Foto: Dennis Moraes
A vereadora paulistana Ana Carolina de Oliveira participou nesta quinta-feira (14) de uma roda de conversa na Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste, em um encontro marcado por debates sobre proteção à infância, violência contra mulheres e a necessidade de fortalecimento da participação feminina na política.
A atividade foi promovida pelos vereadores Cabo Dorigon e Esther Moraes e reuniu representantes de entidades ligadas à defesa da criança, do adolescente e da mulher no Plenário Dr. Tancredo Neves.
Antes da roda de conversa, Ana Carolina concedeu entrevista coletiva à imprensa e respondeu questionamentos sobre o trabalho de conscientização desenvolvido por ela em diversas cidades do país, especialmente dentro das campanhas de combate à violência infantil e feminina.
Ao falar sobre o que motiva sua atuação pública, a parlamentar destacou que sua principal missão é ajudar pessoas e ampliar o debate sobre acolhimento e prevenção.
“O que me move é ajudar pessoas, transformar vidas. E pra isso você também precisa se mover. Então é exatamente esse movimento que eu estou fazendo”, afirmou.
Ana Carolina também ressaltou que pretende continuar levando o projeto “Silêncio que Grita” para diferentes municípios brasileiros, reforçando ações de conscientização e prevenção ao abuso contra crianças e mulheres.
“O fato de hoje eu sair da minha cidade e estar aqui significa demais. Saber que eu posso trazer o meu projeto, falar sobre conscientização e prevenção ao abuso em outras cidades que se interessam… eu vou sair para o lugar que for preciso”, declarou.
Durante a coletiva, ela chamou atenção para a necessidade de empatia e acolhimento no enfrentamento da violência.
“O que falta hoje para que a gente lide com tudo isso é empatia e acolhimento”, pontuou.
Ao abordar o cenário atual de violência contra mulheres e crianças, Ana Carolina classificou a situação como “assustadora” e defendeu ações mais profundas por parte do poder público, principalmente na base da formação social.
Segundo ela, o fortalecimento da primeira infância é essencial para quebrar ciclos de violência.
“Quando você tem uma primeira infância consolidada, trabalhada na base, você constrói pilares e alicerces. Uma primeira infância adoecida é uma adolescência adoecida, é um futuro adoecido”, afirmou.
A parlamentar também observou que leis e projetos só produzem resultados efetivos quando existe conscientização da sociedade.
“A gente pode criar as leis mais lindas e maravilhosas do mundo. Se ninguém cumprir, se ninguém tiver consciência, nada disso vai acontecer”, completou.
Um dos momentos de maior destaque da coletiva aconteceu após a pergunta do jornalista Dennis Moraes, do portal SB24Horas, sobre a baixa representatividade feminina na política e os desafios enfrentados pelas mulheres que ingressam na vida pública.
Questionada sobre o que pode ser feito para fortalecer lideranças femininas além das cotas partidárias, Ana Carolina respondeu que as próprias mulheres precisam assumir protagonismo e se preparar para ocupar espaços políticos de maneira efetiva.
“Quando é ofertado para essas mulheres uma cota, sem nenhum interesse, sem nenhuma efetividade, sem nenhum projeto, elas vão continuar sendo cotas, porque elas não se prepararam para estar ali”, declarou.
Ela ainda reforçou que a mudança depende da conscientização feminina sobre sua própria capacidade de liderança.
“As mulheres precisam primeiro querer. A partir do momento em que elas quiserem fazer parte daquilo e se prepararem para fazer parte daquilo, elas vão deixar de ser cota. Elas vão ser eleitas”, afirmou.
Ana Carolina também destacou que o olhar feminino pode contribuir diretamente para políticas públicas mais humanas e acolhedoras.
“A gente sabe do poder da mulher em ter um olhar mais criterioso, de ser mais acolhedora, de poder abordar temas que muitos não abordam”, disse.
Encerrando sua resposta, a vereadora fez uma reflexão sobre a necessidade de romper com a cultura da participação simbólica feminina na política.
“A partir do momento que elas falarem ‘eu não sou cota, eu não quero mais ser cota, eu quero fazer parte porque eu sou capaz’, a gente muda toda uma estrutura”, concluiu.
Além de Ana Carolina de Oliveira, participaram do encontro o presidente da Câmara Municipal Júlio César Kifú, o vereador de Nova Odessa André Faganello e os parlamentares barbarenses Arnaldo Alves, Careca do Esporte, Carlos Fontes e Juca Bortolucci.
Quem é Ana Carolina Oliveira
Conhecida nacionalmente após a morte trágica da filha, Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008, poucos dias antes de a menina completar seis anos, Ana Carolina de Oliveira transformou a própria dor em uma trajetória de luta, acolhimento e conscientização. Mãe de Isabella, Miguel e Maria Fernanda, e esposa de Vinicius, Ana Carolina ressignificou sua história ao longo dos últimos 16 anos, consolidando-se como símbolo de força e resiliência.
Após construir carreira no mercado financeiro, decidiu ingressar definitivamente na vida pública e abraçar causas ligadas à proteção de crianças, mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade. Em 2024, foi eleita vereadora da cidade de São Paulo com 129.563 votos, tornando-se a mulher mais votada da história do Brasil para o cargo.
Atualmente, Ana Carolina atua em pautas voltadas ao combate à violência, acolhimento de vítimas e fortalecimento de políticas públicas de proteção social, defendendo que histórias marcadas pela dor também podem se transformar em instrumentos de conscientização e mudança.










