
Às vésperas do Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, dados da Pesquisa Vigitel 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde no final de janeiro, reforçam o alerta para o avanço das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil. Entre 2006 e 2024, a obesidade entre adultos cresceu 118%, enquanto os diagnósticos de diabetes aumentaram 135%, o excesso de peso 47% e a hipertensão arterial 31%.
O levantamento aponta que apenas 31% da população consome frutas e hortaliças regularmente, índice que permanece estagnado. A prática de atividade física no deslocamento diário caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, embora tenha havido crescimento de 42,3% na prática de atividade física moderada no tempo livre. Quanto à qualidade do sono, 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% relatam insônia, especialmente entre as mulheres.
Para o médico nutrólogo Prof. Dr. Durval Ribas Filho, fellow da The Obesity Society (EUA) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), os dados da Vigitel não devem ser analisados isoladamente e mostram que a combinação de sedentarismo no dia a dia, sono inadequado e padrões alimentares que pouco evoluíram cria um cenário favorável ao desenvolvimento e ao avanço da obesidade e de outras doenças crônicas. “Cuidar da saúde hoje passa por escolhas simples, mas constantes: alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade são pilares inseparáveis da saúde e precisam fazer parte das políticas públicas e da rotina da população”, afirma.
O especialista esclarece fatos e crenças que podem auxiliar no dia a dia no controle da obesidade e do sobrepeso.
Obesidade é apenas falta de força de vontade e uma questão estética?
Crença – Trata-se de uma doença crônica e multifatorial, que pode ser influenciada por aspectos genéticos, metabolismo, ambiente, questões hormonais, emocionais e sociais. É uma condição clínica com impactos físicos, metabólicos e psicológicos relevantes.
Sobrepeso e obesidade aumentam o risco de doenças crônicas?
Fato – Esses quadros estão associados a maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e doenças articulares.
Basta o IMC (Índice de Massa Corporal) para diagnosticar obesidade?
Crença – O IMC é apenas uma das ferramentas. É necessária uma avaliação mais ampla, que inclua composição corporal, distribuição de gordura e riscos metabólicos.
Obesidade pode ocorrer mesmo com uma alimentação aparentemente adequada?
Fato – Diversos fatores podem influenciar o ganho e o controle do peso, como alterações hormonais, resistência à insulina, uso de medicamentos, sono inadequado, genética e ambiente.
Criança obesa poderá ser um adulto obeso?
Fato – A obesidade na infância não determina, necessariamente, a obesidade na vida adulta, mas aumenta de forma significativa esse risco. O excesso de peso precoce favorece alterações metabólicas e comportamentais que tendem a se manter ao longo dos anos. A epigenética ajuda a explicar esse processo, ao envolver modificações na forma como os genes se expressam, influenciadas por fatores ambientais como alimentação inadequada, sedentarismo, privação de sono, estresse e até condições gestacionais.
Nem toda pessoa obesa tem exames alterados?
Fato – Existe o chamado “obeso metabolicamente saudável”, que têm obesidade pelo IMC, poréms não apresentam, naquele momento, as principais alterações metabólicas normalmente associadas ao excesso de peso. Mas essa condição pode ser transitória e não dispensa acompanhamento médico e monitoramento de riscos futuros.
Dietas extremamente restritivas são a melhor solução?
Crença – Podem levar ao efeito sanfona, perda de massa muscular e prejuízos metabólicos.
Atividade física é essencial no tratamento da obesidade?
Fato – Além de auxiliar no controle do peso, melhora a sensibilidade à insulina, a saúde cardiovascular e a saúde mental.
Obesidade tem tratamento?
Fato – Existem várias condutas médicas, mas devem ser individualizadas e podem incluir dietas, mudanças no estilo de vida, medicamentos , várias combinadas e, em alguns casos, cirurgia. O acompanhamento é multiprofissional e essencial.








