Confiança da micro e pequena empresa avança de 46,0 para 49,0 pontos em um ano

Seis em cada dez micro e pequenos empresários do varejo e serviços estão otimistas com os seus negócios para os próximos seis meses; 25%, contudo, não sabem explicar a razão do otimismo. Faturamento deve crescer na opinião de 45% dos empresários

 

A confiança dos empresários de menor porte apresentou sinais de melhora no último mês de setembro. Segundo dados apurados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) o Indicador de Confiança dos Micro e Pequenos Empresários que atuam no ramo de comércio e serviços atingiu 49,0 pontos em setembro de 2017. Em setembro do ano passado, o indicador marcara 46,0 pontos. O dado também supera o verificado em setembro de 2015, quando se encontrava em apenas 37,6 pontos. Na comparação mensal, entre agosto e setembro deste ano, sem ajuste sazonal, também houve uma alta discreta, uma vez que o índice estava em 47,4 pontos. O indicador varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo de 100, mais otimistas estão os empresários.
Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, os dados mostram que os empresários de menor porte estão menos pessimistas com o futuro, mas ainda em compasso de espera. “Há um otimismo comedido e moderado por parte desses empresários, que ainda não pode ser considerado satisfatório. Alguns indicadores macroeconômicos já dão sinais de melhora, mas o cenário político ainda é incerto. Isso faz com que a confiança não deslanche, mas também não retroceda a níveis de 2015, que foi um período de grave recrudescimento da crise. Diante desse cenário, a intensificação da agenda de reformas estruturais são importantes para trazer mais previsibilidade e credibilidade aos rumos da política econômica, melhorando o ambiente de negócios”, explica o presidente.

O Indicador de Confiança é composto pelo Indicador de Condições Gerais e pelo Indicador de Expectativas. Por meio da avaliação das condições gerais, busca-se medir a percepção dos micro e pequenos varejistas e empresários de serviços sobre os últimos seis meses, tanto da economia quanto do seu negócio. Já através das expectativas, busca-se medir o que se espera para os próximos seis meses.
62% dos micro e pequenos empresário reconhecem que houve piora na economia nos últimos meses

Dados do Indicador de Condições Gerais do SPC Brasil e da CNDL apontam um avanço de 27,3 pontos para 33,3 pontos entre setembro deste ano e setembro do ano passado. Como o índice segue abaixo do nível neutro de 50,0 pontos, significa que para a maioria dos micro e pequenos empresários a situação econômica do país e de suas empresas não tem sido satisfatória.

Na abertura do indicador, tanto a avaliação dos últimos seis meses de seus negócios quanto para a economia, apresentaram alta em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro caso, passou de 30,5 pontos para 36,1 pontos na escala. Já para o desempenho recente da economia, o número aumentou de 24,0 pontos para 30,4 pontos na escala.

Para 62% dos micro e pequenos empresários o cenário econômico se deteriorou nos últimos seis meses, contra apenas 14% que visualizaram melhora. Para outros 23% o quadro não se alterou. Quando a análise se detém ao seu negócio, o índice de empresários que sentiram piora na performance de suas empresas atingiu 53% da amostra, ao passo que apenas 18% notaram alguma melhora nesse intervalo dos últimos seis meses.

Dentre os que notaram piora em suas empresas, a queda das vendas é o sintoma mais evidente, mencionada por 74% dos entrevistados. Outros 10% disseram que houve aumento dos custos.

46% estão otimistas com a economia para os próximos seis meses e 45% esperam aumento do faturamento no mesmo período

O Indicador de Expectativas permaneceu praticamente estável na comparação com setembro do ano, passando de 60,0 pontos para 60,7 pontos. Na comparação com agosto deste ano houve uma pequena alta, pois o índice se encontrava em 56,5 pontos. “Esse resultado mostra que, mesmo diante de uma realidade ruim, já há algum tempo, parte significativa dos empresários entrevistados mantém a expectativa de melhora, seja com relação à própria empresa ou à economia do país”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Quase a metade (46%) dos micro e pequenos empresários estão, de algum modo, confiantes com o futuro da economia brasileira. Quando essa análise detém apenas a realidade da sua empresa, o índice é maior e chega a 60% dos empresários consultados. O percentual de pessimistas com a economia é de 23% e de 13%, quando levado em conta a situação de seus negócios.

A confiança dos empresários no desempenho da economia, entretanto, não é explicada de forma concreta na maior parte dos casos: quase a metade (47%) desses empresários que se dizem confiantes para os próximos seis meses alegaram não saber a razão de seu otimismo, apenas acreditam que coisas boas irão acontecer. Essa também é a principal razão para quem está otimista com o futuro de suas empresas, com 25% de citações. Entre os que estão otimistas com a economia, há também 22% de entrevistados que observam alguns sinais de melhora no cenário macroeconômico. Entre os que vislumbram um futuro positivo para suas empresas, 24% garantem fazer uma boa gestão do negócio e 20% disseram estar investindo no negócio para enfrentar a crise.

Apesar da proximidade do período de festas, que tradicionalmente aquece o desempenho do varejo, os empresários mostram-se divididos quanto as perspectivas de ver o faturamento aumentar: 45% vislumbram melhora nas vendas para os próximos seis meses, ao passo que 42% disseram esperar estabilidade. A queda do faturamento no período é aguardada por 10% dos micro e pequenos empresários.

Metodologia

O Indicador e suas aberturas mostram que houve melhora quando os pontos estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica que houve percepção de piora por parte dos empresários. A escala do indicador varia de zero a 100. Zero indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais da economia e dos negócios “pioraram muito”; 100 indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais “melhoraram muito”.

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