ESPECIALISTAS AVALIAM IMPACTOS DA DEFLAÇÃO

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mede a inflação no Brasil, e em junho teve deflação de -0,23%, como foi informado hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado divulgado é o primeiro em 11 anos no país, e o mais baixo desde o início do Plano Real. Representando uma queda forte com relação a maio, com cerca de 0,31% e comparado com o mesmo mês no ano passado, chegando a 0,35%. O acumulado em 12 meses está em 3%, dado abaixo da meta do governo de 4,5%.

 

Especialistas analisam abaixo os impactos da deflação.

“Os dados divulgados mostram claramente o desaquecimento da economia brasileira dos últimos tempos, e é reflexo além da sazonalidade e principalmente do grupo de preços das despesas domésticas. Vale ressaltar que o governo mais do que nunca agora deverá tomar atitudes como as que vem provocando com a diminuição da taxa de juros a fim de aquecer a economia. Para o Brasil, embora os dados mostrem que há controle sobre a inflação, devemos esperar ainda um 2017 fraco, tendo uma possível retomada de crescimento mais contundente em 2018 já se aproveitando do ciclo de queda de juros que vem sendo feito desde o fim de 2016”, ressalta Pedro Afonso, Economista.

“O IPCA de -0,23% demonstra que a atividade econômica está muito fraca, por isso não há muito espaço para elevação de preços. Aqueles investidores que possuem títulos associados ao IPCA, como títulos do Tesouro Direto de longo prazo, a persistir a queda do IPCA, poderão ter uma rentabilidade nominal menor. Porém, o investidor deve ter em mente que o uso do IPCA como indicador de um investimento existe justamente para garantir a rentabilidade real do seu patrimônio, que é justamente a rentabilidade acima da inflação, efetivamente o que aumenta o poder de compra de um dinheiro investido ao longo do tempo. Isto é, não adianta um investimento render 10% com uma inflação de 9%. Seria melhor, por exemplo, um investimento rendendo 8% com uma inflação de 3%, pois o ganho real nesse último caso, será maior. É preciso acompanhar esse indicador com mais atenção, pois todos desejam uma inflação baixa, porém, a deflação significa uma economia muito retraída e com desemprego, o que não é bom”, afirma André Bona, Educador Financeiro do Blog de Valor.

“O IPCA negativo para junho já era esperado por boa parte dos analistas, devido principalmente à bandeira verde de energia elétrica ao longo do mês. Porém, a magnitude da queda foi maior do que as medianas das projeções de mercado mostravam, reforçando a trajetória contínua de queda da inflação e a lenta recuperação da economia. Com a inflação sob controle e abaixo da meta para os próximos anos, a maior parte do mercado já espera um corte de juros de 1% na próxima reunião do COPOM no final do mês, terminando o ano com a taxa Selic por volta dos 8,25%. Apesar da situação política não ajudar a recuperação da atividade, o lado monetário (inflação e juros) se mostra bem comportado e com dinâmica certamente positiva para o crescimento nos próximos anos”, analisa Rafael Sabadell, Gestor do Grupo GGR.

O IPCA apresentou deflação de 0,23%, sendo que nunca tinha sido tão baixo desde agosto de 1998, quando o índice atingiu queda de -0,51%. Os principais itens que afetaram negativamente o índice foram: grupo habitação, que apresentou queda de 0,77%, destacando-se a queda de tarifa de energia elétrica -5,5% em função da troca de bandeira vermelha para a bandeira verde. O grupo de alimentos e bebidas, que corresponde a 26% das despesas das famílias, também apresentou queda de 0,5%. E transportes, que apresentou queda de -0,52%, em função da queda de preços dos combustíveis de -2,84%, gasolina e álcool. Além destes principais grupos que afetaram o índice no mês de junho, destaca-se também o pano de fundo, é a demanda bastante fraca, que contribui para a deflação. Há espaço para a continuidade dos cortes de juros, seguindo a queda da inflação, mas a crise política com reflexos na economia deve fazer os mercados atuarem sob grandes incertezas”, diz Vicente Koki, Analista-chefe da DMI Group.

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