Você sabe do que deve ter medo?

A melhor maneira de esclarecer suas dúvidas de saúde: parar de dar ouvidos aos modismos (e de fazer buscas no Google) e mergulhar nos fatos. Investigamos algumas questões polêmicas para você saber em que acreditar.

Isso porque o que sua mãe lhe ensinou na infância não bate com o que sua amiga leu numa revista, que por sua vez contradiz a receita do seu médico. Para trazer uma luz a esse emaranhado de informações conflitantes, examinamos algumas polêmicas. Assim você pode decidir em quais situações precisa se precaver e em quais pode desencanar.

Eu deveria ter medo de… engravidar após os 35 anos?

Não são apenas as suas amigas que estão postergando a maternidade. Segundo o Censo de 2010, trata-se de um cenário nacional. Do total de bebês nascidos, 31,1% foram paridos por mães acima de 30 anos – em 2000, as balzaquianas respondiam por 27,6% dos partos. Quanto mais alto o rendimento, maior a idade média de fecundidade. Mulheres que ganham mais de cinco salários mínimos por mês engravidam aos 32 anos, enquanto a média nacional é de 27.

A progressão da idade, entretanto, torna cada vez mais difícil obter duas listrinhas no teste de gravidez – a ocorrência de aborto é de 20% aos 35 anos, comparada aos 9% dos 20 anos, informa o periódico British Medical Journal. De acordo com o National Institute of Child Health and Human Development, nos EUA, se a probabilidade de ter um nenê com doenças genéticas é de uma para mil em mulheres de até 30 anos, ela aumenta para uma em 400 aos 35 anos, uma em 180 aos 38 e uma em 105 aos 40.

“O risco cresce, mas continua sendo menor que 1%. Não é preciso ter medo, basta agir com cautela”, afirma Mauricio Simões Abrão, professor associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da USP. Para as futuras mamães com mais de 35 anos, Abrão recomenda uma avaliação pré-gestacional para examinar a presença de doenças concomitantes e a dosagem de hormônios ligados ao funcionamento dos ovários, como o folículo-estimulante (FSH), o luteinizante (LH) e o estradiol, além do antimulleriano (HAM), que dá uma ideia de reserva de óvulos. Para prevenir malformação do tubo neural, aposte na ingestão de 5 mg diários de ácido fólico dos três meses anteriores à gravidez à 12ª semana de gestação.

Eu deveria ter medo de… tomar pílula por muito tempo?

Algumas pessoas acham que ingerir contraceptivo oral é como trabalhar horas no computador: de tempos em tempos é bom fazer uma pausa. Dizem que tomar anticoncepcional por anos gera problemas que vão do câncer à infertilidade. Esqueça. “Não há evidência científica de que cause prejuízo à saúde”, diz Abrão. “Quando os contraceptivos orais foram lançados, nos anos 60, as mulheres demoravam a ovular depois da interrupção. Hoje, com as pílulas combinadas de baixas dosagens, o efeito é o contrário. Os ovários funcionam melhor nos três meses após a pausa e facilitam a gravidez.” O anticoncepcional, porém, pode mascarar doenças como a endometriose – cólicas menstruais e sangramento irregular são sintomas. Mantenha seus exames de rotina em dia.

Eu deveria ter medo de… me submeter a exames de raios x?

Doses mínimas de radiação, como as emitidas durante um exame, não causarão câncer. A quantidade irradiada, por sinal, é menor do que aquela à qual você se submete na natureza (sol, água, pedras, solo). Isso não significa que você deva fazer o exame sem critério. “Converse com seu médico para saber se é mesmo necessário”, afirma a epidemiologista Martha Linet, do National Cancer Institute, nos EUA. Um procedimento que requer atenção redobrada é a tomografia computadorizada. A radiação emitida é centenas de vezes maior que a dos raios x.

Eu deveria ter medo de… consumir adoçantes?

Estudos científicos avaliados pela Organização Mundial da Saúde e pela legislação brasileira estabelecem a quantidade máxima de adoçantes que pode ser ingerida sem oferecer risco à saúde. Segundo a cartilha Adoçantes – Tire Suas Dúvidas, criada em 2011 pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), o limite está muito além do que habitualmente consumimos. Para uma adulta de 60 kg, por exemplo, é de 60 sachês de 1 g de aspartame por dia.

Alguns tipos de adoçante não são recomendados a portadores de doenças específicas: o aspartame é contraindicado para quem tem fenilcetonúria, doença genética em que o organismo não metaboliza nem elimina a fenilalanina, enquanto a sacarina e o ciclomato não devem ser consumidos por hipertensos. Fique atenta também se você sofrer de enxaqueca e fadiga crônica. “Nesses casos, excluímos do cardápio alimentos com químicas e conservantes, que podem disparar crises”, afirma David Edelberg, professor do Rush Medical College, nos EUA. Retire os adoçantes do cardápio por um mês. Se ao reintroduzi-los na dieta os sintomas reaparecerem, você é uma vítima em potencial. Considere adoçar seu café com açúcar verdadeiro. “Pequenas quantidades não farão tanta diferença na ingestão calórica.”

Eu deveria ter medo de… quebrar meus ossos?

Sim, apesar de 70% das 2 mil brasileiras ouvidas pela Pesquisa Firme e Forte Osteoporose 2012 acreditarem que não há motivo para prevenir a osteoporose na juventude e que os cuidados devem começar somente a partir dos 40 anos. Na verdade, quanto mais cedo você se preocupar com seu esqueleto, melhor – o pico de massa óssea ocorre por volta dos 25 anos e entra numa curva descendente a partir dos 30. A perda pode ser causada por questões hormonais, sedentarismo, doenças crônicas, alimentação pobre, tabagismo e consumo de álcool. Prevenção é o melhor remédio. “Três vezes por semana pratique exercícios de impacto que usam a força gravitacional, como corrida e dança. Eles aumentam a massa óssea”, recomenda Marcelo Pinheiro, chefe do Ambulatório da Osteoporose da Unifesp. E cumpra sua taxa diária de consumo de cálcio – a pesquisa revelou que 60% das mulheres não ingerem as três porções de leite e derivados indicadas contra osteoporose.

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