Saúde

Vacinação em dia é melhor forma de prevenir a coqueluche


Uma doença que tem preocupado muito as mães é a coqueluche, que parece inofensiva, mas pode ser considerada preocupante. Só este ano, cerca de dois mil casos foram notificados em todo o país e quase 600, confirmados. A coqueluche já provocou a morte de 16 bebês, todos com menos de seis meses. O esquema vacinal infantil só é completado a partir dessa idade, deixando os pequenos vulneráveis neste período. Segundo o pediatra Reinaldo de Menezes Martins, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e consultor científico sênior do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), “a melhor forma de prevenir a coqueluche é manter a vacinação em dia”.

As aplicações da vacina pentavalente (que imuniza contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae do tipo b e hepatite B) são feitas aos dois, quatro e seis meses. “O reforço deve acontecer com a vacina tríplice bacteriana (DTP) – difteria, tétano e coqueluche – aos 15 meses e, para que se complete a imunização, a última dose deve ocorrer aos quatro anos”, afirmou o médico.

As gestantes também devem se imunizar. O especialista destacou que é a vacinação da mãe que deixa o filho mais protegido nos primeiros meses de vida. “Deve ser aplicada uma dose a cada gestação, entre as 27ª e 36ª semanas. Embora os casos mais graves, que podem levar à morte, ocorram em bebês, eles adquirem a doença de adolescentes e adultos”, contou. Estudos mostram que as mães são as principais responsáveis pela transmissão para os bebês: em 33% dos casos, é delas que vêm as bactérias.

A vacina protege por um período máximo de sete anos. Dessa forma, na adolescência, o paciente já está suscetível à doença novamente. “A vacina chamada de células inteiras, utilizada na rotina do PNI em crianças, se administrada em pacientes com mais de sete anos, produziria efeitos colaterais severos. Por essa razão, ela só pode ser utilizada em crianças”, explicou Reinaldo.

Sintomas

A coqueluche é uma doença respiratória com alto grau de transmissão causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis. A enfermidade apresenta febre baixa, catarro e tosse persistente, chamada de tosse comprida. Segundo o pediatra, as bactérias comprometem o pulmão, e dão origem a crises intensas de tosse e falta de ar. “Nas crianças pequenas, a doença pode causar complicações neurológicas, pulmonares e hemorrágicas”. A transmissão ocorre através do contato direto com a pessoa infectada ou por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar.

A doença é comumente confundida com gripe. Mas, ao perceber que a tosse é seca e persistente, é preciso consultar imediatamente um médico para seu diagnóstico correto. No ano de 2010, o número de pessoas afetadas pela doença foi de 605. Já em 2013, aumentou para 6.368. As mortes decorrentes da coqueluche passaram de 18 para 109 nesse mesmo período. E esse ano, ainda no mês de junho, já foram notificados dois mil casos. Isso é preocupante, não?

Segundo Reinaldo, isso não significa necessariamente que está havendo mais casos e sim que a doença está sendo mais notificada. “Está havendo um melhor diagnóstico por isso há a falsa sensação de que o número de casos está aumentando”, informou. No geral, houve grande redução do número de casos pela vacinação.

Proteger também os adultos

A estratégia proposta pelos médicos é vacinar também os adultos, e especialmente as gestantes, com a vacina tríplice acelular, tipo adulto, que dá muito menos reações que a tríplice infantil.

“A grande vantagem é que essa vacina pode ser administrada em adolescentes e adultos. Assim, conseguiremos salvar a vida dos bebês que ainda não cumpriram seu ciclo de imunização”, disse o especialista. Ele completou dizendo que o principal desafio dos cientistas é desenvolver melhores vacinas de coqueluche, que confiram imunidade por tempo mais longo e com poucas reações.

 

Agência Fiocruz

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Redação
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