
Por Dennis Moraes
Nos últimos anos, virou moda participar de grupos de networking. A proposta, na teoria, é interessante: conectar empresários, fortalecer o comércio local, gerar oportunidades e criar pontes entre profissionais. Mas a prática, infelizmente, em muitos casos, virou outra coisa completamente diferente.
O que deveria ser um ambiente de crescimento coletivo acabou se transformando, em determinados grupos, em um verdadeiro palco de vaidade empresarial. Reuniões pautadas pelo ego, discursos ensaiados e um ciclo repetitivo de pessoas que vivem se promovendo umas para as outras, como se estivessem dentro de uma bolha onde todos são extraordinários — mesmo quando a realidade fora daquele ambiente mostra exatamente o contrário.
Existe uma diferença enorme entre networking verdadeiro e validação social entre grupos fechados. O networking saudável gera negócios reais, impacto local, desenvolvimento econômico e fortalecimento da comunidade. Já a bolha da aparência vive apenas de aplausos internos, selfies, cafés caros, discursos motivacionais vazios e um falso sentimento de relevância.
E talvez o mais preocupante seja justamente isso: muitas dessas pessoas realmente acreditam que estão construindo algo grandioso. Criam uma fantasia coletiva onde todos são empresários de sucesso, líderes visionários e referências de mercado. Mas basta olhar um pouco além da superfície para perceber que, muitas vezes, falta o básico: ética profissional, coerência, credibilidade e resultado concreto.
Em algumas dessas rodas, você encontra pessoas sem posicionamento, sem princípios empresariais sólidos, sem responsabilidade social e, pior, sem qualquer compromisso verdadeiro com a cidade onde atuam. Não fortalecem o comércio local, não geram transformação e não deixam legado. Apenas alimentam o próprio ego dentro de uma estrutura que funciona quase como um clube de validação mútua.
E o detalhe mais curioso: normalmente custa caro fazer parte dessas “panelas corporativas”. Cobram mensalidades elevadas, vendem pertencimento, exclusividade e a ilusão de crescimento acelerado. Mas, no fim, muitos saem apenas com cartões de visita acumulados, falsas promessas de parceria e um feed bonito nas redes sociais.
Networking de verdade não deveria ser sobre status. Deveria ser sobre conexão humana, troca genuína, oportunidade e construção coletiva. Empresário sério não precisa viver de autopromoção em circuito fechado para provar valor. Resultado fala por si.
A cidade cresce quando existem pessoas dispostas a construir pontes reais — e não apenas cenários artificiais para alimentar o próprio reflexo no espelho empresarial.
Dennis Moraes é Comendador outorgado pela Câmara Brasileira de Cultura, Jornalista e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação. Acesse: dennismoraes.com.br








