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A difícil tarefa de reconhecer a nossa culpa diante do erro

Ioná Piva


“Desculpe-me, eu errei. Estou mal, a culpa é minha!” Com que frequência você pronuncia essas frases? Sabemos que admitir um erro ou reconhecer uma falha é difícil!

Somos preparados para ganhar, ter sucesso, mas pouco nos dispomos ao fracasso. Em casa ou no trabalho, reconhecer as limitações e assumir as consequências de um ato falho é para os fortes e corajosos. Normalmente, agimos na defensiva, justificando tais ações com argumentos cansativos ou transferindo a culpa para os outros. Mas tal atitude é muita energia gasta de forma errada, gerando danos físicos e mentais.

Há um medo do apontamento, de perder o conquistado, um medo do julgamento alheio, de parecer-se vulnerável. Mas afinal, quem nunca errou?

Algumas situações que já acompanhei pela imprensa me fazem crer no ser humano ético e sincero. Uma delas foi ver um árbitro reconhecer que errou ao punir um jogador com cartão. Ele admitiu para os jornalistas, em rede nacional, com lágrimas nos olhos, temendo a punição que receberia. Também a de um jogador de futebol que livrou o adversário de uma penalidade injusta, admitindo a própria falha. 

Outro motivo de surpresa: numa importante premiação do cinema, ocorreu uma confusão na hora da entrega de um dos prêmios principais. No outro dia, a pessoa responsável pelo equívoco estava falando com toda a imprensa, explicando o acontecido, expondo-se, sem fugir das responsabilidades que lhe cabiam.

Essas são atitudes raras em nosso cotidiano! Exemplos de que a melhor saída para os erros é enfrentá-los e não querer escapar a todo custo. Acostumamo-nos tanto com o errado, que fazer o certo causa espanto ou até mesmo serve de chacota entre os mais próximos. Como se o mundo fosse dos espertalhões, que não passam de tolos querendo tirar vantagem de tudo e de todos.

Numa atitude de impulso ou até mesmo de defesa, é mais fácil desviar-se ou apontar para o próximo. Encarar as próprias falhas é um processo dolorido e de crescimento, que pode gerar bons frutos como um novo cargo, a liderança de um projeto, a empatia de um chefe e o respeito da família. Trata-se de um exercício de humildade, de autoconhecimento e uma oportunidade para ressignificação de nossas atitudes e encontro de novos caminhos.

Afinal, não nascemos completos nem preparados. Passamos por aprendizados, mudanças que nos trazem novas lições. Situações inesperadas podem ser enfrentadas com clareza e verdade, basta estarmos abertos para entendermos os ciclos. Caso você se identifique nesta condição, aproveite a chance para refletir e tentar melhorar. A transformação está em nós e não nas pessoas ou coisas.

Mantenha-se numa postura transparente, sem esconder seus pontos fracos perante os demais. Julgar-se autossuficiente pode ser uma armadilha para sua evolução. Somos humanos em busca de melhorias, sempre!

Ioná Piva é professora da Faculdade Canção Nova (Jornalismo e Rádio e Televisão). Mestre  em Comunicação Social pela linha de pesquisa Inovações Tecnológicas na Comunicação Contemporânea

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