Na moda: Brechós garantem bons negócios

Levantamento do Sebrae aponta que o número de empresas no comércio de artigos usados cresceu quase 5% entre o fim de março e o meio de maio deste ano

 Em meio ao momento de ajustes na economia brasileira, um segmento vem garantindo bons negócios, inclusive com um crescimento nas vendas: o de brechós. Dados do Sebrae mostram que, em apenas um mês e meio, o número de micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional no comércio varejista de artigos usados cresceu cerca de 5%. Esse aumento é muito superior ao aumento mensal médio entre janeiro de 2013 e maio de 2015, que foi de 0,7%.

O levantamento mostra que, no dia 31 de março de 2015, havia 12,6 mil pequenos negócios que comercializavam artigos usados (como roupas e calçados, móveis, material de demolição, utensílios domésticos). Já em 16 de maio de 2015, somente 45 dias depois, esse número passou para 13,2 mil. Desde janeiro de 2013, o crescimento dos pequenos negócios nesse segmento é de 23%, considerando as 10,8 mil micro e pequenas empresas existentes no Brasil naquela data.

Os brechós ganham destaque, pois se aproveitam de uma mudança cultural dos consumidores brasileiros. As pessoas perderam o preconceito de usar artigos usados e, com as mudanças da economia, encontram, por um lado, a oportunidade de comprar roupas a preços mais acessíveis e, por outro, recuperar parte do dinheiro gasto com a compra de roupas novas ao ofertar produtos para brechós.

Em algumas lojas, é possível encontrar peças de grifes internacionais por metade do preço original. Os donos desses pequenos negócios comemoram aumento no movimento e nas vendas em percentuais que variam entre 20% e 30% nos primeiros meses de 2015.

Por representar um mercado de baixo risco – já que a concorrência ainda é pequena, o investimento inicial relativamente baixo e o público é bem diversificado –, os brechós surgem como boa oportunidade de negócio para quem deseja abrir uma empresa e é um dos nichos de mercado a ser explorado por quem trabalha com moda.

“Atuar em nichos exige uma compreensão maior sobre o público e é preciso entender suas reais necessidades, anseios, percepções e comportamento. O Sebrae vem se aproximando dos empresários desse segmento. Realizamos, ao longo de 2014, quatro edições do Fórum de Debates sobre o Mercado de Brechós e mais três serão realizadas este ano. A partir das discussões do ano passado identificamos as necessidades dos empresários desse ramo e elaboramos uma cartilha com oito melhores práticas para o comércio de brechós que está disponível no nosso portal (http://migre.me/qdu9C)”, afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Mercado aquecido

A empresária Simara Salemi Krau decidiu empreender no segmento de brechós há seis anos como Microempreendedora Individual (MEI) e hoje é dona do brechó do Casarão, que funciona na Tijuca, zona norte do Rio, especializada em roupas femininas contemporâneas. Entre 2014 e 2015, ela diz que sentiu um aumento no movimento entre 20 e 30%.

Marlene Miranda, que comanda há 20 anos um brechó ao lado do marido, Adylson Miranda, em Laranjeiras, também calcula em 30% o aumento da clientela entre 2014 e 2015. No brechó do Adylson, as roupas de grifes nacionais e importadas são o forte do negócio e são negociadas por um valor muito baixo, no mínimo pela metade do preço original. “O brechó oferece preço baixo, qualidade e exclusividade. Quer coisa melhor?”, brinca Marlene.

Agência Sebrae de Notícias

Comentários

Notícias relacionadas