ARTIGO – Acordo de Paris e a arrogância de Donald Trump

O presidente americano Donald Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris bem às vésperas das comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente e, aqui no Brasil, da Semana Nacional do Meio Ambiente.

O mundo recebeu o anúncio com bastante estranheza e surpresa, visto que o Acordo foi assinado por 195 nações na capital francesa em 2015, e trata sobre a mudança do clima, com objetivo de limitar o aquecimento global, em parte reduzindo as emissões de dióxido de carbono. Nele, os EUA comprometeram-se a reduzir as emissões em 26% a 28% até 2025.

Ministros do Meio Ambiente do G7 (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Japão) se reuniram ontem e hoje (11 e 12), em Bolonha, Itália, para discutir a questão. Mas, os outros seis países já sinalizaram que irão defender o Acordo.

O que acontece é que nós não temos um plano B. Ou você produz e consome com base na economia verde, ou está condenado. Sustentabilidade e responsabilidade social se fazem pelo engajamento e convencimento de todos, a começar da liderança. E os Estados Unidos já vêm reduzindo o impacto ao meio ambiente através do uso de fontes renováveis de energia que custam muito mais barato. É um caminho sem volta.

O país e o mundo não podem pagar pela arrogância de um presidente. Por isso vejo que a saída não deverá se concretizar uma vez que a revogação do Acordo parte de uma ação unilateral do governo americano, que se apresenta de forma ditatorial, mas não possui legitimidade. Seus stakeholders não irão concordar com a posição. É cada vez mais nítida a busca pela economia verde e os EUA são pioneiros em soluções através de pesquisa, inovação e desenvolvimento.

O Acordo de Paris veio justamente para tentar salvar a humanidade e não pode ficar à mercê de um país. Ainda que a saída oficial dos Estados Unidos só possa se confirmar em 4 de novembro de 2020, um dia após a data prevista para a próxima eleição presidencial americana, vejo o posicionamento de Donald Trump como suicídio.

 

Por Luiz Fernando de Araújo Bueno, professor de ética e sustentabilidade da IBE-FGV, diretor do departamento de sustentabilidade do CIESP – Diretoria Regional de Campinas, articulista, consultor e palestrante.

 

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