
A Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste rejeitou dois requerimentos que convidavam secretários municipais para prestar esclarecimentos sobre dois dos problemas mais reclamados pela população: a quantidade de buracos nas ruas e o avanço do mato alto em áreas públicas.
Os requerimentos 135/2026 e 136/2026, apresentados pelo vereador Carlos Fontes (União Brasil) durante a 7ª Reunião Ordinária de 2026 realizada ontem (03), solicitavam o convite ao secretário de Obras, Hamilton Cavicchioli, e ao secretário de Meio Ambiente, Cleber Canteiro. A proposta não tratava de convocação obrigatória, mas de convite para que os gestores comparecessem ao plenário e apresentassem planejamento, cronograma, contratos e aplicação de recursos destinados à recuperação asfáltica e à roçagem.
Nos documentos, o autor destaca que a cidade enfrenta buracos e crateras em diversos bairros, além de mato alto em avenidas, praças, escolas e Unidades Básicas de Saúde, gerando insegurança, risco à saúde pública e indignação entre moradores que pagam seus impostos.
Apesar disso, os dois requerimentos foram rejeitados pela maioria dos vereadores.
Votaram contra o convite:
- Alex Dantas (PL)
- Arnaldo Alves (PRD)
- Cabo Dorigon (Podemos)
- Careca do Esporte (PRD)
- Felipe Corá (PL)
- Gustavo Bagnoli (PL)
- Isac Sorrilo (Republicanos)
- Joy Fornazari (Democracia Cristã)
- Juca Bortolucci (MDB)
- Lúcio Donizete (AGIR)
- Marcelo Cury (Republicanos)
- Rony Tavares (Republicanos)
- Tikinho TK (Democracia Cristã)
Votaram favoráveis:
- Carlos Fontes (União Brasil)
- Celso Ávila (Solidariedade)
- Esther Moraes (PV)
- Paulo Monaro (PSD)
- Wilson da Engenharia (União Brasil)

Fiscalização barrada
A função central do vereador é fiscalizar o Poder Executivo. O convite rejeitado tinha justamente esse objetivo: questionar planejamento, contratos e aplicação de recursos diante de uma cidade que enfrenta reclamações constantes sobre infraestrutura e manutenção urbana.
O que chama atenção é que não se tratava de acusação formal nem de abertura de investigação, mas de um simples convite para esclarecimentos públicos.
Santa Bárbara d’Oeste possui 19 vereadores. Considerando remuneração média bruta em torno de R$ 15 mil mensais por parlamentar, o custo aproximado apenas com salários ultrapassa R$ 285 mil por mês. Em um ano, o valor supera R$ 3,4 milhões. Em quatro anos de mandato, o montante passa de R$ 13 milhões pagos pelo contribuinte exclusivamente em subsídios parlamentares.
Diante desses números, a rejeição de um convite para prestação de contas gera questionamentos inevitáveis. Se a principal prerrogativa do Legislativo é fiscalizar, por que impedir que secretários apresentem explicações públicas sobre problemas que afetam diretamente a população?
A decisão amplia a percepção de distanciamento entre parte do Legislativo e as demandas concretas das ruas. Enquanto isso, buracos continuam se multiplicando, o mato segue alto em diversos bairros e o contribuinte permanece aguardando respostas.
No fim, é a população quem paga — em impostos e em expectativa frustrada de representação.








