Repaginados, eletroportáteis ganham cada vez mais espaço e puxam as vendas do varejo

Inovações mudam a cara dos utensílios domésticos e miram na tendência culinária da geração Z

Os brasileiros nunca estiveram tão ávidos por culinária – prova disso é o sucesso inquestionável de realities e talent shows gastronômicos que dominam a tv, tanto nos canais abertos quanto pagos. Pegando carona nessa tendência, cada vez mais marcas têm investido em serviços e produtos voltados para esse público, trazendo soluções para os maiores problemas do cotidiano: a falta de tempo e/ou habilidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam, inclusive, que aparelhos como liquidificadores, fritadeiras e outras utilidades domésticas foram os responsáveis por preservar os índices positivos dos eletrodomésticos no varejo que, apesar de terem encolhido 0,1%, contaram com o bom desempenho dessa categoria – os eletroportáteis tiveram um crescimento de quase 6% nas vendas do primeiro semestre de 2017.

De olho no relógio, na balança e no bolso.

Se nas atrações culinárias o principal inimigo dos participantes é o tempo, a máxima não é diferente para os espectadores – com a rotina cada vez mais corrida, não sobra tempo para vigiar as panelas ou se dedicar a receitas complexas. A resposta do mercado? Eletroportáteis praticamente autônomos, capazes de cozinhar sem supervisão. E se apoiarem o estilo saudável, melhor – é o que afirma Ricardo Carvalho, gerente do e-commerce da Polishop “Produtos que permitam uma alimentação mais saudável também são uma tendência e não se restringem ao público fitness, cada vez mais donos e donas de casa buscam soluções que propiciem um cardápio mais leve”. Dados da varejista, uma das pioneiras na oferta de fritadeiras elétricas sem óleo, apontam que as vendas da famosa panela cresceram 117% após seu lançamento; já sua nova aposta – um liquidificador turbo, ideal para receitas fit, cresceu nada menos que 86% no último ano.

Porém, por mais inovadores que sejam tais produtos, a razão para o atual bom desempenho no varejo é, sobretudo, o preço mais atrativo – pelo menos se comparado com os produtos da linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar). Em tempos de crise, tais aparelhos não tem sido apenas uma alternativa para renovar a casa sem gastar acima do orçamento, mas também têm alavancado as vendas do comércio eletrônico: segundo a 36ª edição do relatório Webshoppers (Ebit/Buscapé 2017) os eletrodomésticos ocupam o segundo lugar no ranking de faturamento das lojas virtuais brasileiras, com share de quase 20%.

Geração Z moldando o mercado

Com a chegada da geração Millenials – os jovens entre 18 e 34 anos – até as bancadas de cozinha (seja por interesse ou por necessidade) é natural que o mercado precise se adequar a um público superconectado. Para uma geração que nasceu ou cresceu no boom da era digital, a forma de consumir conteúdo mudou: de acordo com uma pesquisa realizada pelo Google em parceira com a Millward Brown Digital e a Firefly, esses são os maiores consumidores de conteúdo culinário em plataformas como o Youtube. O estudo sinalizou que no período entre 2013 e 2014, as visualizações de receitas e demais vídeos sobre alimentação cresceu 59% e o engajamento – compartilhamentos, comentários e curtidas – subiu quase 120%.

Internet das coisas

Para Rafael Pilat – especialista em Marketing Digital, os hábitos de consumo desse público têm influenciado, inclusive, a forma como o varejo oferece tais produtos “Atualmente, o conteúdo digital, como canais de receitas, e-books e, até mesmo, aplicativos exclusivos são uma extensão dos aparelhos, pois, muitas vezes, a proposta é tão inovadora, que os consumidores não fazem ideia de como explorar todo o potencial do eletroportátil. Se o método tradicional era, por exemplo, usar óleo em boa parte das preparações, como saber se é possível preparar uma determinada receita sem o ingrediente? Essas estratégias vão muito além do “substituir o manual de instruções”, pois estimulam engajamento e até mesmo a “descoberta” de mais possibilidades – os usuários compartilham receitas entre si, fazem suas próprias adaptações e assim agregam, espontaneamente, valor ao produto”.  – afirma.

Segundo o coordenador da Polishop, as plataformas digitais são fundamentais nesse processo, através de suas redes sociais, a varejista impacta mais de 7 milhões de pessoas por mês; no Youtube, são mais de 5 milhões de visualizações somente nesse ano. Para Pilat, esse comportamento sinaliza, inclusive, quais os próximos passos a serem dados pelos fabricantes “O caminho é oferecer, cada vez mais, integração e inteligência digital – conceito conhecido como “internet das coisas” – para atender a demanda desse público. Acessar conteúdo como receitas do próprio eletroportátil, fazer uma lista digital de compras e, cada vez mais, permitir a conexão com outros aparelhos, como smartphones, por exemplo. Tudo isso, claro, procurando mantê-los acessíveis aos consumidores e competitivos no varejo” – finaliza.

Fonte: Polishop