Música Variedades 

Música Popular Baiana: estilos para conhecer na Bahia além do axé

A Bahia é um dos estados mais conhecidos nacionalmente. Como se não bastassem as suas paisagens paradisíacas e a sua culinária irresistível, dali saíram também alguns dos grandes nomes da cultura brasileira. Foram muitas as contribuições de baianos, seja na Literatura, na política, no cinema e, claro, na música.

 

São inúmeros os versos que os baianos fizeram ecoar no Brasil inteiro. Desde os do samba de Caymmi, o que é que a baiana tem, até os do axé “minha pequena Eva/ o nosso amor na última astronave”.

 

Está planejando a sua viagem para a boa terra? Então, que tal programar um roteiro musical para conhecer os diferentes ritmos baianos? Nós temos algumas dicas para você.

Ritmos presentes na Bahia

A Bahia sempre foi um estado bastante musical. Não por acaso, ainda na época do surgimento do samba, nos anos 1920-30, muita gente alegava que o ritmo que viria a simbolizar o país era, na verdade, de origem baiana.

Samba

Na década de 1940, quando o samba carioca (mais acelerado) já era bastante popular no rádio, diversos foram os sucessos de Dorival Caymmi que ganharam o mundo na voz da Pequena Notável, a lendária Carmen Miranda. “O que é que a baiana tem” é um dos mais famosos deles.

Música Popular Brasileira

Anos depois, nos anos 1960 e 70, durante o período de formação do que se convencionou chamar de Música Popular Brasileira (MPB), a Bahia nos cedeu talentos inigualáveis como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, os mais doces bárbaros de São Salvador.

Axé music

No fim dos anos 1980 e início dos 90, o estado ganhou novo impulso nacional, desta vez com a divulgação de um de seus ritmos mais tradicionais, o Axé Music. Com uma levada mais acelerada, esse gênero é bastante influenciado por ritmos africanos, como a batucada, o reggae e o maracatu.

 

Luiz Caldas é considerado um dos pais do movimento axé no Brasil. A partir do estilo por ele desenvolvido, nomes como Banda Eva, Chiclete com Banana, Araketu e o próprio Olodum ganharam projeção nacional.

Roteiro musical em Salvador

Se você vai a Salvador, certamente, já está pensando nos prédios históricos para conhecer, certo? E que tal incluir neste seu roteiro, alguns grupos de percussão? Pode ter certeza que você vai mergulhar muito mais fundo na cultura baiana e brasileira.

Afoxé Filhos de Gandhy

Se o seu roteiro já possui uma visita ao Pelourinho, bem, neste caso, talvez você possa esticar um pouco mais para visitar a sede do Afoxé Filhos de Gandhy, da qual Gilberto Gil participa.

 

Conta-se que em 1949, alguns estivadores do porto de Salvador estavam preocupados com a possibilidade do bloco “Comendo Coentro” não desfilar por falta de dinheiro. Com isso, alguns trabalhadores sugeriram a formação de um novo bloco que desfilasse por outras ruas.

 

Inspirados na mensagem do indiano Mahatma Gandhi, eles passaram a desfilar em todos os carnavais de Salvador e só não foram às ruas em 1974 e 75. Com uma mensagem de paz e respeito, o grupo ajuda a difundir a cultura afro-brasileira, sobretudo através da dança, da música, dos vestuários e da própria música.

 

É possível conhecer a quadra onde fazem os ensaios, além de participar de alguns deles.

Olodum

Fundado em 1979, o Bloco Olodum também tem a sua sede no Pelourinho. Segundo conta a sua história, foi criado como opção de lazer durante o carnaval para os moradores dos bairros Maciel-Pelourinho.

 

Deste bloco carnavalesco, surgiu a banda Olodum que, através de seus ritmos, busca uma conexão com a ancestralidade africana. Os seus primeiros álbuns – Egito, Madagascar e Faró – são homenagens à cultura da África.

 

Na década de 1990, Michael Jackson, o rei do pop, levou o logo do Olodum para o mundo quando gravou o clipe de They don’t care about us com uma blusa e alguns integrantes do grupo.

 

O grupo também faz algumas apresentações e é possível participar de alguns ensaios. Além disso, eles têm uma lojinha onde é possível encontrar artigos confeccionados por eles.

Ilê Aiyê

Outro grupo que merece uma visita é o Ilê Ayê. Fundado em 1974, foi o primeiro bloco afro de Salvador e surgiu no bairro do Curuzu, um dos que mais têm negros, não apenas em Salvador, mas em todo o país.

 

Com homenagens às raízes africanas, o grupo também relembra algumas das revoltas negras que aconteceram em território nacional. Eles têm como objetivo difundir e preservar a identidade afro-brasileira.

 

A sede do grupo é a Senzala do Barro Preto e, assim como o Filhos de Gandhy e o Olodum, pode ser visitada pelos turistas em todas as épocas do ano, não apenas no carnaval.

 

Viu só como a Bahia tem muita música boa para ser conhecida?

Comentários

Notícias relacionadas