Saúde

Coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar explica medidas adotadas após detecção da bactéria KPC

Na manhã desta quinta-feira (27), o médico infectologista e coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Municipal “Dr. Waldemar Tebaldi”, Dr. Agnaldo Gouveia Júnior, recebeu a imprensa para explicar as medidas adotadas pelo local após a detecção da bactéria KPC em pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

 

Imagem 294Segundo o médico, o caso começou quando uma paciente local, que estava internada há cerca de 14 dias em Bragança Paulista para a realização de uma angiografia, foi transferida para a UTI do Hospital Municipal e os exames de infecção urinária identificaram a presença de um micróbio nunca detectado anteriormente no hospital. Após análise e encaminhamento da cultura pro Instituto Adolfo Lutz, confirmou-se que se tratava de Klebsiella KPC.

 

Ao todo, sete pessoas, incluindo a paciente, foram contaminadas, sendo que três manifestaram os sintomas. Atualmente, um paciente está internado na UTI e outros dois se encontram na enfermaria do hospital.

 

Dentre as medidas adotadas pelo hospital imediatamente após a detecção da bactéria estão a identificação através de coleta de exame dos pacientes que estão portadores da KPC, independentemente se têm sinal de infecção ou se estão apenas com a bactéria no organismo; destinação de profissionais dedicados exclusivamente ao cuidado desses pacientes; restrição do uso de alguns antibióticos que sabidamente favorecem a multiplicação da bactéria KPC ou a instalação dela no intestino; identificação desses pacientes, por meio da ficha médica, no caso de reinternação; utilização de clorexidina, um antisséptico que diminui a carga bacteriana, na higienização dos pacientes e suspensão das cirurgias eletivas, cuja enfermaria ficou com leitos ‘reservados’ para o possível surgimento de novos pacientes contaminados, o que não ocorreu até o momento.

 

“Diariamente já é feita a desinfecção corrente – durante o dia – e a terminal – quando o paciente sai do quarto – no hospital. Em nenhum momento foi necessário interditar nenhuma das alas, uma vez que o problema não é o local em si, já que o micróbio não se dissemina pelo ar, mas sim o paciente, que é o reservatório da bactéria, cuja transmissão se dá por contato direto. Semanalmente estamos fazendo também o rastreio (exames) de pacientes que estão na UTI ou que saíram de lá para a enfermaria”, afirmou o médico.

 

Durante o encontro, que aconteceu no auditório do local, o médico também esclareceu as dúvidas dos presentes referentes à bactéria.

 

“O problema é que essa bactéria é resistente aos antibióticos que usualmente se utiliza no tratamento de outras patologias. Isso leva a um atraso a se começar a terapia eficaz. A bactéria se aloja no intestino do paciente e, se esse paciente passar alguns meses sem usar antibiótico, a própria flora intestinal trata de expulsar essa bactéria”, explicou.

 

Imagem 326Vale ressaltar que as pessoas que não fazem uso de antibióticos potentes não estão expostas ao risco de se contrair a bactéria. No trato digestivo de um indivíduo são se trava uma espécie de ‘guerra’ e micro-organismos. A KCP só consegue se instalar no intestino do individuo que tomou antibióticos que e “matou” todo o resto das bactérias.

 

Segundo o infectologista, o tratamento dos pacientes contaminados está sendo feito com antibióticos desenvolvidos na década de 60, contra os quais a bactéria ainda não está resistente ainda. “Estamos vivenciando uma crise mundial na produção de novos antibióticos. As grandes indústrias farmacêuticas entendem que esses medicamentos não são rentáveis, uma vez que são usados por determinado um curto período de tempo. Diante disso, possuímos poucos medicamentos disponíveis para tratar esse tipo de bactéria. Para o problema não piorar futuramente, é necessário um investimento governamental e global para a produção de novas drogas”, finalizou.

 

 

Unidade de Vigilância em Saúde

Comumente, a Unidade de Vigilância em Saúde recebe um relatório mensal do Hospital Municipal no que diz respeito à infecção hospitalar.

 

De acordo com o órgão, a equipe já foi até o hospital para realizar vistoria e verificação dos procedimentos adotados pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do local e constatou que todas as medidas necessárias em relação ao caso foram adotadas. A Unidade continuará acompanhando o caso.

 

 

 

Fotos: Flávio Oliveira / Prefeitura de Americana

 

 

 

Unidade de Imprensa

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