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Pesquisa aponta que hormônio colabora para emagrecimento de jovens

Estudo realizado em faculdade de São Paulo, concluiu que fator genético que colabora para o não absorvimento da leptina, dificulta a perda de peso em adolescentes

 

Uma alteração genética ligada a absorção da leptina, hormônio que indica a quantidade de gordura disponível em estoque no organismo, dificulta e complica o emagrecimento de jovens obesos de até 19 anos. Essa descoberta foi feita após um estudo da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e apresentado em julho deste ano.

A pesquisa foi realizada com 76 adolescentes entre 15 e 19 anos, pesando entre 101 e 120 quilos. Todos foram submetidos ao mesmo programa de perda de peso – mesma dieta, atividades físicas e acompanhamento médico -, porém, enquanto uns perderam 6% do peso, outros conseguiram perder 10%. Intrigados com a diferença na balança, os pesquisadores analisaram a funcionalidade de mais de 500 genes ligados a obesidade e chegaram à conclusão de que um deles apresentava uma variação anormal: a leptina.

“A leptina é um hormônio produzido e secretado pelo tecido adiposo. Ela participa do controle neurológico e estimula a sensação de saciedade, colaborando para o balanço energético e de certa forma para a redução da gordura”, explica o médico Henrique Eloy, cirurgião e endoscopista bariátrico.

Segundo Henrique Eloy, a explicação para o mal funcionamento é clara. Em pessoas obesas, a produção de leptina em excesso acaba gerando uma ineficiência nos neurônios que recebem a mensagem de saciedade. Isso desenvolve um quadro de resistência e impede que o indivíduo tenha um resultado de emagrecimento adequado. “Conforme diz a pesquisa, se existem adolescentes que apresentaram variações irregulares da leptina, é possível também que haja uma diferença no sobrepeso”, comenta.

Dados do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), o primeiro do gênero realizado no país, apontaram que cerca de 85 mil jovens de até 19 anos estão com os níveis de gordura corporal elevados. Esse fator é identificado mais em homens do que em mulheres.

“O tratamento para esses jovens é bem complexo. Em muitos dos casos, apenas a mudança de hábitos não é suficiente, logo, a cirurgia é necessária para que possamos dá-los uma melhor qualidade de vida”, avalia Henrique Eloy. Até o momento, a Agência Nacional de Saúde (ANS) não permite a intervenção cirúrgica para menores de 18 anos, fato que deixa os médicos de mãos atadas com os prontuários.

Seja com o controle da leptina ou não, esperar a maioridade desses pacientes é arriscado. “Um adolescente obeso tem 80% de chance de ser um adulto obeso, causando outras doenças como hipertensão, diabetes e até mesmo o câncer”, conclui o cirurgião, Henrique Eloy.

 

Henrique Eloy é médico cirurgião e endoscopista bariátrico.

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Redação
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