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Funarte apresenta “AGRESTE MALVAROSA” em turnê no interior de São Paulo

Peça de Newton Moreno, que será encenada em cinco cidades do estado, é um ensaio sobre o corpo, a palavra e os sentimentos humanos, despertando ao mesmo tempo a emoção e a reflexão

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Após o grande sucesso de crítica e público em sua temporada no Rio de Janeiro e nos festivais por onde passou, o espetáculo “Agreste Malvarosa”, texto de Newton Moreno – premiado autor de As Centenárias, entre outras peças consagradas –, com direção de Ana Teixeira e Stephane Brodt, será apresentado com entrada franca em turnê por cinco cidades do interior do estado de São Paulo: Jundiaí (7/out.), Campinas (8/out.), Americana (9/out.), Santa Bárbara d’Oeste (15/out.) e Piracicaba (16/out.). O projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2012.

Flyer Turnê SP

“Agreste Malvarosa” é um vigoroso manifesto poético. Uma fábula sobre a ignorância, o preconceito e o amor incondicional. Em cena, as atrizes Millene Ramalho e Rosana Barros narram e representam as personagens desta história, montando e desmontando a cena com o mesmo domínio que assumem a passagem narrador-personagem, personagem-narrador. A história de “Agreste Malvarosa” escapa do lugar-comum: quando jovens, um casal de lavradores rompe a cerca que os separava e foge para viver sertão adentro. Depois de vinte e dois anos de casados, a esposa perde subitamente o marido. Durante o velório, as velhinhas carpideiras, ao prepararem o morto, descobrem que o “marido” é uma mulher. Após esta reviravolta, sucedem-se levantes de repulsa e homofobia. Machucada pela perda, sem entender a dimensão de seus atos, a esposa acaba sendo vítima do horror e da intolerância do povo.

 

O lirismo do texto contribui para penalizar o caipirismo, a caricatura e a mesmice, componentes estereotipados e bastante vinculados à cultura nordestina. Ao não procurar expor a miséria, os descamisados, a fome ou o cangaço, mas, sim, apresentar personagens emocionantes que compõem uma história exótica e humana que poderia ser nossa. O espetáculo traz uma questão contemporânea relevante, levando o público ao mesmo tempo à emoção e à reflexão. “Agreste Malvarosa”, um ensaio sobre o corpo, a palavra e os sentimentos humanos, despertando a emoção da surpresa.

 

O trabalho das duas atrizes é o elemento que cria a ação, o centro vivo da cena, uma realidade móvel, plástica e tridimensional, explorando a totalidade de suas possibilidades expressivas. Recebem o público, criam a ambiência do espetáculo, introduzem o sertão assim como fazem os repentistas. Essa aproximação com o público tem a intenção de recriar a atmosfera da “contação” de história, reavivando memórias arcaicas, quando grupos se reuniam ao redor da fogueira ou embaixo de uma árvore para ouvir “causos”.

 

A música, tocada ao vivo por Beto Lemos, que compôs a trilha, tende a ser um elemento revelador da cultura local com o propósito de livrar o espectador das tensões subterrâneas das cidades, proporcionando ainda a ideia de um lugar de sonho e conferindo ao corpo uma nova possibilidade de viver, livre dos códigos sociais.

 

Solidificado através de um intenso e detalhado trabalho de pesquisa, “Agreste Malvarosa” oferece o contato com um tema universal, atemporal e desconhecido, possibilitando novas experiências culturais, além de expor uma obra premiada de uma das vozes mais importantes da dramaturgia brasileira recente.

 

SOBRE A DRAMATURGIA

 

Newton Moreno construiu o texto da peça “Agreste Malvarosa” partindo de sua pesquisa sobre orientação sexual com mulheres camponesas/lavradoras no interior de Pernambuco. Mulheres que desconheciam seu corpo, sua sexualidade e o silogismo tortuoso de sua feminilidade. O texto nasce numa encruzilhada que confronta o imaginário nordestino e o discurso limítrofe das sexualidades contemporâneas. Recorre a um dos elementos do imaginário sertanejo – a figura da mulher que se traveste de homem. Aborda a reflexão sobre até onde essas mulheres tinham consciência de seus corpos, de suas cascas e de sua transgressão. Até onde pode chegar o grau de desinformação do povo no interior deste país. “Agreste Malvarosa” justapõe uma pesquisa de temáticas contemporâneas à supressão do outro (homofobia) e a redefinição de papéis e identidades sexuais ao abandono do povo nordestino e ao discurso contemporâneo da frágil linha limítrofe da sexualidade.

 

SOBRE O ESPETÁCULO

 

A história de “Agreste Malvarosa” começa com um flerte no meio da cerca, no qual um casal de lavradores descobre o amor. Ela do lado de cá, ele do lado de lá da cerca. Apesar de perceberem que há “algo no amor deles que não deveria acontecer”, um dia, o casal de lavradores foge, rompe a cerca para viverem juntos num casebre sertão adentro. Pressentem que algo de perigoso paira sobre eles. Depois de vinte e dois anos de casados, a esposa compreende o porquê, ao perder subitamente o marido.

 

A ação se desenvolve “nas brenhas”, como define o autor. “É uma história que acontece numa cidade do interior, são um homem e uma mulher que descobrem e vivem o amor incondicional. Simples assim. Só que eles se apavoram porque desde o princípio sentem que um perigo paira pelo ar. E tem todo aquele jogo de aproximação: o jeito de chegar é manso, tímido, as coisas demoram a acontecer, tudo leva tempo”, revela o autor Newton Moreno.

 

O espetáculo, através da relação de amor inusitada entre duas pessoas, pretende criar uma esfera de magia, onde o aspecto lúdico convidará os espectadores a participar daquele universo, rompendo preconceitos, distinções e ideias sobre a realidade. Descobrindo semelhanças secretas e surpreendentes com o outro.

 

“Acostumados nos últimos anos a viagens em continentes mais distantes, nos deparamos desta vez com o interior do nordeste do Brasil. Mas num primeiro momento, não nos preocupamos com o sertão do mundo real. Nossa primeira viagem foi ao país interior desses personagens carregados de humanidade. Com eles, avançamos como exploradores de terras desconhecidas e pouco a pouco, fomos nos aproximando do sertão brasileiro, da literatura de cordel, do sol, da fé e da música nordestina que tanto traduz a devoção e a memória de seu povo”, comenta a diretora Ana Teixeira.

 

“Foi um percurso com muitos desafios, um encontro verdadeiro, uma travessia que fizemos juntos pelo Agreste. Chegamos modificados”, conclui o diretor Stephane Brodt.

 

CRÍTICAS

 

“Em um exercício de interpretação primoroso, a dupla se desdobra em personagens masculinos e femininos, aos quais oferece identidades autênticas, sem exagero nem caricatura… Na combinação entre a simplicidade da execução e a narrativa lírica de Moreno reside a força do espetáculo de final surpreendente.” Letícia Pimenta (Revista Veja Rio, 03/02/2010)

 

“Agreste malvarosa”, de Newton Moreno, dirección de Ana Teixeira y Stephane Brodt (Río de Janeiro),  en el  estilo clásico de las mejores realizaciones  de Peter Brook y a su altura… Puesta en escena con ritmo exacto y brillante interpretación  de Millene Ramallo y Rosana Barros.” Jorge Arias (Noticias Teatrales Online, 22/09/2011)

 

“Na linguagem direta dos contadores, o olhar do ouvinte é conduzido até as frestas do indizível e a obscuridade da ignorância, alcançando o ardor da consciência.” Macksen Luiz (Jornal do Brasil, 31/01/2010)

 

SINOPSE

 

A história de “Agreste Malvarosa” começa com um flerte no meio da cerca, no qual um casal de lavradores descobre o amor. Ela do lado de cá, ele do lado de lá da cerca. Apesar de perceberem que há “algo no amor deles que não deveria acontecer”, um dia, o casal de lavradores foge, rompe a cerca para viverem juntos num casebre sertão adentro. Pressentem que algo de perigoso paira sobre eles. Depois de vinte e dois anos de casados, a esposa compreende o porquê, ao perder subitamente o marido… Essa poderia ser mais uma história de amor, não obstante a crueldade despertada pela descoberta reveladora. “Agreste Malvarosa” é um vigoroso manifesto poético. Uma fábula sobre a ignorância, o preconceito e o amor incondicional.

 

FICHA TÉCNICA

 

Texto: Newton Moreno | Direção: Ana Teixeira e Stephane Brodt | Elenco: Millene Ramalho e Rosana Barros | Música (criação e interpretação ao vivo): Beto Lemos | Cenografia e Figurino: Stephane Brodt | Iluminação: Renato Machado | Operação de Luz: Neck Vilanova | Fotografia: Julio Appel | Assessoria de Imprensa: Engenho da Notícia | Projeto Gráfico: Alexandre de Castro | Produção: Erick Ferraz | Idealização: Millene Ramalho

 

SERVIÇO – “Agreste Malvarosa”

 

Jundiaí

7 de outubro de 2013, às 20h

Teatro Polytheama de Jundiaí – Rua Barão de Jundiaí, 176, Centro | Telefone: 11 4586 2472 | Capacidade: 1200 lugares

Campinas

8 de outubro de 2013, às 20h

Teatro Municipal José de Castro Mendes – Praça Correa de Lemos, s/nº, Vila Industrial | Telefone: 19 3272 9359 | Capacidade: 760 lugares

 

Americana

9 de outubro de 2013, às 20h

Teatro Fábrica das Artes – Rua Dr. Cícero Jones, 146, Vila Redher | Telefone: 19 3645 1990 | Capacidade: 100 lugares

 

Santa Bárbara d’Oeste

15 de outubro de 2013, às 20h

Teatro Municipal Manoel Lyra – Rua João XXIII, 61, Centro | Telefone: 19 3464 9424 | Capacidade: 608 lugares

 

Piracicaba

16 de outubro de 2013, às 20h

Teatro do SESI Piracicaba – Avenida Luiz Ralph Benatti, 600, Vila Industrial | Telefone: 19 3403 5928 | Capacidade: 320 lugares

 

Todas as cinco apresentações têm entrada franca (*retirada de ingressos na bilheteria uma hora antes do início do espetáculo / sujeito à lotação do espaço) | Duração: 60 minutos | Classificação Etária: Não recomendado para menores de 12 anos | Após o espetáculo haverá bate-papo com o público.

 

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