24Horas Santa Bárbara d´Oeste

Rolezinho deve chegar às ruas, dizem especialistas

Estudiosos acreditam que movimentos sociais vão tirar jovens dos shoppings, principalmente perto da Copa

Eles não são manifestantes, não têm ambições políticas, mas têm grande poder de mobilização popular e estão protagonizando um fenômeno novo em muitas cidades do Brasil: os rolezinhos. Segundo especialistas, a tendência é que o movimento, que começou nos shoppings, ganhe as ruas, graças à reação dos empresários do setor e da polícia.

Movimentos sociais, como o MTST, dos trabalhadores sem-teto, e Uneafro, que reúne cursos comunitários, em São Paulo, já realizaram manifestações em apoio aos jovens em shoppings de São Paulo. Esses movimentos acusam os shoppings de praticar discriminação racial e social, ao obterem liminares para impedir a entrada e circulação dos jovens. Até mesmo a presidente Dilma Rousseff se disse “preocupada” com a politização dos rolezinhos.

Para Pedro Fassoni Arruda, cientista político e professor da PUC-SP, a presidente tem razão em estar preocupada porque a tendência é mesmo que os rolezinhos cresçam, englobem outras demandas e ganhem as ruas, assim como aconteceu com as manifestações de junho de 2013.

“Os rolezinhos não têm mais o proposito de ficar e beijar porque diante da violência policial e do fechamento dos shoppings, esses grupos de manifestantes começaram a acusar os estabelecimentos de adotarem práticas discriminatórias. Vejo que essas manifestações vão crescer e englobar mais pautas e podem até sair dos shoppings e voltar para ruas”, diz.

Arruda lembra que no ano passado, o Movimento Passe Livre (MPL) iniciou as manifestações para reverter o aumento de R$ 0,20 na tarifa do transporte público, em São Paulo. Os protestos ganharam outras pautas e se espalharam pelo País.

Segundo Cláudio Couto, professor de Ciências Politica do curso de administração pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os rolês ganharam um “caráter político” graças ao tratamento que receberam dos shoppings.

“O rolezinho em si não tem uma finalidade política, mas pode ter uma consequência política. Os shoppings conseguiram politizar uma coisa que não tinha essa concepção inicial”, afirma Couto, que diz acreditar que os rolezinhos ganharão as ruas. “Mas não com a dimensão que teve em junho”, diz.

 Eduardo Oyakawa, professor de filosofia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), diz que as ruas vão voltar a receber manifestantes, principalmente, perto da Copa do Mundo.

“Esse poder de aglutinação encanta os jovens. Eles querem as ruas, querem participar da coisa pública de alguma maneira e querem ser vistos e admirados.”

No entanto, ele afirma que os rolês não têm demandas sociais embutidas e os movimentos sociais estão tentando se apropriar dessa repercussão.

“Os rolezinhos não são manifestações sociais. Esses jovens querem se divertir. Mas os movimentos sociais querem cooptar essa espontaneidade para politizar o movimento de fora para dentro”.

Preconceito

Os organizadores dos rolezinhos se dizem vítimas de preconceito, mas afirmam que o movimento não é político e continuam com o propósito inicial de “conhecer pessoas, beijar, ouvir funk e se divertir”.

“O rolê é mais para um lazer porque não tem nada na favela. Nós temos muitas fãs no Facebook e organizamos os rolezinhos para encontrá-las. Outras pessoas mesmo que não sejam famosas queriam fazer também e isso foi se espalhando”, diz o estudante Deivid Santana, 18 anos, que tem quase 60.500 seguidores no Facebook.

Santana é morador do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, e organizou os primeiros rolezinhos do shopping Itaquera (zona leste) e do Campo Limpo (zona sul), em dezembro do ano passado.

Surpreso com a repercussão dos rolês, ele já mudou o endereço dos encontros por causa do “preconceito”. No último sábado (18) ele reuniu cerca de 50 adolescentes no Ibirapuera, parque da zona sul. Outro evento convocado por ele para o próximo fim de semana no mesmo local tem 3.000 confirmações.

Para ele, a reação dos shoppings e da polícia é exagerada. “É preconceito achar que todo favelado é ladrão. A gente vai curtir porque não temos espaço público”, diz.

Morador de Tiquatira, na zona leste, o metalúrgico Augusto Alves Gondim, de 16 anos, que reuniu 300 pessoas em evento organizado no shopping Tatuapé, na mesma região, acusa os grupos sociais de se apropriarem dos rolezinhos. “O movimento não tem nada de político. O jovem quer curtir, tumultuar, quer sair, que se divertir. Nem eu, nem meus amigos estamos preocupados com protestos”.

 

IG

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Redação
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