
Experiência do município foi apresentada a pesquisadores, autoridades sanitárias e estudantes da Universidade de Córdoba e reforça reconhecimento internacional das políticas públicas de saúde desenvolvidas na cidade
As estratégias adotadas por Santa Bárbara d’Oeste no combate à dengue ultrapassaram as fronteiras brasileiras e ganharam destaque no cenário acadêmico internacional. O município teve suas ações de vigilância epidemiológica e controle do mosquito Aedes aegypti apresentadas nesta quinta-feira (2) durante a conferência “Gestión del Riesgo del Dengue: Vigilancia Epidemiológica, Clima y Territorio”, realizada na Universidade de Córdoba, na Espanha.
Representando a Secretaria Municipal de Saúde, o diretor de Políticas Públicas de Saúde, Thiago Salomão de Azevedo, participou como palestrante convidado do evento, promovido dentro do Programa de Formação Contínua da universidade espanhola.
O convite foi feito pelo professor Daniel Bravo Barriga, pesquisador especializado em doenças transmitidas por vetores e parceiro científico de Thiago desde 2019. Ao longo dos últimos anos, ambos desenvolvem pesquisas e projetos de cooperação internacional voltados ao estudo da Febre do Nilo Ocidental, leishmaniose e outras arboviroses.
Durante sua apresentação, Thiago detalhou o modelo adotado em Santa Bárbara d’Oeste para prevenção e enfrentamento da dengue, destacando o monitoramento permanente do mosquito, o uso de geotecnologias para identificação de áreas prioritárias, análises espaciais, integração entre Vigilância Epidemiológica, pesquisa científica e gestão pública, além do planejamento estratégico baseado em dados.

As experiências despertaram grande interesse entre professores, pesquisadores, estudantes de biologia, medicina veterinária e pós-graduação, além de representantes das autoridades sanitárias espanholas. Entre os participantes estavam a coordenadora municipal de Zoonoses de Córdoba e representantes da Secretaria de Saúde da Província da Andaluzia.
Segundo os organizadores, o tema possui relevância especial para a região espanhola, que ainda não registra transmissão autóctone da dengue nem a presença consolidada do mosquito transmissor. Nesse contexto, conhecer a experiência brasileira pode auxiliar na elaboração de estratégias preventivas diante das mudanças climáticas e da expansão mundial das doenças transmitidas por vetores.
Além de apresentar os resultados obtidos pelo município paulista, Thiago Salomão também compartilhou os desafios enfrentados pelos gestores públicos brasileiros durante as epidemias de dengue e destacou a importância da utilização de informações epidemiológicas, inovação tecnológica e planejamento integrado para fortalecer as políticas públicas de saúde.
Para o professor Daniel Bravo Barriga, a troca de experiências permite que regiões onde o vetor ainda não está estabelecido possam se preparar antecipadamente para um cenário que tende a se tornar cada vez mais frequente em diversas partes do mundo.
Já Thiago Salomão ressaltou que o convite representa um importante reconhecimento ao trabalho realizado em Santa Bárbara d’Oeste.
“Compartilhar a experiência do município em uma universidade europeia demonstra que as estratégias desenvolvidas em nível local podem contribuir para o fortalecimento da vigilância em saúde também em outras regiões. Ao mesmo tempo, esse intercâmbio amplia as oportunidades de cooperação científica e de aprimoramento das políticas públicas”, afirmou.
Resultados reforçam eficiência das ações no município
O reconhecimento internacional acontece em um momento em que Santa Bárbara d’Oeste apresenta resultados expressivos no combate à dengue.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, no primeiro semestre de 2026 o município registrou uma redução de 97,8% nos casos da doença em comparação com o mesmo período do ano anterior. O número de registros caiu de 9.641 casos em 2025 para apenas 210 em 2026.
Outro dado que chama a atenção é a ausência de mortes provocadas pela doença até o fim de junho deste ano. No mesmo período de 2025, Santa Bárbara d’Oeste havia contabilizado 25 óbitos relacionados à dengue.
De acordo com a Secretaria de Saúde, o desempenho é resultado de uma combinação de fatores epidemiológicos, ambientais e operacionais, somados ao fortalecimento contínuo das ações de vigilância e combate ao mosquito.
Entre as principais medidas adotadas estão as visitas domiciliares para eliminação de criadouros, monitoramento entomológico permanente, aplicação de larvicidas, nebulização em áreas com transmissão e utilização de tecnologias inovadoras, como as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), que ampliam a eficiência do controle do Aedes aegypti.
Apesar dos indicadores positivos, a Prefeitura reforça que o combate à dengue deve permanecer constante. A administração municipal destaca que a participação da população continua sendo indispensável para eliminar possíveis criadouros do mosquito e evitar novos surtos da doença.
O reconhecimento recebido na Universidade de Córdoba evidencia que iniciativas desenvolvidas em âmbito municipal podem servir de referência internacional, fortalecendo a cooperação científica entre Brasil e Europa e contribuindo para o avanço das políticas públicas de prevenção às arboviroses em diferentes regiões do mundo.





