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Comissão que apura denúncias de desvios na Saúde em Americana (SP) é alvo de batalha

Denúncias contra o prefeito Omar Najar (MDB) vão desde contratos irregulares com OSs e desvio de dinheiro na área da Saúde

A Câmara Municipal de Americana (SP) deve virar hoje palco de uma batalha. De um lado a Comissão Especial de Inquérito que apura denúncias na área da Saúde na cidade e de outro a base do prefeito Omar Najar (MDB), que tenta impedir a prorrogação dos trabalhos. A disputa envolve denúncias de um esquema de corrupção que vão desde enriquecimento ilícito a assédio sexual e envolvem pessoas ligadas diretamente ao prefeito.

A CEI havia aprovado uma prorrogação por mais 180 dias, mas o prefeito articulou sua base para barrar essa prorrogação e colocou em pauta um substitutivo que dá à CEI apenas mais 5 dias de trabalho. Com isso, a comissão de inquérito pode ser encerrada já no próximo dia 10, sem que tenha concluído as oitivas já aprovadas. A manobra causou revolta da população nas redes sociais, que promete se mobilizar e protestar na sessão programada para esta quinta-feira (5/7).

O alvo principal da investigação é o médico Humberto Mizael Ribon, que tinha três vínculos com a prefeitura: foi superintendente na Fundação de Saúde de Americana (Fusame), médico contratado da prefeitura e atuava, ainda, em uma organização social (Plural), que prestou serviços para a prefeitura de Americana até 2017. A apuração apontou que em um ano ele teria sozinho recebido cerca de R$ 500 mil e que, em alguns meses, ele teria “trabalhado” 24 horas por dia, nos 30 dias do mês para justificar tais vencimentos. O caso é investigado também pelo Ministério Público em Americana (que ofereceu denúncia contra o médico) e pela Polícia Civil, que instaurou inquérito criminal.

Ribon é acusado de ter assinado aditamento de contrato com a Plural (empresa para a qual prestava serviços) enquanto era superintendente da Fusame.

A suspeita da Comissão Especial de Inquérito é de que o dinheiro que Ribon recebeu teria sido repassado para pessoas ligadas ao prefeito Najar. “Quando pedimos a quebra de sigilo bancário do médico na Justiça, então o prefeito organizou sua base para tentar acabar com a CEI”, afirma a vereadora Maria Giovana (PCdoB), presidente da comissão de inquérito.

Giovana afirma que precisaria de, pelo menos, mais 180 dias para concluir os trabalhos, porque ainda faltam várias oitivas. “O próprio prefeito precisa ser ouvido e até agora isso não aconteceu. Ele se recusa a comparecer. É importante que ouçamos o maior número possível de testemunhas porque há acusações muito sérias, inclusive de plantões fantasmas, pagamentos feitos à OS sem verificação e quarteirização do trabalho dos médicos”.

O nome do prefeito foi citado em diversos depoimentos, inclusive por uma ex-secretária de seu gabinete, que o acusa de ter cometido assédio sexual.

 

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Redação
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