Piracicaba Variedades 

Game of Thrones é tema de pesquisa na Unimep

A série Game of Thrones chegou a sua oitava e última temporada e se consolida como um dos grandes sucessos de público no mundo todo, inclusive no Brasil. Na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), é tema de estudo desde agosto de 2018. Uma pesquisa de iniciação científica, coordenada pelo professor Glauco Toledo, do curso de Cinema e Audiovisual analisa a produção em relação a características como canonicidade, espalhabilidade e perfurabilidade na comparação com os livros que originaram a série.

O interesse de Toledo pelas séries e, especificamente, por Game of Thrones, existe há vários anos. Ele explica que a ideia do projeto surgiu como um complemento de sua tese de doutorado, que já desenvolveu, durante quatro anos, e foi concluída também neste mês. “Na tese já verifiquei o que eu queria e na iniciação científica estamos construindo juntos o caminho para encerrar essa parte da pesquisa”, conta ele.

A série de TV Game of Thrones, exibida pelo canal HBO, é uma adaptação da série de livros “As Crônicas de Gelo e Fogo” – que possui cinco volumes – do autor George R. R. Martin. É nesse contexto que a canonicidade se encaixa, pois se aplica a obras que são derivadas de livros. “O cânone é um conjunto de textos oficiais. Se o texto obedece aos preceitos que estão no livro, então é canônico”, explica o professor. “Se o texto inventa coisas que não estão presentes e que não fazem sentindo naquele universo, ele não é mais canônico”, completa.

Além disso, Toledo também esclarece que a canonicidade não precisa apenas se limitar aos livros. “Por exemplo, os textos da bíblia católica formam um cânone da realidade da religião. Se eu resolver transformar alguém em santo e que não esteja na bíblia, eu vou canonizá-lo, e então, o santo passará a fazer parte do conjunto oficial”, exemplifica.

A pesquisa teve início em agosto de 2018, com o recém-formado e bolsista Felipe Eduardo Amaral, que foi substituído por Thamires Rodrigues, os dois alunos de Cinema e Audiovisual, em 2019. Em relação à espalhabilidade, Thamires  comenta que a característica está relacionada ao público que assiste à série. “Essas pessoas são as mais propensas a espalhar notícias do diálogo que está ou não fazendo sentindo com o livro. Elas veem algo e espalham, postam ou compartilham em algum lugar”, comenta.

A espalhabidade também se refere às teorias de conspirações e aos famosos memes, nesse caso, relacionados aos personagens. “A obra permite muitas teorias. Ela tem bastante espalhabilidade porque possui várias lacunas que estimulam os fãs a quererem completar e divulgar”, explica Toledo.

O impulso de pesquisar sobre o conteúdo, de reassistir ou reler, acreditar que não prestou atenção ou deixou algo passar despercebido e até mesmo a procura de spoilers, é o que se chama de perfurabilidade. “Quando um personagem morreu, todo mundo ficou desesperado. A primeira coisa que fizeram foi correr no livro para saber se ele realmente morria”, relata o professor. “Os fãs observaram o ator que interpreta o personagem para saber se ele cortava ou não o cabelo, porque se ele cortasse, era um indício de que ele não participaria mais da série”, completa.

A série 

O conhecimento e a discussão sobre as séries também estão presentes em outras iniciativas pensadas para os alunos de Cinema e Audiovisual da universidade, como o programa “Série Clube”, que é coordenado pelo professor Glauco. O projeto, que é aberto ao público, consiste na exibição e debate de episódios pilotos de séries. Acontece toda quarta-feira, das 7h55 às 9h20, no auditório verde do Campus Taquaral.

O Série Clube também gerou o programa “Série Clube Cliffhangers”, da TV Unimep, mas sem a exibição dos episódios e spoilers, que é produzido com a participação de alunos de Rádio, TV e Internet e de Cinema e Audiovisual da universidade.  O programa pode ser acompanhado nos canais da Vivo TV, no canal 13 da NET e YouTube.

Texto: Fernanda Rizzi (Agência Inova Ciência)

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