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Dia do Humorista: profissionais transformam dramas cotidianos em risos

Funarte e Cinemateca Brasileira mantém acervo com biografias e filmes de alguns dos mais respeitados comediantes do país, como Mazzaropi, Oscarito e Derci Gonçalves

 

Ônibus atrasado, contas no fim do mês, a relação com os colegas de trabalho, a conjuntura política, nenhum tema é evitado pelos humoristas, profissionais que transformam dramas cotidianos em risos e cuja atividade profissional é celebrada nesta sexta-feira (12 de abril). A data foi criada em homenagem ao dia de nascimento de um dos maiores humoristas do Brasil, o cearense Chico Anysio.

“O comediante mostra muitas vezes aquilo que as pessoas não querem ver. As pessoas se veem no palco e enxergam um retrato da sociedade de uma forma satirizada, cômica, o que faz com que a pessoa ria dela mesma”, afirma a atriz Adriana Nunes (Foto: Acervo pessoal)

Precursora de uma geração de humoristas que ganhou os palcos brasilienses, a atriz Adriana Nunes, da companhia Os Melhores do Mundo, destaca que o humor tem importância muito grande desde o início do teatro. “O comediante mostra muitas vezes aquilo que as pessoas não querem ver. As pessoas se veem no palco e enxergam um retrato da sociedade de uma forma satirizada, cômica, o que faz com que a pessoa ria dela mesma”, afirma.

Para Adriana, a geração de humoristas da qual ela faz parte foi claramente influenciada por Chico Anysio, Os Trapalhões, Dercy Gonçalves e Monty Python (grupo de comédia britânico). “O que eles trouxeram para o humor foi muito importante. Ao mesmo em que nós somos relevantes para aqueles que vieram depois, como os comediantes de stand-up, as novas companhias de comédia”, destaca.

Expoente da nova safra de comediantes de stand-up, Bruno Motta é redator de humor da Globo e mantém um canal no YouTube com quase 198 mil inscritos. Para ele, o humorista tem um papel quase jornalístico e a função da comédia é, às vezes, ir aonde o jornalismo não pode. “Quando fazemos uma piada, chocamos dois fatos. Colocar um pouco de crítica ou de ironia faz as pessoas pensarem sobre um determinado acontecimento. Ou mesmo para fazer uma denúncia, que, não raro, está no meio de uma piada”, pondera.

 

Para Bruno Motta, o humorista tem um papel quase jornalístico e a função da comédia é, às vezes, ir aonde o jornalismo não pode (Foto: Acervo pessoal)

Bruno acredita que, por precisar apenas de um comediante e de um microfone, o stand-up foi a novidade de fazer um humor muito democrático. “O stand-up se abrasileirou porque fala de assuntos que todos querem ouvir. Além disso, inovou quando trouxe para a pauta as menores e as maiores coisas em tom de comédia. A gente acaba denunciando comportamentos do cotidiano e também do que está sendo debatido no Brasil”, observa.

Brasil, um país de memória

Vinculada ao Ministério da Cidadania, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) mantém o acervo Brasil, um país de memória, que traz biografias de alguns dos mais respeitados atores do país. É possível acessar, por exemplo, histórias de Oscarito, Dercy Gonçalves e Ankito, entre outros comediantes históricos do Brasil.

Localizada em São Paulo, a Cinemateca Brasileira também traz em seu acervo filmes de humoristas como Mazzaropi e outros clássicos da cinematografia brasileira. A Filmografia Brasileira (FB) reúne, organiza e disponibiliza informações sobre toda a produção audiovisual produzida no país desde 1897 até os dias atuais.

Dia do humorista

“Sorrir é, e sempre será, o melhor remédio”, afirmava Chico Anysio, ator, locutor, roteirista, comentarista de futebol e um dos maiores comediantes brasileiros. Nascido em Maranguape, no Ceará, criou mais de 200 personagens, entre os quais Alberto Roberto, Pantaleão, Justo Veríssimo e Bozó. Foi responsável por programas icônicos da televisão brasileira, como Chico Total, Chico Anysio Show e A Escolinha do Professor Raimundo. O trabalho do ator influenciou gerações de comediantes brasileiros. Em 2000, Chico Anysio recebeu uma homenagem que o colocava entre os 20 brasileiros vivos mais importantes do século. Faleceu em 23 de março de 2012.

Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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