Município de Piracicaba atua contra obesidade infantil

Piracicaba tem desenvolvido ações intersetoriais, principalmente com a Secretaria Municipal de Educação

 

A obesidade infantil foi tema de encontro organizado pelo Ministério da Saúde, em Brasília, no mês de março deste ano. O Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil traz números preocupantes acerca do tema, já que no país, um em cada três meninos e meninas, entre 5 e 9 anos, apresentam excesso de peso. Na América Latina, sobrepeso ou obesidade em crianças, de 5 a 11 anos, varia entre 18,9% a 36,9%.

Em Piracicaba, uma pesquisa desenvolvida pela Coordenadoria de Programas de Alimentação e Nutrição (CPAN) em 2016, dentro do projeto Piracicaba com Saúde, mostra o cenário envolvendo crianças de escolas municipais, menores de 5 anos: 23,97% tem risco de sobrepeso; 7,37% já estão com sobrepeso e 2,24% são obesas. Segundo esses números, 33,58% desse público menos de 5 anos da rede municipal, estão com excesso de peso.

Já na faixa entre 5 e 11 anos, 18,47% tem sobrepeso, 10,98% são obesas e 5,24% tem obesidade grave, ou seja, 34,59% das crianças de 5 a 11 anos da rede municipal apresentam excesso de peso.

Piracicaba apresenta dados de excesso de peso dentro dos parâmetros encontrados em nível de Brasil. Apesar disso, tem desenvolvido ações intersetoriais, principalmente com a Secretaria de Educação, por meio dos Departamentos de Educação Infantil e Divisão de Alimentação e Nutrição. O objetivo é conter o aumento da obesidade, visto que o próprio Ministério da Saúde coloca isso como meta, entendendo que a redução desse problema não está atrelada apenas ao âmbito da saúde, pois envolve publicidade de alimentos, regulação para comercialização de produtos com alto de teor de açúcar, por exemplo, e políticas públicas voltadas à essa questão.

CUIDADOS EM CASA – Um dos fatores que chamam a atenção vem de uma pesquisa realizada em 2014, também pela CPAN, com crianças da rede municipal. A pesquisa levou em conta crianças que estudam em período parcial e em período integral. Enquanto o excesso de peso do público que estuda em período integral é de 29,3%, no período parcial é de 45,11%. Ou seja, crianças que frequentam período integral na escola, com alimentação balanceada, sofrem menos com sobrepeso do que as que frequentam a escola em período parcial. Logo, pais e cuidadores devem estar atentos ao que as crianças consomem em casa.

Vale lembrar que em outro trabalho, realizado em 2015 com 83 crianças de 6 a 23 meses incluídas no programa Viva Leite, mais da metade (57,8%) consumiu pelo menos um alimento ultraprocessado um dia antes da entrevista. Dentre ele, o mais consumido foi bebida adoçada, como por exemplo, refrigerante, suco em pó ou de caixinha.

Márcia Cardoso, coordenadora do CPAN, observa que a alimentação de boa qualidade oferecida nas Escolas de Ensino Infantil de Piracicaba, à base de alimentos naturais e minimamente processados, sem produtos ultraprocessados como embutidos, doces, guloseimas, sucos artificiais, entre outros, deveria ser exemplo e “copiado” na alimentação de casa. Infelizmente não é o que vem sendo observado devido à falta de informação, influência da mídia e praticidade de alguns produtos que acabam levando a família a consumir esses tipos de alimentos que são ricos em sal, açúcar e gordura e muito prejudicial à saúde da criança.

Pesquisa de 2014

Obesidade

  • Parcial: 4,88%
  • Integral: 2,21%

Sobrepeso Excesso de Peso

  • Parcial: 10,95% – Parcial: 45,11%
  • Integral: 5,99% – Integral: 29,3%

Risco de Sobrepeso

  • Parcial: 29,28%
  • Integral: 21,10%

 

PROGRAMAS NO MUNICÍPIO – Em Piracicaba há vários programas que atuam na redução da obesidade.

Piracicaba com Saúde é desenvolvido pela CPAN desde 2014, em parceria com a Secretaria de Educação e Departamento de Atenção Básica. Promove alimentação saudável envolvendo, inclusive, capacitação para professores, agentes comunitários de saúde e agentes escolares. Já recebeu vários prêmios do Ministério da Saúde.

10 Passos para a Alimentação Saudável são ações intersetoriais em que equipes do CPAN capacitam as unidades de saúde para ampla divulgação da alimentação saudável para que a população tenha acesso a essas informações.

EAAB – Estratégia Amamenta, Alimenta Brasil visa introduzir a alimentação saudável a fim de diminuir o consumo de processados e ultraprocessados precocemente, por crianças antes de completarem 2 anos.

Programa Saúde na Escola (PSE) é voltado para crianças, adolescentes, jovens e adultos na promoção da saúde e educação integral, com atividades desenvolvidas por profissionais da Atenção Básica.

Romualdo Cruz Filho/CCS

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