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Tomate sobe 80% em 2013, mas preço deve cair a partir de maio

Restaurantes tradicionais chegaram a “banir” o fruto de seus cardápios

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A alta no preço do tomate – ingrediente presente na cesta básica do brasileiro – virou meme (conceito que se espalha rapidamente pela internet) nas redes sociais e fez com que restaurantes tradicionais chegassem a “banir” o produto provisoriamente das cozinhas. Segundo especialistas, o valor alto deve cair a partir de maio.

Na internet, o tomate é comparado a um diamante e aparece como item de “churrasco de rico”, com sugestão de preço de R$ 9 o kg. Outro meme reproduzido na rede fala que “caixa eletrônico já era. O lance agora é caixa de tomate”. As brincadeiras têm um fundo de verdade.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese), de fevereiro de 2012 para fevereiro de 2013 o preço médio do tomate subiu 80,51%, alta maior do que a da batata (79,35%), arroz (32,63%) e óleo de soja (25,45). Só no último mês de fevereiro, o preço médio teve alta de 56% em Recife (PE) e 21% em Belo Horizonte (MG). Em Porto Alegre (RS), o preço médio do produto ficou em R$ 6,19.

A alta decorre das condições climáticas, segundo especialistas. No último ano, as safras enfrentaram problemas com seca durante a plantação, o que fez com que os frutos não tivessem a qualidade esperada. Durante a colheita, foi a vez das chuvas causarem transtornos provocando uma perda maior do produto.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que as o clima fez com que nas principais regiões produtoras a incidência de doenças bacterianas aumentasse e a produtividade fosse reduzida. A área total cultivada na temporada de verão de 2012/13 também foi 17,5% menor em relação à safra de 2011/12, o que impactou o preço do produto, assim como a falta de mão de obra.

Apesar disso, a expectativa do Cepea é de o tomate fique mais barato em 2013 que em 2013 no período de pico de safra, entre maio e junho. Nos supermercados, a queda deve demorar um pouco mais para aparecer, conforme o técnico do Dieese. “A pressão dos preços deve continuar ainda no primeiro semestre deste ano para o consumidor final”, destaca Martins.

Banido do cardápio

A Cantina Nello’s, em funcionamento desde 1974 em São Paulo, decidiu tirar o tomate do cardápio por causa da alta nos preços do produto, de acordo com nota divulgada a clientes na página do Facebook da marca na última terça-feira. A casa afirma que só voltará a utilizar o produto depois que verificar uma queda nos preços.

Conforme o restaurante, a caixa de tomates de 20 kg, cujo preço normal ficava entre R$ 20 e R$ 30, está sendo vendida a R$ 150, o que inviabiliza o uso do tomate. Apenas de 2012 a 2013, o custo da caixa teria passado de R$ 70 a R$ 150, crescimento superior a 100%. A cantina também reclamou das altas nos preços da batata e do pimentão, que chegaram a subir cerca de 80%.

Segundo a nota, a casa conquistou uma “legião de fãs movidos pelo lema: boa comida, preço justo e simpatia”‘ e em respeito à sua história “nos recusamos a coadunar com a alta de preços o tomate”.

A nota diz ainda que o governo insiste que as empresas devem trocar um pouco de inflação para termos crescimento, mas que o restaurante discorda “veementemente desta visão”. “Preferimos ficar sem a mercadoria do que repassar um aumento abusivo aos nossos clientes”, completa. A cantina pede ainda que os seus clientes evitem comprar tomate no varejo a qualquer preço superior a R$ 6 o kg.

 

Fonte: Isto é

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One Reply to “Tomate sobe 80% em 2013, mas preço deve cair a partir de maio

  1. O debate sobre a alta nos preços do tomate vem repercutindo fortemente nas redes sociais. São várias as brincadeiras e posts. Sendo assim, resolvi mexer também nesse molho.

    Para quem conhece a cadeia produtiva e oferta, sobretudo nos grandes centros urbanos de alimentos vegetais, hortaliças e leguminosas, a subida desses preços demonstra o que no Brasil se chama de “lei da oferta e da loucura”.

    A grande verdade é que os preços das hortaliças e leguminosas no país são direta e proporcionalmente vinculados aos preços do tomate e da alface. Até mesmo classes sociais com menor poder aquisitivo prefere, em primeiro lugar, tomate e alface, que inclusive tem um preço histórico acessível. Comparativamente, lembram-se do termo “preço de banana?”

    Pois então, o preço baixo do tomate e da alface pressiona para baixo o preço das demais hortaliças e leguminosas. Quando eles têm o preço apreciado, levam consigo, os demais produtos, que em geral, são a segunda opção.

    Pois então, o tomate tem um ciclo de produção relativamente curto variando de 4 a 7 meses. Evidentemente que problemas climáticos tenham criado uma volatilidade nos preços, mas não há maiores problemas agrícolas para a sustentação nesses novos patamares. Não houve quebra de safra que tenha sido causadora tão forte como esse aumento e manutenção durante todo esse período.

    Para as donas de casa, uma clara visão de que não há grande falta de estoques é que nas feiras e mercados, ainda se encontram oferta abundante, apesar do preço alto, de tomate maduro, vermelho. Ora, caso houvesse falta grave de suprimento, a colheita seria desesperada até para se manter o lucro, ofertando tomates ainda verdes, já que haveria falta. Mas, ao contrário, tomates maduros, bonitos e brilhantes.

    Os fundamentos do desenvolvimento econômico e social carregam uma evidência empírica comprovada na hipótese de que existe uma correlação entre o nível de eficiência e a taxa de crescimento econômico. Países dotados de boas instituições crescem mais rápido. No caso, temos uma enorme assimetria de informações, falha grave da regulação, das instituições.

    As forças da natureza são consideradas como fator primário da riqueza e pobreza das nações. Mesmo assim, somente a evidência não serve para caracterizar a geografia como influencia primária da prosperidade; mas é verdade que há uma correlação entre ambas. Aqui, nossa disponibilidade de terra, água e solo em ótimas condições para produção de alimentos.

    Enquanto não corrigem as assimetrias de informações, essas dicotomias sobressaltam. E os brasileiros, por enquanto, acabam até mesmo fazendo piada sobre o alto preço do tomate… Até tu, “tumate”?

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