Robô promete novo alento para recuperação de vítimas de AVC

Desenvolvido com apoio da Fapesp, equipamento é superior aos similares importados e deve chegar ao mercado brasileiro no fim do ano

As novas tecnologias aplicadas em benefício da saúde das pessoas trazem esperança renovada. E o incentivo à pesquisa se revela um grande investimento nesse sentido, como é o caso de um robô criado para contribuir com a recuperação de vítimas de acidente vascular cerebral (AVC).

O aparelho foi criado pela Vivax Serviços Ltda, com apoio do Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp). Trata-se de um robô portátil, para ser utilizado em fisioterapia personalizada com utilização de videogames.

Nos testes preliminares, ele conseguiu promover melhoras em pacientes crônicos, que não obtinham avanços com as terapias tradicionais, alguns deles acometidos durante duas décadas por lesões cerebrais.

Batizado como ARM (Assistive Rehabilitation Machine) por Antonio Massato MaKiyama, responsável pela pesquisa do robô, é o primeiro equipamento portátil do gênero e deve chegar ao mercado até o fim do ano a um preço entre duas e quatro vezes inferior aos de robôs similares importados, com a diferença de possuir a capacidade para exercitar uma quantidade maior de movimentos, segundo os pesquisadores da empresa.

“Os resultados são muito mais significativos, tanto por tratar pacientes que não evoluíram mais, como pelo fato de os avanços obtidos permanecerem depois da interrupção do tratamento, o que é incomum nas terapias que utilizam outros robôs”, afirma Makiyama.

O ARM é um dos poucos robôs de reabilitação capaz de possibilitar movimentos tridimensionais e não apenas no plano, permitindo, inclusive, exercícios contra a gravidade. São movimentos mais realistas (mais próximos dos que as pessoas podem fazer em suas atividades cotidianas) e mais complexos, que utilizam um maior número de cadeias musculares simultâneas, exigindo um esforço muito maior do cérebro.

O robô promete trazer um maior alento à vítimas de AVC, que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMC), é a principal causa de incapacidade no Brasil e a segunda maior responsável por mortes. O país registra mais de 200 mil casos de AVC por ano, metade deles mortal. Entre os sobreviventes, 50% apresentam alguma sequela.

Sobre a Fapesp
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo é uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do país. Os Programas de Pesquisa para Inovação Tecnológica da Fapesp, entre eles o Pipe, têm caráter indutor: apoiam pesquisas com potencial de desenvolvimento de novas tecnologias e de aplicação nas várias áreas de conhecimento, afinadas com a política de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado.

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