Saúde

Câncer de rim: pacientes do SUS ainda não têm acesso à medicamentos que dão mais qualidade e expectativa de vida

Oncologista de Campinas, no interior de São Paulo, apresenta hoje (30) defesa de estudo clínico e econômico em Brasília, para justificar incorporação ao SUS de medicamentos que dobram a sobrevida de pacientes

 

No Brasil, na maioria dos casos, pacientes com câncer do sistema de saúde público demoram mais para ter acesso aos diversos medicamentos de eficácia comprovada que podem dar mais qualidade e expectativa de vida. Os portadores de câncer de rim metastático, doença que acomete uma em cada dez mil pessoas no mundo, têm prognósticos que vem melhorando significativamente na “era” da terapia direcionada. Para isso, precisam que os medicamentos sejam acessíveis. Com o objetivo de tornar possível a oferta destes remédios aos pacientes acometidos por esta doença, o oncologista de Campinas-SP, André Deeke Sasse, participa hoje, em Brasília, da 70ª Reunião do Comitê Nacional de Incorporação de Tecnologia de Saúde (Conitec) em defesa de um estudo encomendado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica sobre a associação de novas medicações no tratamento de câncer renal metastático. A intenção é viabilizar junto ao Ministério da Saúde uma melhoria no atendimento oncológico público em todo o país.

“A introdução de terapias-alvo mudou por completo o destino de pacientes com a doença. Antes eram tratados com Interferon e Interleucina, mas apresentavam alta toxicidade e baixa eficácia. Dois medicamentos que se mostraram eficazes para controlar a doença e para prolongar a sobrevida destes pacientes são Pazopanibe e Sunitinibe. Pessoas tratadas com Interferon têm uma expectativa de vida média em torno de um ano. Com as novas drogas, a expectativa dobra e chega próxima de dois anos”, aponta o médico.

Entretanto, no Brasil, as medicações estão disponíveis apenas na saúde privada. “Na saúde pública brasileira o uso de Interferon ainda se mantém como tratamento padrão. Isso é justificado pelo Ministério da Saúde devido ao alto custo do Pazopanibe e do Sunitinibe. Assim, os pacientes do sistema privado vivem melhor e por mais tempo”, afirma o especialista que é professor de pós-graduação na Faculdade de Medicina da Unicamp, preceptor dos residentes de Oncologia Clínica do Hospital PUC-Campinas, membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), e fundador do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia.

Com este estudo realizado pelo médico de forma inovadora, uma avaliação clínica e econômica de tecnologias foi definida como prioritária pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica com a intenção de viabilizar a inclusão dessas medicações o Sistema Único de Saúde (SUS). “Feita uma análise econômica, os preços foram negociados com a indústria farmacêutica e chegou-se aos valores que deixam os medicamentos dentro de um limite razoável de custo-efetividade (o quanto se gasta para um ano a mais de vida). Além disso, uma análise de impacto orçamentário foi também executada. Com estes resultados, uma proposta de incorporação junto ao Conitec foi planejada e será defendida hoje”, completa.

            O próximo passo é a aguardar que o Conitec avalie o caso e decida sobre a incorporação da medicação. “Após a submissão, este Comitê tem 180 dias para emitir um parecer respondendo à solicitação. Estamos otimistas que acatem nossa argumentação e que possibilitem aos pacientes o acesso aos medicamentos”, espera Sasse.

Outros estudos de sucesso

No ano passado, com a intenção de viabilizar junto ao Ministério da Saúde uma melhoria no atendimento oncológico público em todo o país, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, baseada em um estudo liderado pelo o médico André Deeke Sasse, modificou a forma de tratamento do câncer de mama metastático no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a incorporação dos medicamentos, que são terapias-alvo, Trastuzumabe ePertuzumabe, associados a quimioterapia, as pacientes do SUS têm o mesmo tratamento de uma rede privada.  “Uma satisfação poder participar de alguns passos para melhorar a saúde pública do Brasil. Temos ainda muitas outras prioridades não atendidas, doenças em que os tratamentos não são disponibilizados pelo SUS e que precisamos tornar viáveis”, afirma oncologista.

* André Deeke Sasse, oncologista, professor de pós-graduação na FCM-Unicamp, membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO). Fundador do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia e atua na coordenação da oncologia do Hospital Vera Cruz, do Instituto do Radium e do Hospital Santa Tereza. Desde abril de 2018, André assumiu a coordenação médica e preceptoria dos residentes de Oncologia Clínica do Hospital PUC-Campinas.

 

Sobre o Grupo SOnHe

O Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, é formado por oncologistas e hematologista que fazem o atendimento oncológico humanizado e multidisciplinar no Hospital Vera Cruz, Hospital Santa Tereza e Instituto do Radium, três importantes centros de tratamento de câncer em Campinas. A equipe oferece excelência no cuidado oncológico e na produção de conhecimento de forma ética, científica e humanitária, por meio de uma equipe inovadora e sempre comprometida com o ser humano. O SOnHe é formado pelos oncologistas: André Deeke Sasse, David Pinheiro Cunha, Vinicius Correa da Conceição, Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, Adolfo Scherr, Rafael  Luiz e Fernanda Proa Ferreira.

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