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Proibição de fogos de artifício que produzam barulho é discutida em audiência pública em Americana

Redação 28 de fevereiro de 2019 4 minutes read
  • Contém Suzano - YouTube

A Câmara Municipal de Americana realizou nesta última quarta-feira (27) audiência pública para discussão do projeto de lei que proíbe o uso de fogos de artifício que produzam barulho. O projeto, de autoria dos vereadores Gualter Amado (PRB) e Maria Giovana (PC do B), estipula a proibição de utilização de fogos de artifício, bombas, busca-pés, morteiros e demais fogos que produzam ruído. A lei não veda o uso de fogos que produzem efeitos visuais, sem estampido.

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Participaram da audiência os vereadores Juninho Dias (MDB), Maria Giovana (PC do B), Odir Demarchi (PR), Professor Padre Sergio (PT), Rafael Macris (PSDB) e Welington Rezende (PRP), o vereador de Santa Bárbara d’Oeste Celso Ávila (PV), representantes de entidades de defesas dos direitos dos animais e de pessoas com deficiência, especialistas e comerciantes de fogos de artifício, além da população interessada no tema.

 

Durante a audiência, a vereadora Maria Giovana defendeu a legalidade do projeto, que recebeu parecer pela inconstitucionalidade da Comissão de Justiça e Redação da Câmara. “A minha compreensão desse projeto é que teria que ser óbvia a proibição de algo que faz mal a pessoas com deficiência, idosos, crianças e animais. Nós já apresentamos esse projeto, perdemos a votação e reapresentamos para que o debate permaneça vivo. Temos uma série de pareceres sobre a constitucionalidade, inclusive na cidade de São Paulo, e defendemos que temos o dever de legislar a respeito disso”, falou.

 

De acordo com a fisioterapeuta e especialista em neuropediatria Maria Eduarda Alvarenga Prado, as crianças com transtorno de aspecto autista, síndrome de down e epilepsia são hipersensíveis ao barulho dos fogos de artifício. “Todas essas crianças apresentam uma alteração no processamento sensorial. O som é muito alto para elas, então todos os estímulos sensoriais que elas recebem entram de maneira exacerbada. No caso dos fogos, a gente trabalha sem previsibilidade de ocorrência, e isso dificulta muito o trabalho de fisioterapia ocupacional. O som exacerbado desorganiza essas crianças, e não só no momento que é soltado. Muitas vezes a gente precisa retroceder o tratamento de fisioterapia”, explicou.

 

O comerciante André Luiz Frutuoso explicou que os fogos de artifício são divididos em classes, e não em produtores ou não de estampido. “O que muda é a classe pirotécnica, então no comércio existem produtos com menor estrondo e artefatos maiores. Quem faz essa permissão é o exército brasileiro e a fiscalização é feita pelos órgãos estaduais. Esta é uma causa louvável, mas se o projeto for aprovado desta forma o barulho ainda vai continuar”, alertou.

 

A presidente da ONG Anjos Peludos, Cristiane Marques, relatou o efeito dos fogos em animais como cães e gatos. “A nossa ONG tem atualmente duzentos animais na nossa chácara, sendo quase oitenta cachorros. Quando acontecem as festas de padroeiros e a festa do peão, o barulho é muito grande e deixa os animais atordoados. Eles começam a brigar entre si, causando até mesmo mortes. Isso sem contar os animais que fogem de casa e acabam se perdendo ou ainda morrendo atropelados”, disse.

 

O vereador de Santa Bárbara d’Oeste Celso Ávila falou que apresentou o projeto de lei na cidade vizinha após vivenciar na pele o problema. “No dia em que ganhei a eleição, soltei fogos na minha casa e o neto da minha vizinha, que é autista, ficou incontrolável. Demoraram vários dias para que ele voltasse ao normal. Eu não vivenciava isso, mas a partir daquele dia passei a defender esta causa. Estamos recebendo apoio maciço a este projeto”, disse.

 

Ao final dos trabalhos o vereador Rafael Macris, que presidiu a audiência por ser o autor do requerimento que solicitou a realização do debate, enalteceu a importância da presença de pontos de vista diferentes. “Todas as contribuições foram extremamente importantes para a nossa discussão e para que a gente possa aprimorar os mecanismos de legislação que temos aqui”, comentou.

 

O projeto de lei está relacionado na pauta da ordem do dia da sessão ordinária desta quinta-feira (28), para ser discutido e votado pelos vereadores.

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