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Após contabilizar estragos, região de Campinas já sabe os caminhos para solucionar os eventos hidrológicos extremos


“Hoje, não temos respostas precisas sobre o clima para a nossa região, que é Tropical, e vem sofrendo com os eventos hidrológicos extremos”, afirmou a diretora do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), Ana Ávila. “Entre 2009 e 2012, as bacias PCJ [dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí] contabilizaram excesso de chuvas; a partir de 2013, sofreram com a seca; e, neste ano, as precipitações vêm fazendo estragos”, complementou a educadora ambiental, Ana Lúcia Maestrello. As mudanças climáticas foram muito debatidas em quatro encontros promovidos pelo Consórcio PCJ, em 2015, e seus impactos nos recursos hídricos da região pautou um seminário internacional realizado nesta semana, em que foram apresentados os “Caminhos para a Solução” do maior problema ecológico do momento.

A Maestrello Consultoria participou dessas reuniões, que eram abertas ao público, e já ressaltaram a preocupação dos meteorologistas com fenômenos da natureza como o que atingiu Campinas (SP), na madrugado de domingo (5 de junho – curiosamente, Dia Mundial do Meio Ambiente). De acordo com diretora do Cepagri, que palestrou no “2º Encontro de Eventos Hidrológicos Extremos”, a microexplosão (nuvem carregada de ar, água e granizo que, acompanhada de ventos intensos, atinge o solo de uma só vez) que assombrou a cidade é mais violenta que um tornado, mas ela não costuma acontecer nesta época do ano.

Segundo o diretor da Defesa Civil, Sidnei Furtado – um dos palestrantes da primeira reunião do PCJ -, pela manhã, o município registrou 74 mm de chuva com granizo, em apenas 45 minutos, superando a média histórica esperada para o mês, que é de 50 mm; à tarde, os ventos passaram de 120 Km/h, derrubando mais de 70 árvores e ferindo duas pessoas. O bairro Jardim Nilópolis, onde fica o Galleria Shopping, foi um dos mais afetados. Parte de seu teto desabou, danificando lojas e alagando corredores. A assessoria do empreendimento comunicou que ele permanecerá fechado até a próxima segunda-feira (13).

Proprietário de uma barbearia no shopping, Douglas Montanher ainda está contabilizando os prejuízos para seu comércio. O tatuador da Dom Barbeiro reconhece que as mudanças climáticas devem continuar fazendo estragos, caso o homem não diminua suas emissões de CO2 (dióxido de carbono), o consumo desenfreado e a explosão demográfica em todo o planeta (leia as conclusões do painel da ONU sobre o tema).

“Os dois primeiros encontros do consórcio tiveram como temas ‘Políticas Públicas no Contexto dos Eventos Hidrológicos Extremos’ e ‘Agricultura, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas’, respectivamente. O terceiro tratou do ‘Desenvolvimento Urbano e as Questões Hídricas’ e o quarto apontou os ‘Caminhos para o Enfrentamento da Questão dos Acontecimentos Extremos Hídricos’. Vale ressaltar que somente a região do PCJ corresponde por 7% do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro, então, não podemos nos conformar com um ambiente tão desequilibrado assim”, lembrou a consultora da empresa educacional novaodessense.

Moderador da terceira reunião, o professor da Feagri (Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp), José Teixeira, informou que 50% da população mundial vive em áreas urbanas, e a degradação dos recursos naturais começaram com a industrialização. “A partir de uma ocupação desordenada, passamos a canalizar os cursos d’água, impermeabilizar o solo, devastar as matas nativas, poluir mananciais e o ar que respiramos”, lamentou o educador, ainda ressaltando que para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos e o enfrentamento das mudanças climáticas é necessária maior participação da sociedade em debates como esses.

‘Caminhos para a solução’

“É preciso que deixemos nossos escritórios para irmos às comunidades, é o momento de refletirmos juntos a industrialização e a educação ambiental da população. Falta ainda uma gestão mais integrada em nossa região, para serem compartilhadas as responsabilidades ambientais no processo de desenvolvimento econômico”, comentou o biólogo e representante da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), Domenico Tremaroli, após a fala de Teixeira.

Para a promotora do Ministério Público de Piracicaba, Alexandra Faccioli Martins, os eventos extremos não estão sendo tratados como emergência, no âmbito legal. “Temos que trabalhar muito a acesso à informação, e a Educação Ambiental tem papel fundamental nesse processo. As gerações futuras têm que ser ensinadas para o exercício da cidadania coletiva”, enfatizou Alexandra, na ocasião do quarto encontro.

“Como possíveis soluções, os grupos sugeriram que olhemos mais para a Agenda 21; para observarmos o modelo de enfrentamento no Nordeste; o estímulo à sustentabilidade de cadeias produtivas; para a Defesa Civil gestar melhor o risco; a democratização da informação ambiental; ações descentralizadas; incentivo ao turismo ecológico; campanhas de Educação Ambiental; condições para a formação de agentes multiplicadores; implantar sistemas de monitoramento para consulta pública; e a despermeabilização do solo”, disse o permacultor Paulo Fonseca, relator dos problemas diagnosticados pelos participantes dos Encontros de Eventos Hidrológicos Extremos.

Na última reunião, o Consórcio PCJ propôs a sistematização dos apontamentos dos demais relatores pelo público presente, para agrupá-los em um único documento que definiria as prioridades de ação – acesse aqui o documento “Caminhos para a Solução”. “As discussões sobre a adaptação da água às alterações no clima já estão ocorrendo no âmbito dos Comitês PCJ. Na terça-feira (7) foi realizado em Piracicaba o Seminário Internacional sobre Crise Hídrica e Mudanças Climáticas, e a CT-PB (Câmara Técnica do Plano de Bacias) irá incluir o assunto durante a elaboração do novo Plano de Bacias, que já está em processo de contratação”, frisou a gerente técnica do órgão consultivo, Andréa Borges.

Fundada em 2008, a Maestrello Consultoria Linguística é uma startup educacional de Nova Odessa (SP) que objetiva disseminar o conhecimento para atender o interesse público e acelerar o processo de aprendizagem por meio de seu método de ensino exclusivo, trabalhando por uma natureza mais equilibrada e sociedades sustentáveis, graças à sua força comunicativa socioambiental.

 

 

Assessoria de imprensa – Juan Piva

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