© Marcello Casal JrAgência Brasil Justiça
Justiça recebeu 121 mil novas ações até julho; volume anual cresceu 113% em cinco anos
A Justiça de São Paulo recebeu 121.026 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026. Foram, em média, 570,88 ações por dia — quase 24 a cada hora. Os dados fazem parte de levantamento baseado no Painel de Violência contra a Mulher do DataJud, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O volume anual mais que dobrou em cinco anos. Foram 85.834 novos processos em 2020 e 182.544 em 2025, crescimento de 112,67%. Na comparação com 2024, quando o estado registrou 154.424 ações, o aumento foi de 18,21%.
Em todo o Brasil, a Justiça recebeu 742.279 novos processos até julho de 2026, média de 3.501 por dia. O total nacional passou de 599.472, em 2020, para 1.133.556, em 2025, alta de 89,09%.
Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, o crescimento pode refletir uma maior procura das mulheres pelos canais de denúncia e proteção.
“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.
O especialista ressalta que os registros judiciais representam apenas uma parcela do problema, porque muitos episódios permanecem sem denúncia.
“Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, afirma Tavolassi.
Medo, ameaças, dependência financeira ou emocional, vergonha e falta de uma rede de apoio estão entre os obstáculos enfrentados pelas vítimas.
“Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”, acrescenta.
Violência vai além da agressão física
Algumas mulheres demoram a reconhecer a violência quando ela não deixa marcas físicas, mas compromete sua liberdade, segurança ou autonomia.
“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta o advogado.
Esses comportamentos podem aumentar de frequência e gravidade com o tempo. Por isso, ameaças e atitudes de controle não devem ser tratadas como discussões comuns do relacionamento.
Em uma situação de risco imediato, a orientação é buscar um local seguro e ligar para a Polícia Militar pelo número 190. O Ligue 180 oferece atendimento durante 24 horas e informa sobre os serviços disponíveis.
“Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta Tavolassi.






