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Analistas de mercado da FGV indicam que início de 2015 será engessado

Em 2014, os preços dos produtos no campo ficaram apenas 1,7% mais caros (Índice de Preços ao Produtor Amplo – IPA), de acordo com o Índice Geral de Preços 10 (IGP-10/FGV) acumulado em 12 meses até novembro, enquanto que os itens encontrados nas prateleiras dos supermercados, além dos serviços, bateram os 6,6% (Índice de Preços ao Consumidor – IPC) de aumento no mesmo período.

 

Para 2015, a expectativa está longe de ser favorável. A taxa de inflação tende a repetir a variação deste ano ou, pior, ultrapassar os 6,5% previstos para 2014, pressionada pelos preços administrados, ou seja, aqueles controlados pelo governo que já vem puxando os resultados para cima.

 

Analistas de mercado também aumentaram a expectativa da Selic para 12,5% para o próximo ano, meio ponto percentual acima do que estavam esperando. Mas, mesmo com a alta dos juros a inflação deve ser manter alta, pressionada pelo câmbio. Em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015, a estimativa é de menos de um ponto, apenas 0,73%.

 

“Todas as previsões apontam para um ano muito complicado, principalmente no primeiro semestre. A inflação não dará trégua, os juros podem voltar a subir e a crise de escassez de água e energia devem alimentar ainda mais a inflação, sem contar no aumento da taxa cambial. Tudo remete a muita cautela e a palavra de ordem é segurança”, declara o professor de Economia da IBE-FGV, Mucio Zacharias.

 

Segundo ele, é após as festividades do final de ano que a maioria começa a fazer contas, mas aí já poderá ser tarde. A dica é se planejar o mais rápido possível. “Coloque na ponta do lápis tudo o que sobra mensalmente. Caso tenha dívidas de curto prazo com juros exorbitantes, coloque o pagamento dessas dívidas como prioridade, pois certamente, no decorrer de 2015 se beneficiará dos juros que não vai mais pagar e certamente isso fará com que tenha equilíbrio de caixa”, recomenda.

 

Ele explica que o consumo não é ruim, pelo contrário, é muito bom para a economia. “Mas, comprar e depois entrar em dívida rotativa é a mesma coisa que tentar enxugar gelo, não vai dar certo. É mais barato começar a mudar hoje”.

 

O especialista em Gestão de Pessoas e também professor da IBE-FGV, Sergio Miorin, está esperando um mercado de contratações desaquecido. “As empresas devem contratar, mas em baixa escala e com dificuldade para encontrar mão obra qualificada”, afirma. Para ele, o destaque será para os profissionais qualificados e proativos, cujas competências comportamentais superem as especializações e que por isso sejam a “menina dos olhos” de qualquer organização.

 

Por outro lado, as empresas com planejamento e inteligência estratégica apurada não deverão demitir seus profissionais qualificados, mesmo no momento crítico. “Caso o façam, correrão o risco de não encontrar outro do mesmo nível”, conclui.

 

Além de menos vagas criadas, com queda de 38% ante os primeiros 10 meses de 2013, (de acordo com o Caged) a diferença entre salários de demitidos e contratados tem crescido, o que contribui para queda do rendimento médio das famílias. Além disso, o ganho real dos salários também vem perdendo força. Segundo o Dieese, o ganho acima da inflação neste ano foi de, em média, 1,5 ponto, ante 2,5 pontos em 2013. Para economistas, a renda média menor tende a levar pessoas fora do mercado a voltar a procurar trabalho.

 

Para endividados, saída é planejamento financeiro a partir do 13º salário

 

Quando a situação chega ao ponto do endividamento, é que muitos equívocos foram cometidos. “O planejamento deve ser a palavra de ordem nesse caso. É uma questão de cultura. Devemos ter isso em mente e transformar em hábito, uma rotina de vida para toda a família”, ensina Mucio.

 

Para começar o ano de 2015 com saúde financeira, as compras de final de ano só devem ser feitas com base no orçamento real e não nos bônus, como o 13º salário. Além disso, o orçamento deve ser organizado com a certeza do que entra e sai do bolso de todos os membros da família.

 

O professor também destaca que, obviamente, o descontrole e a falta de planejamento das famílias endividadas não podem ser resolvidos da noite para o dia, mas é um processo que irá resultar em um futuro “maravilhoso”.

 

Mucio enumera, a seguir, as principais fases de um bom planejamento financeiro familiar:

 

Fase 1: Conheça a realidade

 

Utilize uma folha simples de papel e anote detalhadamente todas as receitas e gastos da família, mas lembre-se, disciplina é a alma deste projeto. Corte os gastos supérfluos e identifique a participação dos gastos prioritários. As sobras devem ser canalizadas para pagamentos das dívidas que serão renegociadas.

 

Fase 2: Ciranda financeira e dívidas impagáveis

 

O fundo do poço é atingido devido ao crédito em excesso porque depois não há viabilidade para pagar juros de 11% ao mês sobre as dívidas crescentes, a uma razão muito superior ao que cresce o salário anualmente: aproximadamente 7% contra 270%, absolutamente desproporcional.

 

A saída é condicionada ao extremo arrocho com renegociação nos feirões patrocinados pela justiça e pelas operadoras de cartões de crédito com a possibilidade de redução de mais de 70% das dívidas e parcelamentos a juros subsidiados pela justiça.

 

Mas lembre-se, primeiro você precisa saber o quanto terá de fundo à disposição para pagar as dívidas, isto é, primeiro cumpra a fase 1.

 

Fase 3: Medidas contenciosas para consumidor disciplinado

  • Foque nas dívidas mais caras e tenha disciplina para alcançar os objetivos.
  • Mude de hábitos: crie a cultura de planejar.
  • Diminua ou pare de usar o cartão de crédito, da mesma forma que o cheque parcelado.
  • Na hora de comprar, lembre-se da pergunta: é desejo ou necessidade? Na dúvida, espere 15 dias.
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