Índice de Atividade Econômica aponta mês de agosto como negativo

De acordo com analistas, a queda não compromete a recuperação do mercado

O Banco Central (BCB) divulgou seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) para o mês de agosto, que apresentou queda de 0,38% frente a julho de 2017 (dados dessazonalizados). Segundo os analistas do BCB, após duas altas consecutivas, em junho e julho, esta queda não compromete a recuperação da economia. Neste ano, o IBC-Br acumula alta de 0,31% (dados sem ajustes). Frente ao mesmo período de 2016, o índice de 2017 está 1,46% maior (dados ajustados). Na observação dos componentes do IBC-Br de agosto, apresentaram maior queda os segmentos do comércio, serviços e produção industrial.

 

Já o Monitor do PIB da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta crescimento de 0,2% em agosto de 2017 quando comparado ao mês anterior.  Os resultados apontam para a terceira variação positiva consecutiva do indicador, o que reforça a tese de saída definitiva da crise. Para Cláudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV, o mês de agosto foi bom para a economia, que continuou a crescer devido ao bom desempenho da agropecuária, da construção civil e a formação bruta de capital fixo, que são pilares para uma recuperação mais consistente da economia a média e longo prazo.

 

De acordo Christian Bundt, membro do Comitê Macroeconômico do ISAE – Escola de Negócios, apesar dos dados serem antagônicos, há consenso sobre a queda do IBC-Br não significar perda da capacidade de recuperação da economia e sim uma acomodação dos resultados ao longo do ano. De qualquer maneira, essa recuperação está mais atrelada ao avanço das reformas propostas pelo governo Temer e à continuidade das privatizações. “Esse possível índice negativo, ou mesmo positivo de pequena monta, pode significar que a confiança na capacidade do governo em implementar as reformas está ruindo, e isto não é bom, pois os investidores e empreendedores aguardam o desfecho da eleição para definir investimentos, postergando o bom ciclo econômico”, explica Bundt.

 

Na ponta prática, a equipe econômica do governo federal sinaliza novos estímulos ao comércio e serviços, por meio da liberação do abono de PIS/Pasep, que deve injetar na economia aproximadamente R$ 100 bilhões até o fim de 2018. A projeção é do banco de investimento BNP Paribas, que lembra dos efeitos do pagamento do FGTS inativo em 2017. Ainda neste ano, haverá o impacto da liberação de cerca de R$ 16 bilhões do PIS/Pasep, que deve passar de R$ 20 bilhões até o primeiro trimestre de 2018.

 

Segundo a equipe econômica, o governo pretende localizar e entregar a quem tem direito a receber, mas que desconhecia ou esqueceu o benefício. Se confirmado, a prática será boa e deverá causar efeitos positivos, como o FGTS causou. Entretanto, apesar de positiva e importante, não é uma medida sustentável. Nosso país precisa de incentivo (como fomento) a quem deseja produzir, de onde virão trabalho e renda, bases do ciclo econômico sustentável.