Skip to content
Primary Menu
  • Brasileirão 2026
  • Formula E
  • Santa Bárbara d´Oeste
  • Feiras Livres
  • Brasil / Mundo
  • Região
  • Política
  • Social
  • Musa 24 Horas
  • Auto Motor
  • Saúde
  • Opinião
    • Dennis Moraes
  • TV24HORAS
Light/Dark Button
  • SE INSCREVA EM NOSSO CANAL
  • SPACESS ESTUDIOS
SB24HORAS

SB24HORAS

Notícias na hora certa!

  • Opinião

Dia das Florestas: vale a pena derrubar árvores?

Dennis Moraes 14 de março de 2024 4 minutes read
mulher-tocar-arvore-com-mao

Por Víktor Waewell*

  • SAFE GREEN - CERTIFICADO DIGITAL

Era de amor a relação dos indígenas com a mata, principalmente antes da invasão portuguesa. Falando assim, pode parecer romantismo, meio papo de maluco. Só que não é. Sabe o lugar que marcou a sua vida? A casa da avó, o parquinho ou até a lanchonete perto do trabalho?

Aí, num dia, a casa é demolida. O parquinho, derrubado. E a lanchonete fecha. Não vem um troço ruim, um sentimento de perda?

Agora, imagina que você nunca viajou. A sua terra natal é o seu mundo. No cemitério, estão todos que já morreram. Por perto, há o lugar onde brincou na infância. Logo ali fica o morro em que você sobe para pensar. Tem o cantinho onde namorava às escondidas. É uma relação muito intensa com o território. As árvores, a montanha, o rio começam a parecer ter intenção. Os bichos e os humanos se familiarizam, às vezes até se comunicam. O entorno ganha um caráter espiritual.

Os indígenas também tinham no mato a sua fonte de cura.

Suco de maracujá para dormir. Unha-de-gato para infecção. Aroeira para pele e inflamações. Guaraná para dar ânimo. Folha de coca alivia fadiga. João-pé-de-galinha diminui o estresse. Quebra-pedra para acabar com pedra nos rins. Jurema e ayahuasca para ganhar entusiasmo. Até tabaco, para ansiedade. Este, chamado pelos portugueses de erva santa, foi descrito no século XVI pelo padre Cardim como “uma das delícias desta terra”, embora percebesse os perigos dela, registrando portugueses “perdidos por ela, com grande vício, dia e noite deitados nas redes a beber fumo, como se fora vinho”.

Há plantas medicinais nas nossas matas para todo tipo de males. Peçonhas, sarnas, lombrigas, estômago, febre, dor de dente, baixa virilidade masculina e feminina, e por aí vai. Sejam nas beberagens do congado ou nas garrafadas nordestinas, são muitos os resquícios dessa cultura riquíssima herdada de curandeiros indígenas.

Após conquistar o território, os portugueses não demoraram a perceber o valor disso. Jesuítas logo estabeleceram o monopólio da cura, já vigente na Europa, onde pessoas que empregavam ervas, na maioria mulheres, acabavam queimadas em praça pública como bruxas. No Brasil, temos o registro de 1556 de um xamã da região de Rio Vermelho, em Salvador, preso por curar um doente de leishmaniose, a mando do irmão Antonio Rodrigues. Os jesuítas estabeleceram grandes boticas para reunir o poder das plantas, a mais famosa a botica da Bahia.

Uma reviravolta veio em 1808, com a vinda da família real portuguesa. No Rio de Janeiro, a nova sede do império, uma das primeiras ações do monarca foi a criação do Jardim Botânico. É que, ao rei, interessava conhecer e possuir plantas e sementes, até para o replantio em caso de pragas. O Jardim Botânico nasceu como uma espécie de cofre. Menos de uma década depois, partiam grandes expedições naturalistas Brasil adentro, com destaque para Auguste de Saint-Hilaire, que reuniu 24 mil espécimes de plantas. O mato virou política de estado.

Só que, de lá pra cá, tivemos altos e baixos. Mais baixos.

A Mata Atlântica começou a ser derrubada no final do século XIX para dar lugar ao café. Hoje, 90% dela está destruída.

Nas décadas de 1960 e 70, período da ditadura militar, foi a vez da Amazônia. Com grandes obras e incentivos para exploração da floresta, já em 78, 14 milhões de hectares estavam desmatados. Entre o assassinato de Chico Mendes e sucessivos recordes de desmatamento, hoje são 110 milhões de hectares devastados, ou 20% da cobertura original.

Neste Dia Internacional das Florestas (21/03), acho que vale a pergunta, valeu a pena? Estamos ficando ricos assim? Ou estavam certos aqueles povos originários que gostavam das suas árvores de pé?

—

Víktor Waewell é escritor, autor do livro “Guerra dos Mil Povos”, uma história de amor e guerra durante a maior revolta indígena do Brasil.

  • Facebook
  • Share on X
  • LinkedIn
  • WhatsApp
  • Email
  • Copy Link

About the Author

Dennis Moraes

Administrator

Jornalista, Hoster do Iron Podcast e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação

Visit Website View All Posts
** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal SB24Horas
Tags: árvores dia das florestas Víktor Waewell

Post navigation

Previous: Modelo e Mister Paraná Arthur Teixeira disputa título de Mister Brasil CNB 2024
Next: Americana participa de mutirão metropolitano contra a dengue neste sábado

Leia também:

Rodrigo Dib
  • 24 Horas
  • Opinião

Escala 6×1: o debate sobre jornada que expõe o verdadeiro desafio do trabalho no Brasil

Dennis Moraes 30 de março de 2026
Luciana Brites - NeuroSaber - Crédito - Samara Garcia
  • 24 Horas
  • Opinião

Autismo e educação: Escola regular ou especial?

Dennis Moraes 30 de março de 2026
Paulo Eduardo de Oliveira e Rafael Piovezan
  • Dennis Moraes
  • Opinião
  • Política

Troca de peças ou mudança de rumo? O que está por trás da reforma administrativa de Piovezan

Dennis Moraes 25 de março de 2026
  • Quem Somos
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Expediente

Tags

#SantaBárbaraD'Oeste Americana Bebel Brasil campanha Crianças cuidados cultura DAE Dengue Dennis Moraes desenvolve sbo dicas Economia educação emprego fiscalização informações inscrições LBV Nova Odessa Obras opinião PAT piracicaba prefeitura prevenção Rafael Piovezan SantaBarbaraDOeste Santa Bárbara Santa Bárbara d´Oeste saúde saúde mental SaúdePública SB24Horas SBO sbocity Sustentabilidade Suzano Tivoli Shopping TivoliShopping tratamento Vacinação vagas Vereadores
  • Podóloga Especialista pés Diabéticos
  • Podóloga Especialista pés Diabéticos
  • APOSERV SERVIÇOS PREVIDENCIÁRIOS
  • APOSERV SERVIÇOS PREVIDENCIÁRIOS
  • APOSERV SERVIÇOS PREVIDENCIÁRIOS

Desenvolvido por Dennis Moraes - Portal SB24HORAS

Menu
  • Quem Somos
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Expediente