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Propostas em votação expõem distância entre ações simbólicas e problemas reais da população
A Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste realiza nesta quarta-feira (22) a 14ª Reunião Ordinária de 2026, com uma pauta enxuta, mas que reacende um debate recorrente: até que ponto as propostas apresentadas pelos vereadores dialogam com as reais necessidades da população.
Entre os três projetos de lei previstos na Ordem do Dia, dois chamam atenção não necessariamente pelo impacto direto na vida do cidadão, mas pelo caráter simbólico e pela ampliação de agendas já saturadas no município.
O Projeto de Lei nº 11/2026, de autoria do vereador Marcelo Cury, propõe a criação da campanha “Junho Violeta”, voltada à conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa. Embora o tema seja relevante e urgente, a crítica que se estabelece é sobre a eficácia prática da medida. A criação de mais um “mês temático” levanta questionamentos sobre a real capacidade do poder público em transformar campanhas institucionais em políticas públicas concretas, com estrutura, fiscalização e atendimento efetivo.
Na prática, Santa Bárbara d’Oeste já acumula uma extensa lista de meses coloridos no calendário, muitos deles com baixa visibilidade e impacto limitado. Sem ações contínuas e orçamento definido, iniciativas como essa tendem a se restringir a peças publicitárias e postagens institucionais, sem alcançar mudanças estruturais na proteção aos idosos.
Já o Projeto de Lei nº 27/2026, apresentado pelo vereador Isac Sorrillo, propõe a inclusão da “Festa das Crianças do Jardim das Orquídeas” no Calendário Oficial de Eventos do município. A proposta segue uma tendência observada nos últimos anos: a crescente inserção de eventos pontuais no calendário municipal, muitas vezes com alcance restrito a bairros específicos.
O ponto de tensão aqui está no inchaço do calendário oficial. Ao incluir mais uma festividade, a Câmara amplia compromissos institucionais sem, necessariamente, garantir estrutura, planejamento ou recursos para execução. Além disso, especialistas em gestão pública costumam alertar que a fragmentação de eventos pode diluir investimentos e enfraquecer iniciativas de maior alcance cultural, esportivo ou turístico.
Enquanto isso, temas estruturais como mobilidade urbana, saúde pública e geração de empregos seguem com menor protagonismo nas pautas legislativas, o que reforça a percepção de distanciamento entre parte das propostas apresentadas e as demandas mais urgentes da população barbarense.
Em contraste, o Projeto de Lei nº 23/2026, de autoria do vereador Tikinho TK, trata da Política Municipal de Resíduos Sólidos — uma pauta técnica e estratégica, alinhada a desafios ambientais e de gestão urbana. Este, sim, apresenta potencial de impacto mais consistente, ao estabelecer diretrizes para o manejo adequado dos resíduos no município.
A sessão ainda prevê a votação de duas moções de aplauso, mantendo uma tradição do Legislativo local de reconhecimento público, mas que também costuma ser alvo de críticas por ocupar espaço em meio a discussões consideradas mais relevantes.
Aberta ao público, a reunião poderá ser acompanhada presencialmente ou pelos canais oficiais da Câmara. Mais do que acompanhar, no entanto, cresce entre a população o desejo de ver um Legislativo mais focado em propostas estruturantes, com menos simbolismo e maior efetividade prática.








