da localização dos focos e da capacidade de conter as chamas.
O acompanhamento dos dados oficiais será fundamental para avaliar se o reforço das operações conseguirá reduzir os incêndios e os impactos da fumaça nos próximos dias.
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