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Os efeitos do Diabetes na saúde bucal: Saiba como identificar e tratar

Na próxima quarta-feira, dia 14, é celebrado o Dia Mundial do Diabetes, doença que além de provocar problemas oftalmológicos, hepáticos, arteriais, vasculares e coronarianos, também interfere de forma intensa na saúde bucal.

 

Dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que 16 milhões de brasileiros sofrem com as consequências do diabetes. Ainda segundo o levantamento, a taxa de incidência da doença cresceu 61,8% na última década. No Brasil, em torno de 50% das pessoas que possuem a doença ainda não têm o diagnóstico.

 

De acordo com o cirurgião-dentista, Carlos Cordeiro, pessoas com diabetes têm um risco 2,5 vezes maior de apresentar doenças bucais do que pacientes sem a doença. “Ao elevar os níveis de glicose na saliva e diminuir o seu fluxo, o diabetes contribui para a proliferação de bactérias, que por sua vez, acabam causando ou intensificando doenças e condições como a gengivite, periodontite, mau hálito, boca seca, cicatrização morosa, Síndrome de Ardência Bucal (SAB), distorção ou diminuição do paladar e candidíase”, explica.

Carlos Cordeiro aponta que o aumento da placa bacteriana nos dentes pode ocasionar a inflamação, inchaço, vermelhidão e dor na gengiva, que ao longo de uma escovação pode apresentar um sangramento significativo. “Estas ocorrências na gengiva são os principais sintomas da gengivite, que se não for tratada, pode evoluir para a doença periodontal. Caso o quadro da periodontite tenha uma piora, a gengiva e os ossos que dão estrutura aos dentes podem ficar comprometidos e o paciente pode ter sua gengiva retraída. Por fim, essa compressão gengival pode expor a raiz dos dentes, torná-los mais sensíveis e moles, podendo até causar a perda dos mesmos”, esclarece.

O dentista ressalta que a diminuição do fluxo salivar em pessoas com diabetes também pode propiciar o surgimento de cáries, impedir o encaixe adequado de próteses dentárias e acarretar infecções fúngicas ou a candidíase oral. “A propagação de fungos se caracteriza pela presença de manchas sensíveis ou ulceradas de tom avermelhado ou branco na língua, face interna das bochechas, céu da boca, gengiva, amídalas e parte posterior da garganta. Esse tipo de contaminação pode gerar uma sensação de queimação na boca, dificuldade de deglutição e alteração e ou redução do paladar. Lembro que pessoas diabéticas que são fumantes possuem maior propensão a desenvolver fungos no interior da boca”, afirma.

Para conservar a saúde dos dentes e gengiva de pessoas diabéticas, o dentista orienta que o ideal é que estes indivíduos mantenham o equilíbrio do nível de glicose no sangue. “Assim como para todas as pessoas, os diabéticos devem escovar os dentes e a língua após a cada refeição e fazer uso do fio dental ao menos uma vez ao dia. Entretanto, para que o paciente com esta condição cuide de sua saúde dental de forma ainda mais assertiva, é preciso que ele estabilize a porcentagem de açúcar no sangue. Isso pode ser alcançado por meio da adoção de hábitos saudáveis diários como uma alimentação regrada e balanceada, a prática de exercícios físicos, e a suspensão do consumo de bebidas alcoólicas e fumo”, recomenda.

No entanto, Carlos Cordeiro também ressalta que é de grande importância que os pacientes tomem a medicação nos mesmos horários todos os dias, verifiquem a taxa de glicose no sangue cotidianamente e fiquem alertas ao surgimento de manchas, lesões, cortes e inchaços no corpo ou dor nas unhas dos pés. Caso haja alguma alteração, é preciso que o paciente procure por seu médico imediatamente.  “O diabético deve procurar atendimento odontológico ao menos duas vezes ao ano para fazer a limpeza e exame de sua gengiva e carga dentária. A visita ao dentista também deve servir para a orientação sobre a melhor forma de escovação e uso o fio dental”, aconselha.

 

Por fim, Cordeiro sugere que após algum tratamento dentário, o paciente diabético procure saber com o seu dentista quais são as principais indicações para a recuperação de lesões, que eventualmente, podem surgir durante os procedimentos. “Para a boa cicatrização da boca, o paciente deve procurar pela orientação sobre o número de horas ou dias que deve permanecer sem mastigar, assim como saber o que pode ser ingerido ao longo desse processo”, conclui.

 

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