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Americana possui 27 vias ‘esquecidas’

Lembrados apenas em épocas eleitorais, trechos incomodam moradores; problema atinge bairros novos e antigos do município

 63B2AF14BCEEsquecidas pelo poder público, algumas ruas de Americana nunca sequer viram o asfalto, mesmo estando localizadas em bairros que receberam os serviços de pavimentação. Na cidade, moradores de pelo menos 27 vias esperam pela massa asfáltica e enfrentam diariamente os transtornos causados pela terra. O dilema não é exclusividade de bairros recém-inaugurados, já que regiões tradicionais também contam com vias esquecidas.
O abandono de trechos de até 200 metros é justificado, geralmente, por questões burocráticas ou financeiras. A espera chega a durar anos e os moradores acumulam protocolos, pedidos e conversas com vereadores e prefeitos. Em épocas eleitorais, as promessas de candidatos também deixaram de trazer esperança aos prejudicados, que sofrem com barro na época da chuva e poeira durante a seca.

Localizadas no bairro São Vito, a Rua Santa Joana D’Arc, que liga a Avenida Paschoal Ardito à Rua São Gabriel, é o trajeto utilizado por motoristas que preferem evitar o trânsito de rotas asfaltadas. A mesma situação é enfrentada por moradores do Terramérica e jardins Glória, Ipiranga e Brasília, que saem dos bairros e preferem, para evitar a SP-304 (Rodovia Luiz de Queiroz), passar por um trecho de 500 metros sem asfalto da Rua Francisca Coral Chiquinho. “O trânsito é intenso e, mesmo assim, a rua não é pavimentada. Os pedestres ainda sofrem mais porque falta iluminação. Sem asfalto, o pessoal ainda joga entulho no meio do matagal”, afirma a moradora do Terramérica Marinês Gonassi Dagnoni, de 50 anos, que utiliza o local diariamente.

As vias sem asfalto também fazem parte de trechos escolhidos para receber a denominação de “avenida”. Apesar da relevância do nome, Americana conta com exemplos de descaso do poder público com vias que deveriam facilitar o tráfego. Exemplos como as avenidas Ângelo Pascote, no Distrito Industrial Werner Plaas, e Asta, no bairro Vila Vitória, causam problemas para empresas e moradores. “Agora as ruas que estão pavimentadas estão enchendo de barro por causa da Avenida Asta. Dois abaixo-assinados já foram feitos nos últimos cinco anos e nada é feito”, conta Josué Dias Rocha, de 46 anos, morador do bairro.

SÓ PROMESSA. No Werner Plaas, o próprio secretário de Desenvolvimento Econômico Luiz Carlos Martins disse, em entrevista ao LIBERAL, que o processo de pavimentação da via estava em andamento na Prefeitura. “O processo está demorando mesmo”, admitiu, na época. “A maioria quer o asfalto, mas ainda precisamos chegar a um consenso com três proprietários que faltam”.

A lista de ruas esquecidas em Americana é ainda maior. Além de moradores, as vias excluídas do serviço de pavimentação no Recanto Jatobá prejudicam também a entrada e a saída de alunos na escola Professor Hylda Pardo Oliveira. Desde que foi inaugurada, o acesso asfaltado ao colégio é restrito ao portão de funcionários. Na quadra, as ruas Wilton Rosa, Narciso Faggion e Agostinho Pilotto ainda são feitas de terra.

No Jardim Alvorada, as ruas Vênus e José Moreno acumulam ainda matagal e animais peçonhentos. Fotos das vias chegaram a ser publicadas em um perfil anônimo de uma rede social, criado para denunciar os problemas do bairro.

Chuvas aumentam transtornos
As recentes chuvas registradas na cidade geraram preocupação na Praia dos Namorados. Nesse caso, a falta de asfalto prejudica, inclusive, os alunos da Rua Olímpica Lionela Ravera, que dependem do transporte escolar e são obrigados a percorrer o trecho a pé para ter acesso aos ônibus. “Moro há 15 anos no bairro e vi todas as ruas serem pavimentadas, menos a minha. Agora minha filha anda na lama quando chove porque os ônibus não conseguem passar pela rua”, conta Avelino Domingos Alegre, de 48 anos.

Em outubro de 2011, o prefeito Diego De Nadai (PSDB) garantiu aos moradores do Jardim da Mata a conclusão das obras de asfalto e de rede de galeria de águas pluviais em até dez meses. Nas ruas dos Cocais e das Palmas, no entanto, a promessa não foi cumprida e as melhorias foram limitadas à instalação de guias das calçadas. O investimento total informado foi de R$ 1,8 milhão, mas o motivo da paralisação dos trabalhos nunca foi justificado. “Eles mexeram nas estradas e nunca voltaram para fazer o asfalto. Agora, quando chove, a gente tem que andar em cima da guia porque na rua atola”, lamenta a moradora Franciele Viana, de 30 anos.

No Jardim Bazaneli, a Rua Enzo Jurgensen foi citada em pelo menos 12 protocolos na Prefeitura em 15 anos. Com resposta de que a Administração Municipal possui estudos e projetos para a pavimentação, mas a previsão para início das obras nunca foi mencionada. “Tenho que lavar os carros da minha concessionária até quatro vezes por dia para conseguir vender. A poeira entra em todos os estabelecimentos comerciais da avenida. Na chuva, nenhum carro consegue passar pela rua”, conta o empresário Dorivaldo Vissozo, de 59 anos. “Já pensei em vender o ponto para não ter mais dor de cabeça”.

Os moradores de chácaras de Nova Odessa que precisam passar pela Rua Guilherme Schimdt para chegar a Americana enfrentam um trecho de apenas 400 metros sem pavimentação. Um outdoor bem na divisa entre as cidades ainda exalta uma propaganda da Administração Municipal, com os dizeres: “Praia Azul 100% asfaltada”. Em 2010, o antigo asfalto da via havia sido removido para a implantação de uma nova capa asfáltica. As obras, porém, deixaram o trajeto de lado.

Em reportagens publicadas pelo LIBERAL, a assessoria de imprensa da Prefeitura chegou a justificar que a pavimentação aguardava a abertura de licitação. No caso da via do São Vito, a Administração não soube informar, em 2011, se o processo já estava em andamento. Na mesma época, a promessa de que o trecho da Praia Azul receberia melhorias seria cumprida assim que as máquinas da Regional do bairro passassem por manutenção. Dessa vez, porém, a Prefeitura de Americana, apesar de ter sido procurada, preferiu não se manifestar sobre os trechos sem asfalto.

Fonte: O Liberal
Foto: Marcelo Rocha
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