
Manifestação assinada por 54 filiados e ex-dirigentes critica direção provisória, questiona estratégia eleitoral de 2026 e aponta afastamento dos princípios históricos da legenda
O PSDB de São Paulo atravessa um momento de forte divisão interna às vésperas das eleições de 2026. Uma carta aberta assinada por 54 filiados, ex-dirigentes e representantes históricos do partido tornou pública a insatisfação de uma parcela do tucanato paulista com os rumos adotados pela atual direção provisória da legenda.
O documento foi divulgado nas redes sociais pelo ex-vereador de São Paulo Mario Covas Neto e reúne nomes que participaram da construção do PSDB ao longo de quase quatro décadas. Entre os signatários estão o ex-presidente nacional do partido e ex-senador José Aníbal, o ex-presidente da CDHU Goro Hama, ex-prefeitos, ex-vereadores, dirigentes municipais e estaduais e históricos militantes tucanos de diversas regiões do Estado.
A manifestação é direta ao afirmar que o atual comando provisório promove uma ruptura com a trajetória construída pelo PSDB desde sua fundação. Os autores lembram que a legenda governou São Paulo por 27 anos consecutivos e sustentam que sua identidade foi construída sobre pilares como democracia, diálogo, responsabilidade pública e social-democracia.
Na avaliação do grupo, entretanto, decisões tomadas pela direção provisória representam um afastamento dessa trajetória. A principal crítica é dirigida à decisão de não apresentar candidaturas majoritárias próprias em São Paulo nas eleições deste ano, considerada pelos signatários uma renúncia à responsabilidade histórica que o partido construiu perante o eleitorado paulista.
A carta também questiona alianças e apoios políticos adotados pela atual direção e afirma que determinadas aproximações estariam distantes dos princípios democráticos historicamente defendidos pelo PSDB.
O movimento expõe, de forma inédita e pública, o descontentamento de uma ala do partido que se identifica com a história e com a formação tradicional do tucanato paulista. Nos bastidores, integrantes desse grupo vêm manifestando a avaliação de que o PSDB estaria deixando de atuar como uma legenda de identidade programática clara para assumir uma postura predominantemente eleitoral, abrindo espaço para candidaturas e alianças que, segundo os críticos, não necessariamente representam a essência social-democrata construída pelo partido.
A avaliação é ainda mais dura entre alguns dos signatários, que consideram que a legenda estaria sendo utilizada como instrumento eleitoral por nomes que não possuem relação histórica com o PSDB e que não demonstrariam identificação com seu programa, estatuto e princípios. Essa leitura, contudo, representa a posição dos setores críticos e não uma declaração oficial de toda a legenda.
Entre os nomes que assinaram a carta está a barbarense Valéria Colombi, ex-integrante da executiva municipal do PSDB. Sua adesão ao documento reforça que a insatisfação também alcança representantes do partido no interior paulista.
Valéria tem demonstrado indignação com os atuais rumos da legenda e se posiciona contrariamente à condução atual do partido. Para integrantes desse grupo, não se trata apenas de uma divergência eleitoral, mas de uma discussão sobre a própria identidade do PSDB e sobre o espaço que os filiados históricos devem ocupar nas decisões da legenda.
A carta afirma que os signatários não aceitam o que classificam como uma “descaracterização” do partido e reafirma o compromisso com a social-democracia, a defesa das instituições democráticas e a redução das desigualdades sociais.
“Somos tucanos verdadeiramente comprometidos com a social-democracia”, afirma o documento, ao defender que o PSDB volte a se apresentar à sociedade com candidaturas majoritárias e propostas próprias.
A manifestação também cita como exemplos de candidaturas que, na avaliação dos signatários, preservariam a tradição social-democrata do partido os nomes de Ciro Gomes, no Ceará, e Marconi Perillo, em Goiás.
A lista de 54 assinaturas reúne representantes da capital e de cidades como Bauru, Tatuí, Lins, Jaú, Agudos, Suzano, Santos, Carapicuíba, Pompéia, São Carlos, Piraju, Nova Campina e Taquaritinga, entre outras.
Ao final, os signatários afirmam que não pretendem apenas registrar uma divergência interna. O grupo declara disposição para continuar atuando pela retomada daquilo que considera a identidade original do PSDB e pela construção de alianças que estejam de acordo com seus princípios.
A publicação da carta coloca luz sobre uma disputa que vinha sendo tratada nos bastidores e revela um PSDB paulista dividido justamente no momento em que o partido precisa definir seu posicionamento para as eleições de 2026.
Mais do que uma crítica à atual direção provisória, a manifestação representa uma cobrança pública da chamada ala histórica do tucanato pela retomada de protagonismo, identidade e participação dos filiados nas decisões partidárias.
Com a carta, o conflito interno deixa de ser apenas uma questão de bastidores e passa a fazer parte oficialmente do debate político paulista: de um lado, a atual direção provisória; de outro, um grupo de históricos tucanos que afirma não aceitar que a legenda se afaste da identidade social-democrata que, segundo eles, marcou sua trajetória desde a fundação.
A íntegra da carta e a relação dos 54 signatários foram divulgadas publicamente nas redes sociais de Mario Covas Neto.






