Desejo dos jovens, desenvolvimento sustentável pode virar realidade na região das bacias PCJ, graças a Projeto de Lei


Eles querem curtir a vida e reconhecem que precisam de grana para isso, só que trabalhar por um salário no fim do mês não lhes basta; desejam uma carreira que cause impacto social e contribua com a conservação do meio ambiente. Este é o perfil do jovem de hoje, segundo pesquisa da associação profissional Deloitte, e encaixa perfeitamente nas vagas de emprego e oportunidades empreendedoras socioambientais que os Espaços Ecohídricos na região das bacias hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) devem gerar, em breve.

“A geração da internet está revolucionando o mercado, cada vez mais exigente, com seus ecoempreendimentos inovadores. Os negócios de impacto positivo – sonho de consumo de 73% dos millennials, que têm entre 17 e 34 anos – devem, enfim, tornar realidade o desenvolvimento sustentável”, enfatiza a educadora e promotora do Empreendedorismo Socioambiental no Brasil, Ana Lúcia Maestrello.

Precursora do segmento no país, a agrônoma Ondalva Serrano está unindo forças com a mestre em Linguística para formar a juventude brasileira para o ecomercado de trabalho. “A Maestrello Consultoria, assim como nossa instituição, está comprometida com uma educação integral que objetiva a descoberta e a revelação dos potenciais vocacionais dos seres humanos para, através do autoconhecimento e autogerenciamento, desenvolver a capacidade de se autoconstruir ecoprofissionalmente; ecoprofissional que se realiza ao colocar seu vocacional a serviço de seu coletivo social; sociedade que vivencia o bem-estar social por ver suas necessidades básicas atendidas pelas ações de sua organização social local”, afirma a sócio-fundadora do Instituto Auá de Empreendedorismo Socioambiental.

“O sonho desses jovens é ter sucesso profissional, sim, mas dentro de uma sociedade sustentável. Porém, além da responsabilidade ambiental e empreendimento social viabilizado, investir nas áreas de Comunicação e Administração é essencial para que alcancem o propósito deles”, ressalta Ana.

Sustentabilidade financeira

Na contramão do atual cenário econômico do país, o mundo contará com mais de 500 bilhões de dólares investidos em negócios sociais até a próxima década. “Essa é, sem dúvidas, uma ótima oportunidade para empreender no setor, bem no momento em que também ficou mais fácil abrir uma empresa. Porém, no meu caso, o maior problema seria administrá-la”, destaca o jovem comunicador visual, Erick Henrique dos Santos.

O mestre em Educação Financeira, Reinaldo Domingos, fala sobre a necessidade de os futuros ecoprofissionais se educarem financeiramente. “Ao assimilar um conhecimento baseado em pilares metodológicos, é possível empregá-lo nas situações e necessidades impostas pela vida prática, conquistando o equilíbrio financeiro, fundamental para o bem-estar individual e coletivo”, diz o empresário social, que está formulando o Plano de Negócios dessa parceria com a consultoria para promover o Empreendedorismo Socioambiental voltado à agropecuária, em conjunto com o Instituto de Zootecnia (IZ), com sede em Nova Odessa (SP).

“Que nosso convívio respeitoso, parceiro e colaborativo possa ampliar nossas áreas e linhas de ação, envolvendo outros profissionais também vocacionais e desejosos de construir bases de sustentabilidade com solidariedade e sanidade física, mental, emocional e espiritual. Que saibamos identificar os caminhos a serem trilhados para o cumprimento de nossas tarefas realizadoras, neste momento tão frágil de nossa sociedade em processo de desumanização”, reforça a doutora em Agronomia, ainda complementando que se sente “em sintonia com professora do Curso de Empreendedorismo Socioambiental, como habitante humana e corresponsável pelo destino do planeta e sua humanidade”.

Projeto de Lei

A geração de empregos através do ecoturismo e turismo rural é tema do “Projeto de Lei Espaço Ecohídrico”, que está sendo proposto pelo Consórcio PCJ. Sua minuta foi apresentada e debatida na última terça-feira (17), na sede do órgão consultivo, em Americana (SP), e contou com a participação de vereadores das cidades associadas; diretores de concessionárias de saneamento públicas e privadas; secretarias municipais de Educação, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Turismo; assessorias jurídicas; além da consultoria novaodessense.

A empresa educacional, que já indicou o IZ como atração para turismo ecológico em sua cidade, acredita que a proposta do consórcio, além de incentivar a economia sustentável na região das bacias PCJ, deve valorizar o instituto e seu trabalho científico, bem como poderá evitar a venda de suas áreas – desejo do Governo do Estado de São Paulo -, transformando-as em um polo para Formação Ecoprofissional de Jovens, como o Instituto Auá e a Maestrello Consultoria Linguística estão construindo coletivamente na Estação Experimental de Tupi.

“Nosso Laboratório de Pesquisa, Educação e Comunicação Socioambiental (Lapecs) tem como missão preservar as unidades de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) estadual como Unidades de Conservação e Produção de Serviços Ecossistêmicos em sinergia com a produção científica, agregar valor socioambiental – sustentabilidade, resiliência e gestão territorial -, integrar e valorizar o rural em relação ao urbano e integrar a produção agropecuária com a preservação ambiental através do estabelecimento de parcerias com instituições externas – como a Maestrello, a Dsop e o Auá -, para oferecer capacitação humana e para ampliar estratégias de captação de recursos financeiros por meio de um trabalho multidisciplinar”, informa o pesquisador do IZ e coordenador do Lapecs, João Demarchi, também reconhecendo que “o possível Espaço Ecohídrico, em conjunto com o Curso de Empreendedorismo Socioambiental sobre agropecuária, deverá fazer do instituto uma Unidade de Conservação Sustentável, reconhecida e apropriada pela sociedade como patrimônio ambiental, cultural e educacional do Estado”.

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