1ª etapa do CriAtividade e EA é concluída. Agora, projeto vai a campo

‘Cardápio de aprendizagem’ é cocriado para construção de escolas e sociedades sustentáveis

 

Com todas as atividades socioambientais apresentadas por seus respectivos grupos ontem (11), no NEA (Núcleo de Educação Ambiental) de Piracicaba (SP), o Projeto CriAtividade e EA (Educação Ambiental) concluiu sua primeira etapa de trabalho. Agora, as propostas desenvolvidas coletivamente vão compor um cardápio de a prendizagem, que visa a construção de escolas e sociedades sustentáveis na região.

Com realização da Oca – Laboratório de Educação e Política Ambiental da Esalq/USP, Programa Ponte, IEMA (Instituto de Educação e Meio Ambiente) e Iandé, o projeto foi organizado em quatro encontros, de oito horas cada. Seu conteúdo estimulou a reflexão crítica e o diálogo em oficinas com metodologias participativas, sobre: construção de escolas e sociedades sustentáveis, temáticas problematizadoras socioambientais  – como agroecologia e consumo -, potencialidade de atividades artísticas, participação social e autoconhecimento.

“Esse quarto e último encontro focou na apresentação das atividades cocriadas e na celebração de todos os aprendizados. Foi um dia que fortalecemos a importância da postura lúdica e artística em processos educadores ambientalistas, tanto na teoria quanto na prática. Sete grupos apresentaram suas propostas para construção de escolas e sociedades sustentáveis em nossa região. Agora, o papel dos organizadores do projeto é revisá-las e sistematizá-las, bem como fazer uma publicação e disponibilizá-la para todos os interessados”, afirmou a representante da Oca, Rachel Trovarelli.

A presidente do IEMA, Ana Lúcia Maestrello, formatou o Projeto Literatura Socioambiental – premiado em âmbito nacional como Prática Significativa de EA – como atividade, só para integrar o cardápio de aprendizagem. “Também colocamos à disposição do CriAtividade nossos conhecimentos em Linguística e Comunicação Social, que colaboraram nos processos educativos e de divulgação dos trabalhos”, ressaltou Ana.

“Temos pensado demais, sentido pouco e agido cada vez menos. Nossa expressividade e capacidade criativa têm sido minadas pelos atuais modelos mentais, que já não servem para o mundo em que vivemos. Precisamos revelar nossa postura lúdica, que possibilita maior sensibilidade, improvisação e entrega para obras de impacto social e ambiental”, apontou a gestora da Iandé, Karine Faleiros, em sua palestra sobre “Arte, ludicidade e educação”, dessa quarta-feira.

As atividades do cardápio foram elaboradas por atores de redes estudantis, entidades, empresas, setor público e coletivos da sociedade civil. “Pretendemos contribuir com o empoderamento dos participantes. Essa foi só mais uma etapa de um longo e gratificante processo de transformação de espaços e relações, que propõe o campo da Educação Ambiental”, disse Rachel.

O 4º Encontro

A última edição do projeto também apresentou os critérios para publicação das atividades: possuir cunho socioambiental; promover a participação, autonomia, respeito e diversidade; não reproduzir preconceitos, violência, opressões e gestão autoritária. “Vale lembrar que os revisores têm autorização para fazer intervenções, comunicando os autores, que terão oportunidade de aprová-las”, informou Giuliana do Vale Milani, do Programa Ponte, que apresentou um modelo de cardápio, comparado ao menu de um restaurante, para o público.

“A atividade que criamos se chama ‘Os 4 elementos’, que trabalha com a alquimia que a natureza nos proporciona, para estimular a capacidade criativa dos alunos, num espaço que deve valorizar todas potencialidades de uma criança”, comentou o autônomo Charles Burse, recordando os momentos artísticos dos encontros anteriores: “já fomos recepcionados com música, depois contemplamos poesias e ainda dançamos juntos – tudo que nos agrada, mas, especialmente, às crianças”.

Professora da Rede Municipal de Ensino de Jundiaí (SP), Fernanda Bianchini Cezar cocriou o “Estamos Combinados”, que oferece atividades para o ambiente escolar, estimulando a participação coletiva. “Em oficinas, jogos, entre outros trabalhos de classe, será possível desenvolver a autonomia dos estudantes, para lidar com a indisciplina e o desinteresse de alguns deles pelas aulas”, explicou a educadora.

“É claro que o início foi cheio de expectativas, mas as falas provocadoras e experiências apresentadas ao longo do projeto contribuíram muito com o nosso trabalho, mais por estimular a colaboração e a ludicidade. Desenvolvemos a atividade ‘Água e Saúde Pública’, que é voltada aos agentes comunitários de saúde, pessoas tão importantes para as escolas e seu entorno, por isso acredito que nossa proposta vai de encontro com os objetivos do projeto”, destacou a bióloga Elizabeth Silveira Nunes Salles.

Diferentemente dos outros três participantes, Bárbara Maria de Albuquerque Pessoa pretendia acompanhar somente a primeira edição do CriAtividade e EA, mas se encantou com o projeto e ajudou a criar uma importante atividade. “Só iria vir no primeiro, por curiosidade mesmo. Queria saber o que era esse tal ‘cardápio de aprendizagem’ e entender mais sobre a ‘utopia de criação de escolas sustentáveis’. Foi então que a proposta me tocou, a partir das palestras inspiradoras, e resolvi participar dos outros três encontros”, recordou a administradora.

“Meu grupo criou um ‘Metacardápio’ para ser usado nos espaços educadores, que possibilitará a construção coletiva de outras atividades em sala de aula, condizentes com a realidade da comunidade escolar. Esperamos que uma unidade de ensino se interesse pelo nosso projeto, para fazermos dela uma escola sustentável, de fato”, reforçou Bárbara.

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