Adquirir animal exótico sem a documentação exigida pode tornar comprador cúmplice de tráfico


Custos de compra e manutenção desses animais são altos

Arqueólogos dizem ter evidências de que, desde 1.500 a.C., os furões interagiam com os humanos, na proteção de estoques de cereais e na caça de pequenos roedores, como ratos e coelhos. Até hoje, há quem enxergue nesses animais um bom companheiro para o dia a dia. Há também quem veja alguns répteis, como o iguana, como um pet ideal. Normalmente, são pessoas que querem fugir dos animais de estimação “padrão”, como cães e gatos. Mas então, é uma boa ideia ter um bicho “diferente” dentro de casa?

Os furões, por exemplo, podem se tornar agressivos devido ao estresse e é comum entrarem em eletrodomésticos, paredes e tubulações, roerem a fiação elétrica ou ingerirem acidentalmente espumas e isopor. Os iguanas, com o tempo, se estressados, também podem demonstrar agressividade. Médico veterinário com atualização em Perícia Forense e presidente da Associação de Médicos Veterinários de Limeira, Vinícius Albertin chama a atenção para o fato de que manter um animal exótico, além de caro e arriscado, pode resultar em crime.

“Quem for flagrado em situação irregular pode ser enquadrado nas leis de proteção ambiental e combate ao tráfico de animais. A pena e a multa são estipuladas pelas condições encontradas, número de espécies e quantidade de animais apreendidos”, alerta Vinícius.

Antes de adquirir um animal da fauna brasileira ou de qualquer outro país, é preciso se informar sobre criadores com autorização dos órgãos governamentais. É necessário ainda fazer um profundo estudo sobre o ambiente em que o animal vive, seus hábitos alimentares, suas características comportamentais e montar uma lista com pelo menos três veterinários que atendam animais exóticos, centros de diagnósticos e fornecedores de alimentos específicos em sua região.

Todo animal exótico deve conter anilhas (no caso das aves) ou microchips (nas demais espécies) cadastrados junto ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), além das licenças para a sua manutenção em domicílio.

MACACOS SÃO DEMAIS! NA NATUREZA…

Difícil não se encantar com as estripulias dos macacos. E dá mesmo vontade de ter um em casa. Não é uma boa ideia, no entanto. “Para ter um primata, é obrigatório seguir o protocolo documental junto aos órgãos governamentais, aplicar o microchip, dar a vacina antirrábica anual, administrar vermífugos e tomar outras providências”, explica Vinícius. Ele lembra que primatas, por serem geneticamente muito próximos aos homens, podem nos transmitir doenças. “Não são poucas essas doenças e muitas são bem graves”.  Raiva, herpes símia, febre hemorrágica, tétano e tuberculose estão entre elas.

Um macaco prego, por exemplo, pode viver por até 40 anos, e é preciso que o dono esteja preparado para isso. Em um criador cadastrado junto ao Ibama, um indivíduo dessa espécie pode custar até R$ 60 mil. E, como todo animal silvestre, o estresse por motivos diversos pode torná-lo agressivo, causar acidentes, ataques ou fugas.

NATIVOS E FORASTEIROS

Atualmente, relata Vinícius, o Ibama está elaborando a Lista Pet,  que pretende normatizar a adoção de animais da fauna brasileira. “Por ora, estão suspensas os cadastros junto ao órgão de novos criadores e demais centros de reprodução”, avisa o veterinário. Quanto aos bichos que vêm do exterior, antes de importar, é imprescindível se informar junto aos órgãos governamentais se é permitido o ingresso no território brasileiro, qual a disponibilidade de profissionais, medicamentos, vacinas e alimentos especializados nas espécies. Também é preciso levar em conta os riscos de impacto ambiental em caso de fuga.

“É sempre bom frisar que a preparação documental, ambientação e aquisição de um animal exótico exigem um investimento alto, e que os custos de manutenção também serão grandes”, adverte Vinícius. “Animais silvestres anunciados com ‘preços populares’, sem a documentação, podem ter sido traficados. E, ao adquirir um animal assim, o comprador se torna cúmplice e pode responder civil e criminalmente”. Portanto, fica o alerta do especialista: “Jamais mantenha um animal silvestre sem o devido registro ou sem documentos de procedência”.

ESTIMA POLICLÍNICA VETERINÁRIA
Médico veterinário: Vinícius Albertin
Rua Deputado Octavio Lopes, 590, Centro, Limeira-SP
Telefone: (19) 3442-2363
Emergências e Urgências 24 horas: (19) 99748-8321 para Limeira e região

Fonte: Jornal do Lulu

Comentários