Política

Joaquim Barbosa vira ídolo do carnaval

Foto: PEDRO AMATUZZI/SIGMAPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Pacotão, bloco mais antigo do DF, levou às ruas o protesto contra decisão que livrou condenados do crime de quadrilha

A decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de livrar os réus do mensalão do crime de quadrilha fez com que o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, um dos votos vencidos na semana passada, se tornasse um ídolo no desfile do Bloco Pacotão, em Brasília. A reviravolta no julgamento foi considerada uma derrota de Barbosa, que lamentou o resultado: “Hoje é uma tarde triste para o STF”, disse no plenário da Corte.

Há 36 anos, a agremiação faz da crítica política sua principal marca e tem entre seus membros muitos petistas. Mesmo assim, não faltaram faixas criticando a decisão, fantasias de presidiários com máscara dos petistas José Genoino (ex-deputado) e José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil), além de fotos de Barbosa, recebendo beijinhos dos foliões.

No bloco do Pacotão, o médico Jadir Rodrigues Alves leva cartaz de Barbosa. Foto: Luciana Lima/iG Brasília

Com a decisão, o Supremo acabou tirando Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares do regime fechado. Eles passaram a ter o direito de dormir na prisão e passarem o dia trabalhando. “O STF mijou pra tráz (sic)”, dizia uma das faixas.

Do alto do carro de som, procurando manter a rima, o médico Jadir Rodrigues Alves elogiou a postura de Barbosa. “Barbosa quis manter a prisão. Os outros ganharam um dinheirão para liberar o pessoal do mensalão”, cantou.

Jadir Alves ainda sugeriu que Barbosa se candidate. “Sorridente, se cantar hoje, Barbosa será o presidente”, improvisou o médico que trabalha no Hospital de Base, em Brasília, o maior no atendimento público da capital federal.

Quanto aos réus do mensalão, a sentença do bloco foi mandá-los para o presídio de Pedrinhas, no Maranhão. É o que sugere uma das marchinhas cantadas pelo bloco durante o desfile.

Fantasiado de José Dirceu, com roupa listrada e tudo, o folião avisava: “Acabei com o Brasil e agora vou me acabar no Pacotão”, exibia a placa. Sempre ao lado, outro folião, fantasiado de Genoino exibia outro cartaz: “Saí da prisão para dar um rolezinho no Pacotão”.

O bloco é formado principalmente por jornalistas. Lançado em plena ditadura militar, o nome da agremiação faz referência às mudanças nas regras das eleições lançadas pelo então presidente da República Ernesto Geisel.

As mudanças, lançadas em abril de 1977 ficaram conhecidas como “Pacote de Abril”. No ano seguinte ao pacote, o bloco surgiu desfilando sempre pela contramão da avenida W3, na época uma das principais áreas de comércio de Brasília. A ala de cadeirantes do bloco exprimia bem o tom do desfile. “Deficiente de governo”, dizia uma dos cartazes empunhados pelos foliões.

Embora o destaque deste ano tenha sido Joaquim Barbosa, muitos foliões torceram o nariz. No entanto, mantiveram o humor e a principal filosofia do bloco: “É proibido proibir”. “No Pacotão é assim. A gente critica todo mundo que está no poder e quem quer chegar a ele. Não importa em quem a pessoa vote. Pode falar mal de todo mundo”, explicou um dos integrantes do bloco, o jornalista Paulão de Veradeiro.

 

IG

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