A Academia de Letras não é um fim em si mesma

Na foto: Comendador Dennis Moraes, Professor Camilo Martins e Barão Ednei Pereira, membros da ALB – Limeira

Qual é o objetivo da Academia de Letras? Qual a razão de sua existência? O que faz a Academia de Letras? Qual a sua função?

Como bem disse Filgueiras Lima em sua oração proferida a 15 de agosto de 1951, na Academia Cearense de Letras, “Não devem ser as academias igrejinhas de maior âmbito em que o espírito de Coterie possa manifestar-se mais ampla e desenvoltamente. O seu objetivo não é o mutuo turibular do incenso da lisonja: não é o reciprocar permanente de elogios bajulatórios, nem a permuta oficial de láureas e títulos honoríficos. Reduzidas a essa função de instrumento de vaidade pessoal e da fatuidade humana, transformar-se-iam, por certo, num entrave ao progresso das letras que essencialmente, lhes compete incrementar, ampliar, desenvolver e dirigir. Academia de Letras que não é foco de cultura, que não acende ideais de elevação mental na alma de um povo ou de uma nação, que não aprimora e opulenta os recursos da língua nacional, assegurando-lhe o resguardo e patrocínio das formas e modos expressionais de maior beleza e pureza idiomática – é Academia que não tem consciência de si mesma, do seu papel, da sua função, da sua autoridade, do seu ministério, da sua força. Se não exerce influência na difusão das letras e na formação da sensibilidade estética do povo em geral, deixa de representar um órgão de vital importância no desenvolvimento histórico e cultural do país”.

 

Objetividade

 

“Academias de Letras como grêmios literários, para o só e monótono declamar de versos e discursos, vazios de conteúdo humano e social, desligados da realidade viva da época e do meio, nada constroem, nada significam, nada deixam: são anacronismos incompatíveis com as necessidades e problemas culturais do nosso tempo”.

 

Ser e não apenas estar

 

A Academia de Letras não é um fim em si mesma. É o meio pelo qual os acadêmicos afiliados se utilizam para imortalizar os seus trabalhos escritos. “Imortalidade – é a palavra mágica das academias. O instinto de conservação busca nesta ilusão de vida literária eterna uma compensação, que a psicanálise explica e desvenda, para a dissolução orgânica, fatal e irremissível. Mas o conceito de eternidade não se comporta dentro dos quadros estreitos e materiais da terrenalidade. O que é humano e terreno é também perecível e imperfeito. Ainda que a alma, partícula do divino, segundo Platão, seja a fonte da beleza literária e das criações estéticas – nem por isso podemos pensar numa imortalidade adstrita ao conceito cronométrico, e não metafísico, de tempo…”.

A Academia de Letras está para o escritor, como a chuva está para a terra. O escritor planta e a Academia de Letras faz com que essa planta se consolide, se fortaleça e se multiplique espalhando esse pensamento e o conhecimento estabelecido pelo autor em gerações posteriores atingindo assim a imortalidade no proposto pelo escritor. “O ´monumentum aere perennius´ de Horácio, ainda que não tenha sido destruído após dois mil anos, e, antes, se nos apresente cada vez mais venusto e mais sólido, por quanto tempo permanecerá de pe? Que representam os ´séculos sem número´do venusino genial diante dos séculos sem fim da eternidade?”

Nem o tempo apaga os efeitos dos seus feitos. Como a chuva não pode apagar as conseqüências do que regou caindo na terra. Uma vez que caiu tudo que é semente, que foi molhada, brota. Boa ou má, mas brota. Se vai vingar e crescer, ninguém sabe e se crescendo vai produzir frutos, ninguém pode garantir, mas vai ser e não apenas estar.

 

Eleição da prioridade

 

Somos convidados a eleger nossas prioridades, antes que seja tarde demais. É necessário, neste momento, dar importância ao que é do nosso interesse hoje, não deixando para depois. Manoel Dantas era daqueles que gostava de contar estórias e juntava os sobrinhos para contá-las. Muitas delas mentirosas até. Ele trabalhava nas caldeiras colocando lenha para gerar a energia da cidade. Fumava um cigarro de palha, dos mais fedidos e tomava muita cachaça. A esposa era evangélica e os filhos também. Manoel disse que um dia também seria. O tempo passou, ele envelheceu, ficou cego, parcialmente surdo e agora já desgraçado pelas intempéries da vida e dos anos resolveu que seria o momento de se tornar “crente” como costumava dizer. Foi batizado numa igreja evangélica, mas não podia mais fazer nada por alguém ou mesmo para a igreja, já que nem mesmo condição tinha de ir à igreja. Trazia consigo o contrário do dito popular: “Não faça hoje o que você pode deixar para fazer amanhã, nem que não faça amanhã também!”

 

“A Autoridade repousa sobre a razão”

 

Quando ainda na faculdade eu tinha um professor de arqueologia, Dr.Júlio Shuwantes, que dando sua aula, vez por outra, parava para corrigir um texto que ele dizia estava errado. Fato curioso era que o livro em que estudávamos era de autoria dele mesmo. Mas ele dizia: “Esta parte está errada porque eu fiz este livro baseado em diversas pesquisas de outros autores e ocorre que este autor aí está equivocado neste aspecto, eu estive lá neste lugar, nesta escavação arqueológica e vi que não é assim como ele escreveu…”.

Só podemos falar ou escrever aquilo que nos compete como autoridade. Eu jamais poderei fazer uma palestra ou escrever sobre medicina ou direito, não tenho essas formações, não sou autoridade nesses assuntos. Sou teólogo, logo, procuro ser autoridade na minha área. Nada vale mais do que o testemunho. Veja, eu estive lá, eu vi! Eu estudei, eu sei. É fantástico! Como disse Saint Exuperí, autor de O Pequeno Príncipe: “A autoridade repousa sobre a razão”.

Não tenho tempo

O grande reformador Protestante Martinho Lutero costumava dizer: “Estou tão ocupado hoje que resolvi tirar duas horas do meu tempo para ler e meditar na palavra de Deus e falar com Ele”.A gerência do tempo está na capacidade de se priorizar os objetivos mais profícuos. Quando a sabedoria nos fizer enxergar os resultados das nossas escolhas de hoje, certamente saberemos amanhã que a nossa decisão foi inteligentemente acertada ontem. Enquanto isso apenas virão as desculpas: Já tinha um compromisso pré-agendado para essa data, vou ao aniversário da mãe da tia do primo de minha empregada, vou dar aulas, vou a um congresso muito importante, lembrei que nesta data vou está com dor nas costas…Não tenho tempo!

A lição da semente

Eu estava pastoreando no Paraná e fazia uma conferência pública em Londrina. Ali trabalhamos duro com cursos como deixar de fumar, lições sobre saúde e economia doméstica, com os seus respectivos palestrantes e posteriormente o curso bíblico. Muitas pessoas vieram assistir a programação e no final de três meses, cinqüenta e sete pessoas aderiram à igreja através do batismo. Foi construída uma nova igreja naquele bairro onde esses novos conversos iriam se reunir. Passados três meses quinze saíram, abandonaram a fé. Depois de cinco meses outros dezenove também se foram. Os motivos eram os mais variados possíveis. Infelizmente após dez meses restaram apenas nove pessoas, quarenta e oito abandonaram o compromisso que haviam abraçado tão fervorosamente.

Um ano e meio depois que eu havia estado lá naquela conferência eu voltei e para a minha grata surpresa já faziam parte do grupo cento e cinqüenta e três novos conversos. Fruto do pequeno grupo que ficou. Diminuiu para multiplicar. A boa semente nasce, cresce e dá bons frutos. Mesmo em face de sua quase morte.

Dr. Camilo Martins,Ph.I
Presidente da ANL e Presidente Fundador da ALB | RMC
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