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A dois meses do teste para 2014, só o governo está confiante

Os estádios já não são mais a principal preocupação. A Fifa sempre avisou que tão importantes quanto os palcos do espetáculo são todos os elementos que estão ao seu redor – acessos, transporte, segurança, logística

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O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, em abril de 2013: palco da abertura – Ueslei Marcelino/Reuters

A contagem regressiva para o ensaio geral da Copa do Mundo de 2014 avança – e o Brasil, por mais que acelere o passo, não consegue seguir no mesmo ritmo que o relógio. A partir desta segunda-feira, faltam exatos dois meses para a abertura da Copa das Confederações, no dia 15 de junho, em Brasília. Mesmo com os repetidos alertas da Fifa e mesmo com os vários prazos estabelecidos (e desrespeitados) nos últimos meses, apenas três dos seis estádios da competição já foram entregues – faltam as arenas de Recife, Rio de Janeiro e Brasília. Ou seja: nem o palco da final e nem o da abertura estão prontos. Mesmo assim, o discurso do governo segue o mesmo, inalterado desde que o Brasil começou os preparativos para o torneio: tudo vai dar certo, nenhum compromisso será desrespeitado, o evento será organizado e bem sucedido. Mas já é possível dizer desde agora que isso é impossível. A Copa das Confederações, afinal, é o grande teste do país-sede do Mundial um ano antes do megaevento. No caso brasileiro, contudo, não será possível testar boa parte dos aspectos mais importantes da organização do evento.

 

Essa preocupação fica evidente nas declarações dos representantes da Fifa. Na entidade, causa irritação ver que o Brasil demorou tanto a acelerar as obras nos estádios (e que o país fará muito pouco para melhorar a infraestrutura que serve as cidades-sede do torneio). No início do mês, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, já havia avisado que os atrasos ocorridos nos preparativos para a Copa das Confederações não poderão, sob hipótese alguma, se repetir em 2014. Na semana passada, num encontro com jornalistas brasileiros em São Paulo, o o diretor de comunicações da entidade, Walter de Gregorio, também manifestou sua insatisfação. A Fifa já sabe que, com tanta coisa ainda a ser feita, não será possível concluir todos os projetos nas seis sedes – e, portanto, não haverá tempo para testar tudo o que se esperava antes de 2014. “Temos a noção clara de que o tempo é curto. Mas o Valcke já disse que não teremos tudo 100%”, disse o dirigente. Os estádios já não são mais a principal preocupação. A Fifa sempre avisou que tão importantes quanto os palcos do espetáculo são todos os elementos que estão ao seu redor – acessos, transporte, segurança, logística.

 

“Dentro das arenas não devemos ter grandes problemas. Nossa dúvida é o entorno. Como muita coisa não está pronta, podemos ter problemas no acesso do público. Não sabemos como vai funcionar o transporte coletivo e os estacionamentos”, explicou Walter de Gregorio. Ele também demonstrou grande preocupação com o sistema de telecomunicações brasileiro e espera que o governo implante de fato a tecnologia 4G, como foi combinado. “Não podemos correr o risco de um jornalista, por exemplo, ter dificuldade para enviar seu material”. O dirigente definiu a Copa das Confederações como um grande desafio e disse que talvez a edição brasileira seja a mais importante de todas as já realizadas pela Fifa. “A expectativa dentro do próprio país é grande. O Brasil é o país do futebol e teremos pela primeira vez um encontro de ganhadores de doze títulos mundiais na competição, além do campeão olímpico”, ressaltou Gregorio, citando as seleções brasileira, italiana, uruguaia e espanhola, além do México, ouro em Londres-2012. Como o evento é um teste, a Fifa vai ser tolerante – mesmo porque os problemas servirão de aprendizado e poderão ser corrigidos para 2014. Em relação à Copa, porém, não haverá perdão e todos os prazos deverão ser cumpridos à risca.

 

De acordo com o compromisso firmado entre os brasileiros e a Fifa, todos os doze estádios do Mundial precisam estar prontos e entregues até dezembro deste ano, sem qualquer exceção. Problemas nas arenas não são o único risco para as cidades-sede – atrasos significativos nas obras de infraestrutura poderão até excluir um ou mais palcos do Mundial. “Não temos plano B, trabalhamos com 12 sedes. Mas a Fifa pode fazer uma Copa com oito cidades, por exemplo”, avisou Walter de Gregorio. A posição alarmada e dura do dirigente contrasta com o discurso do governo brasileiro, de total confiança, otimismo e até uma ponta de arrogância. Também na semana passada, o ministro Aldo Rebelo garantiu que o país cumprirá o compromisso de entregar todos os estádios da Copa até dezembro. “A ideia é entregar o Beira-Rio, por exemplo, em setembro. Nosso acompanhamento indica que estão todos dentro do cronograma. Tenho falado semanalmente com os responsáveis diretos. No caso dos estádios públicos, com governadores. No caso dos privados, com proprietários e construtoras. Esse acompanhamento é rigoroso”, explicou ele. Nenhuma autoridade brasileira, porém, foi mais ufanista do que a mais importante delas: no último dia 5, a presidente Dilma Rousseff inaugurou a Arena Fonte Nova, em Salvador, e afirmou que “somos um país conhecido por ser insuperável no campo, mas estamos mostrando que somos insuperáveis também fora dele”.

(Com Estadão Conteúdo)

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