Foto: Vanessa Sallesaro @fotografia_de_caes
Especialista em comportamento canino destaca que vínculo saudável depende do preparo do animal e participação ativa da criança e da família. Veterinária explica o vínculo entre a profissão e os cuidados de uma criança atípica
A convivência entre crianças com Síndrome de Down e cães, cada vez mais comum, pode trazer benefícios emocionais e sociais, desde que seja construída com orientação adequada, respeito às individualidades e acompanhamento profissional. Para marcar o Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, Richardson Zago, especialista em comportamento canino, fundador da Zago Adestramento e fundador honorário do Patinhas Urbanas, elenca dez pontos essenciais para que essa relação seja segura, saudável e positiva para todos os envolvidos.
“Não existe treinamento padrão quando falamos de convivência com pessoas que têm características fora do convencional. O trabalho precisa ser feito em conjunto, com a criança participando, para que o cão entenda o que será natural e comum naquele relacionamento”, afirma Zago.
Para a Dra. Emiliana Gallo, veterinária do Patinhas Urbanas e mãe da Lara, de 7 anos, o nascimento da filha atípica ressignificou sua trajetória profissional. Ao longo da carreira, sempre conviveu com animais resgatados, muitos com limitações físicas ou comportamentais, e aprendeu que o ponto central do cuidado é o respeito às individualidades. “Como especialista, entendi que nenhum ser deve ser definido pela diferença. O que todos precisam é de adaptação, limites claros e acolhimento”.
Segundo ela, a convivência entre crianças, sejam atípicas ou não, e animais exige supervisão constante. “Nem a criança nem o animal compreendem sozinhos até onde podem ir. Cabe ao adulto orientar e garantir segurança para ambos. No caso da Síndrome de Down, que é a minha experiência pessoal, percebo a Lara como uma criança muito mais afetiva. Ela abraça mais, beija mais, gosta de toque e de carinho. Em alguns casos, esse afeto pode ser exagerado para determinados animais, que podem reagir de forma defensiva, arranhando ou mordendo.
Como mãe, Emiliana destaca que o vínculo pode ser extremamente positivo, desde que construído com orientação. “Com o animal não existe cobrança de fala ou desempenho. É uma troca de afeto, no tempo da criança. Mas tudo precisa ser mediado com responsabilidade”.
De acordo com Zago, existem algumas orientações que facilitam essa convivência:
1. A criança precisa participar do processo de adaptação
O treinamento não deve ser feito apenas com o cão. A criança precisa estar presente para que o profissional consiga observar interações, gestos, formas de carinho e limites reais daquela relação.
2. Cada pessoa tem capacidades diferentes
Idade, nível de compreensão, autonomia e comunicação variam muito entre pessoas com Síndrome de Down. O treinamento deve respeitar essas diferenças, sem pressupostos ou generalizações.
3. O cão deve ser treinado para a realidade da família
Não faz sentido preparar um animal para uma rotina que não será vivida. O treinamento precisa refletir o cotidiano real da criança e da casa.
4. Interações precisam ser ensinadas
Comandos, brincadeiras, formas de carinho e até o modo de chamar o cão devem ser ensinados tanto para a criança quanto para o animal, de forma simples e funcional.
5. O foco é adaptação, não imposição
O cão é altamente adaptável, mas precisa ser conduzido para entender limites, padrões de comportamento e expectativas reais da convivência.
6. Gestos e intensidade importam
Algumas crianças podem ter movimentos mais intensos ou repetitivos. O treinador precisa avaliar se o cão aceita toque frequente, abraços ou contato mais próximo.
7. Não existe raça ideal universal
A escolha do cão deve considerar o perfil da criança. Animais mais tolerantes ao toque e à proximidade tendem a se adaptar melhor, mas não há regra fixa.
8. Raça não substitui avaliação comportamental
Mesmo dentro de uma mesma raça, há variações de temperamento. O comportamento individual do cão é mais relevante do que o rótulo da raça.
9. Cães de guarda ou funções específicas exigem cautela
Animais com forte instinto de proteção ou trabalho não são indicados para qualquer perfil familiar, especialmente quando essa aptidão não será utilizada.
10. O vínculo precisa ser construído com orientação
A convivência bem-sucedida não acontece por acaso. Acompanhamento profissional reduz riscos, evita frustrações e fortalece a relação entre criança, cão e família.
“É sempre um ajuste fino. Avaliamos o que a pessoa consegue fazer, o que o cachorro precisa e como unir essas duas realidades de forma segura e equilibrada. Esta pode ser uma experiência rica em afeto, aprendizado e desenvolvimento emocional. Para isso, informação, preparo e respeito às individualidades são fundamentais, tanto do ser humano quanto do animal”, finaliza Zago.
SOBRE O PATINHAS URBANAS
O Patinhas Urbanas surgiu em 2013 quando Richardson Zago, adestrador há mais de 27 anos, começou a adestrar a Nina, cachorrinha de Humberto e Cida Gava (seus clientes na época). Foi aí que decidiram inaugurar um conjunto de hotel e creche na zona norte de São Paulo que entregasse o mesmo amor que eles têm pelos cães. Inicialmente, localizado na região de Santana, o espaço se expandiu e se estabeleceu no bairro do Imirim e, hoje, conta com mais um sócio, o administrador de empresas, Daniel Navarro. Atualmente, o Patinhas conta com mais de 200 clientes fixos entre daycare e banho e tosa e já hospedou mais de 500 cães.
São 12 anos de dedicação, estudando muito sobre o mercado e comportamento canino para proporcionar um ambiente saudável, recreativo e educacional. A missão do Patinhas Urbanas é entender a personalidade dos cães e oferecer atividades lúdicas, de socialização, e gasto de energia, sempre com o lema: “aqui o bem-estar e a diversão são realmente levados a sério”.
@patinhasurbanas
SOBRE ZAGO ADESTRAMENTO
Fundada em 1998, hoje a Zago Adestramento é constituída por uma equipe de profissionais altamente capacitados, todos unidos pelo olhar muito mais profundo para as necessidades dos tutores e dos seus companheiros de quatro patas. Por conta disso, oferece uma gama de serviços, criados ao longo de 27 anos de experiência, para lidar com diferentes temperamentos e compreendendo que métodos engessados não funcionam. Entre os diferenciais estão as atividades de condicionamento físico, natação, trilha, entre outros.
Ao longo de sua carreira, Zago atendeu diversas personalidades. Entre os últimos cases estão o adestramento dos cachorros Salomão (Sharpei) e Amora (SRD) da apresentadora da Record TV e repórter do Blog “Entre Pets e Beijos” no R7.com, Lidiane Shayuri Hayashi com o seu marido Michael Keller, jornalista da Record TV e apresentador do PodCringe- podcast da RecordTV”; os pets Júlio, Tadeu (ambos Spitz) e Miguel (Samoieda) da modelo, apresentadora e empresária Juju Salimeni; os cachorros SRD Marley e Sky de Regiane Tápias, apresentadora do programa Revista da Cidade TV da TV Gazeta.
@zagoadestramento








