
Saída fiscal cresce 80,65%; segunda nacionalidade amplia alternativas para o futuro das famílias.
O número de contribuintes que declararam saída fiscal do Brasil passou de 25.797 em 2021 para 46.603 até agosto de 2026, último dado disponível da Receita Federal. O movimento abre uma discussão sobre como preparar uma alternativa de vida no exterior antes de precisar tomar essa decisão.
A Receita ressalta que parte do aumento corresponde à regularização de brasileiros que já moravam fora. O levantamento não identifica os motivos individuais das saídas, mas oferece um contexto para discutir residência no exterior e planejamento familiar.
Para a Dra. Ana Carolina Campara Brittes, advogada especialista em Direito Migratório, CEO da Campara Cidadania, Vistos & Viagens e membro da Comissão de Cidadania Italiana da Associação Brasileira de Advogados (ABA), a percepção de instabilidade política, econômica e jurídica pode pesar nas decisões das famílias. Nesse cenário, reconhecer outra nacionalidade pode ampliar as possibilidades de escolha.
“Quando uma família se preocupa com a previsibilidade das regras e com o futuro dos filhos, considero importante avaliar quais alternativas ela pode construir. Ter outra cidadania pode permitir que uma mudança seja uma escolha planejada, em vez de uma decisão tomada sob pressão”, afirma.
Quase 1,2 milhão de aquisições na União Europeia
Na Europa, as estatísticas oficiais mostram a dimensão da aquisição de novas nacionalidades. Segundo o Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia, quase 1,2 milhão de pessoas adquiriram, em 2024, a cidadania do país do bloco onde residiam, um crescimento de 11,6% em relação a 2023.
A Itália respondeu por aproximadamente 217.400 aquisições, equivalentes a 18,5% do total. Os dados foram extraídos pelo órgão em março de 2026.
O levantamento abrange residentes nos países da União Europeia, de diferentes nacionalidades e por diferentes formas de aquisição. Não se limita a brasileiros nem contabiliza todos os reconhecimentos realizados por descendentes que vivem fora do bloco.
Enquanto os números brasileiros tratam da mudança da condição fiscal, as estatísticas europeias mostram a aquisição de nacionalidade. São processos distintos, que podem fazer parte de projetos de vida envolvendo mais de um país.
“Eu não vejo a segunda cidadania apenas como um passaporte para viajar. Vejo como uma possibilidade de organizar projetos de vida: onde trabalhar, onde estudar e em qual país a família poderá viver se decidir mudar. Essa alternativa pode ser preparada mesmo quando a intenção atual é continuar no Brasil”, explica a Dra. Ana Carolina.

Um país de origem, possibilidades em todo o bloco
A nacionalidade de um país da União Europeia confere também a condição de cidadão do bloco. Isso significa que as possibilidades de circulação, trabalho, estudo e residência podem ultrapassar as fronteiras do país que reconheceu ou concedeu aquela nacionalidade.
Um cidadão italiano, por exemplo, pode considerar projetos de vida em outros países da União Europeia. Conforme as orientações oficiais do bloco, permanências mais longas exigem observar condições que podem envolver registro de residência, atividade profissional, recursos financeiros e cobertura de saúde.
Essa possibilidade permite avaliar destinos conforme as necessidades da família, considerando idioma, oportunidades profissionais, custo de vida e educação dos filhos.
Dra. Ana Carolina destaca: “O reconhecimento de uma nacionalidade pode abrir possibilidades em diferentes países. Por isso, eu considero importante olhar para os objetivos da família: a formação dos filhos, a carreira dos pais e o lugar onde desejam construir uma próxima etapa da vida”.
O plano B começa antes da mudança
O primeiro passo é verificar se existe um caminho legal para adquirir ou reconhecer outra nacionalidade. Descendência, casamento e residência podem integrar essas possibilidades, conforme a legislação de cada país.
A análise precisa considerar documentos, requisitos, prazos e a situação de cada integrante da família. Ter um ascendente europeu exige verificar se a legislação permite a transmissão da nacionalidade naquele caso. Da mesma forma, o reconhecimento para uma pessoa não significa que todos os familiares terão automaticamente o mesmo direito.
“Eu recomendo que essa análise seja feita com antecedência. A família precisa saber quem tem direito, quais documentos serão necessários e como o processo se encaixa em seus objetivos. Assim, ela consegue organizar uma alternativa concreta para o futuro”, afirma a Dra. Ana Carolina.
Segurança para decidir
Na avaliação da especialista, o valor de um plano B está na capacidade de tomar decisões com informação e preparação. A estratégia deve considerar tanto as regras vigentes quanto as condições práticas de uma eventual mudança.
“Quando falo em segurança, falo em conhecer as possibilidades e os limites de cada caminho. Meu objetivo é ajudar a família a tomar decisões com informação, documentação e uma estratégia adequada à sua realidade”, ressalta a advogada.
Para quem pretende viver no exterior, o planejamento deve contemplar moradia, renda, trabalho, escola e obrigações tributárias. Reconhecer outra nacionalidade não altera automaticamente a residência fiscal no Brasil. A saída definitiva exige uma avaliação própria, conforme as regras da Receita Federal.
“A família pode continuar vivendo no Brasil e preparar uma alternativa para outro momento. O importante é compreender o que aquela nacionalidade permite e como ela pode contribuir para os projetos dos pais e dos filhos”, conclui a Dra. Ana Carolina Campara Brittes.
Quem é Ana Carolina Campara Brittes
* CEO e sócia-fundadora da Campara Cidadania, Vistos & Viagens;
* Membro da Comissão de Cidadania Italiana da Associação Brasileira de Advogados (ABA);
* Membro da ABRINTER (Associação Brasileira de Advogados Internacionalistas);
* Membro do IBDESC (Instituto Brasileiro de Direito Estrangeiro e Comparado);
* Advogada no Brasil e em Portugal;
* Pós-graduada em Direito Público pela FMP (Fundação Escola Superior do Ministério Público – RS);
* MBA em Direito Migratório pela EBPÓS;
* MBA em Instrumentos Internacionais de Planejamento Patrimonial e Sucessório pela EBPÓS (em andamento).
Sobre a Campara
A Campara é um ecossistema de mobilidade global, com ampla experiência em nacionalidade europeia, imigração e relocação internacional. Atua no reconhecimento judicial e administrativo de nacionalidades, especialmente portuguesa, italiana, espanhola e alemã, além de oferecer assessoria completa em vistos, planejamento migratório, mobilidade internacional e integração no país de destino. Com atuação no Brasil, nos Estados Unidos, Emirados Árabes e Europa, reúne uma equipe multidisciplinar de profissionais especializados para atender pessoas, famílias, empreendedores e empresas que desejam viver, investir ou expandir suas atividades no exterior.







