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Saúde: Estresse é a terceira causa de afastamento nas empresas

Redação 2 de julho de 2016 4 minutes read
  • Contém Suzano - YouTube

  • Especialista explica como esse problema está onerando diretamente as empresas

 

No Brasil, o estresse já é a terceira causa de afastamentos com mais de 15 dias nas empresas. As instabilidades psíquicas ou orgânicas causadas por inúmeros fatores podem, ou não, estar relacionadas à rotina de trabalho, mas com certeza irão atingir diretamente a empresa. As estatísticas e indicadores demonstram que em 2020 os transtornos mentais devem ser a principal causa de afastamentos. Pensando nisso, o Programa Trabalho Seguro, criado em 2011 pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), escolheu o tema “Transtornos mentais relacionados ao trabalho” para discussão no biênio 2016/2018.

Caracterizar a real causa das perturbações é muito difícil, pois geralmente há fatores desencadeados ao longo do tempo na vida do trabalhador. “O estresse consiste em um conjunto de perturbações que caracterizam o desequilíbrio físico e psíquico. Esse problema altera o cotidiano da pessoa em todos os sentidos, abalando o relacionamento com os colegas de trabalho, desempenho das atividades e, consequentemente, a produção na empresa”, explica a engenheira de segurança do trabalho, Marcia Ramazzini.

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Segundo a especialista, o estresse pode ser classificado em dois tipos.  O estresse ocupacional é geralmente de ordem organizacional, como conflitos com a chefia, responsabilidades mal delegadas, trabalho monótono ou repetitivo, entre outras atitudes vivenciadas dentro da empresa. Já o estresse não ocupacional é causado por fatores externos, tais como a morte de um ente querido, separação, problemas financeiros ou com os filhos, abusos físicos ou sexuais, brigas, entre outros que acontecem fora do ambiente de trabalho, mas que interferem no desempenho do funcionário durante a jornada.

O funcionário que está sofrendo com essas perturbações demonstra por meio de sintomas fisiológicos, como úlceras, gastrites, gastroenterites e aumento da pressão arterial. Agressividade, frustração e baixa autoestima também são consequências que se apresentam como sintomas psicológicos, assim como baixo desempenho, absenteísmo, presenteísmo e danos intencionais também são resultados de algum tipo de estresse e caracterizam os sintomas de aspecto comportamental.

Engenheira de segurança do trabalho, Marcia Ramazzini. Foto Flávio Oliveira (21)
Engenheira de segurança do trabalho, Marcia Ramazzini. Foto: Flávio Oliveira

A engenheira explica que existem programas específicos que começam pela alta direção e chegam até o chão de fábrica com objetivo de despertar a conscientização, observação e sensibilidade dos funcionários, que por muitas vezes não percebem os sintomas demonstrados pelos colegas de trabalho. “A prevenção cabe ao departamento de Gestão Ocupacional, porém os funcionários podem ser treinados e atuar como observadores comportamentais. Treinados, conseguem identificar com mais facilidade esses desvios”, completa.

Ainda de acordo com Marcia Ramazzini, a probabilidade de acidentes com funcionários estressados é muito alta, sendo assim, o departamento de Gestão Ocupacional deve estar sempre atento e criar estratégias de prevenção e cuidados. “O funcionário com transtornos mentais não detectados e tratados pode chegar a casos extremos. Exemplo disso é o caso do copiloto da Arjowwings que derrubou o avião resultando em 150 mortes”, alerta a especialista.

Casos de estresse, afetam tanto o colaborador quanto a empresa, pois em casos de afastamentos a empresa fica, por um tempo, sem o funcionário treinado para a função. “No primeiro momento, o chefe precisa identificar, treinar e habilitar um colaborador que cubra as tarefas. Isso irá demandar tempo”, explica a engenheira.

Outra importante questão é que o aumento do índice de afastamento impacta a empresa devido ao aumento das alíquotas previdenciárias. O Fator Previdenciário de Prevenção (FAP) é um exemplo disso, que por conta dessas ocorrências pode ter a alíquota dobrada.

“As empresas devem começar a se preocupar e adotar programas específicos lembrando que é de nossa responsabilidade manter a integridade física e mental dos funcionários. Estamos cada vez mais ensimesmados, muitas vezes não sabemos quem está ao nosso lado. Olhamos a nossa volta e não enxergamos o que está acontecendo ao nosso redor, é aí que mora o problema. Acidente é comportamento e se faz com prevenção”, finaliza a especialista.

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